Com direito a complacência e 'goleada moral', Palmeiras aplica maior placar do Brasileirão contra o combalido Remo
Time de Abel Ferreira faz 6 a 1 no Nubank Parque em ritmo de treino de luxo, mas vê o líder e soberano Flamengo manter a liderança da Série A após atropelar o Grêmio no Maracanã.
Gabriel Martínez, repórter esportivo, direto do Nubank Parque, em São Paulo.
Data de Publicação: sexta-feira, 06 de novembro de 2026, às 00:50.
Coluna HDN Esportes >>> Campeonato Brasileiro de Futebol 2026 >>> Palmeiras 6 x 1 Remo.
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| Palmeiras segue na segunda posição na classificação do Brasileirão 2026 |
Para quem gosta de ilusões de final de ano ou de fazer contas matemáticas que ignoram a realidade da tabela, a noite desta quinta-feira (5) no Nubank Parque foi um verdadeiro prato cheio. Válido pela 34ª rodada do Campeonato Brasileiro, o duelo entre Palmeiras e Remo prometia ser apenas uma formalidade — e cumpriu perfeitamente o seu papel de entretenimento unilateral. Com a facilidade de quem realiza um coletivo com portões abertos em plena quinta-feira à noite, a equipe alviverde goleou o penúltimo colocado por 6 a 1, registrando a maior goleada desta edição do certame.
O placar elástico, construído com dois gols de Arias, um de Maurício, um contra de Marcelinho, um de Flaco López e um de Felipe Anderson — descontado por José Welison —, serve para animar a torcida paulista e manter a perseguição teórica ao líder. Contudo, para quem acompanha a tabela com a frieza dos fatos, o resultado muda muito pouco o cenário real do campeonato: o Flamengo, repousando na liderança absoluta com 76 pontos após despachar o Grêmio por 3 a 1 no Maracanã na última quarta-feira, segue com as duas mãos e a faixa no troféu do Brasileirão 2026.
Primeiro tempo: Um passeio em ritmo de treino diante de uma defesa atordoada
Se o torcedor palmeirense esperava algum tipo de resistência vinda do Norte do país, o primeiro minuto de jogo tratou de afastar qualquer ilusão. Com a zaga do Remo em ritmo de contemplação, o Palmeiras precisou de apenas três minutos para inaugurar o marcador. Após um roubo de bola infantil no campo de ataque, Andreas Pereira e Vitor Roque costuraram a jogada para Arias driblar o goleiro Marcelo Rangel como se estivesse no quintal de casa e empurrar para as redes.
A facilidade seguiu dando o tom. Aos 12 minutos, segundos após o Remo arriscar sua única finalização no setor, o Palmeiras engatou um contra-ataque em velocidade. Mauricio achou Khellven na ponta, e a bola rolou rasteira para Arias, completamente desprovido de marcação, anotar o segundo. Oito minutos mais tarde, aos 20, foi a vez de Mauricio aproveitar uma ajeitada de Marlon Freitas após cruzamento de Arias e mandar perto do ângulo, transformando a partida em um massacre antes mesmo da metade da etapa inicial.
A fragilidade defensiva do Remo era tamanha que até a própria zaga paraense resolveu contribuir para o marcador alviverde. Aos 30 minutos, após bate-rebate na área confirmando a bagunça tática do setor defensivo visitante, o zagueiro Marcelinho tentou afastar um cruzamento de Mauricio e acabou marcando contra a própria meta — tento que exigiu a intervenção do VAR para validar o que já era uma tragédia anunciada.
O único alento para o Remo veio nos acréscimos do primeiro tempo, quando José Welison chutou de fora da área e contou com um desvio involuntário de cabeça do zagueiro Gustavo Gómez para superar o goleiro Carlos Miguel. Um gol isolado que serviu apenas para tirar o 'zero' do placar visitante, sem contudo alterar a impressão de que o confronto já estava liquidado.
Etapa final: Mudanças, administração de ritmo e a chancela do passeio
Na volta do intervalo, Abel Ferreira nem precisou exigir intensidade máxima de seus comandados. O ritmo caiu naturalmente, mas a diferença técnica gritante entre os elencos tratou de alargar ainda mais a vantagem no placar. Aos 9 minutos do segundo tempo, o argentino Flaco López arriscou um chute fraco e rasteiro da entrada da área. Para a infelicidade do goleiro Marcelo Rangel, a bola passou lenta e acabou morrendo no canto, em um lance emblemático da noite desastrosa vivida pelo setor defensivo do Remo.
Com a vitória garantida e os três pontos assegurados na conta alviverde, a partida transformou-se em um mero cumprimento de tabela. O Remo até tentou assustar em um chute de longa distância de David Braga aos 22 minutos, mas sem o menor ímpeto de reação.
A conta foi fechada aos 34 minutos da etapa final, quando Vitor Roque desarmou a saída de bola adversária mais uma vez, acionou Khellven e a bola rodou até encontrar Felipe Anderson livre no canto para estufar a rede e decretar o 6 a 1 definitivo.
Panorama da Tabela e Próximos Compromissos
Com o placar construído diante de sua torcida, o Palmeiras chega aos 73 pontos e mantém a segunda colocação na tabela de classificação, permanecendo a três pontos de distância do líder Flamengo na caça ao título nacional. Os gols palmeirenses foram marcados por Arias (duas vezes), Mauricio, Marcelinho (contra), Flaco López e Felipe Anderson, enquanto José Welison assinou o único tento da equipe visitante. Por outro lado, a humilhação sofrida em São Paulo afunda ainda mais o Remo na penumbra da 19ª colocação, com escassos 29 pontos, deixando a equipe paraense à beira do rebaixamento matemático para a Série B.
A maratona dos clubes agora ganha pausas distintas:
Palmeiras: Deixa de lado o Campeonato Brasileiro temporariamente para focar na Copa do Brasil. O time alviverde volta a campo neste domingo (8), em São Januário, para enfrentar o Vasco no jogo de volta das semifinais — carregando a vantagem de ter vencido a partida de ida por 1 a 0. Pelo Brasileirão, a equipe de Abel Ferreira só volta a atuar no dia 18 de novembro, contra o Cruzeiro, no Mineirão.
Remo: Terá um longo período de treinos até o dia 18 de novembro, quando recebe no Mangueirão a já rebaixada Chapecoense, em uma das últimas cartadas para tentar evitar o decesso.
Apesar da festa nas arquibancadas do Nubank Parque e dos aplausos para a maior goleada do torneio até aqui, a verdade matemática e futebolística permanece inalterada: a taça da Série A segue apontando com extrema clareza no rumo da Gávea.
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