O Último Fechamento de um Gigante: A Partida de Raimundo Rodrigues Pereira

Entre o luto e a reverência, nos despedimos do homem que transformou a resistência em papel e tinta durante os anos de chumbo.

Carlos André Mamedes, CEO e editor-chefe do Portal Hora da Notícia, direto da Ilha do Governador, Rio de Janeiro.
Publicação: 03 de maio de 2026 às 03:50.
Luto no Jornalismo >>> Morre o jornalista Raimundo Pereira.
O jornalista Raimundo Rodrigues Pereira morreu aos 85 anos, no Rio de Janeiro - Montagem WEB

Senta aqui, puxa uma cadeira. A notícia que chegou neste sábado não é daquelas que a gente gosta de dar, mas é daquelas que a gente precisa honrar. Raimundo Rodrigues Pereira, um dos pilares da nossa espinha dorsal democrática, nos deixou no Rio, aos 85 anos.

Sabe aquele tipo de pessoa que parece carregar a bússola moral de uma geração inteira? Pois é, o Raimundo era esse cara.

Um Físico que Decifrou a Liberdade

Engraçado pensar que ele começou na Engenharia, lá no ITA, e depois se formou em Física pela USP. Talvez venha daí a precisão cirúrgica de seus textos. Mas o regime militar não perdoava mentes brilhantes que pensavam "fora da caixa". Ele sentiu o peso da prisão cedo, mas em vez de se calar, ele amplificou a voz.

  • A Origem: Pernambucano de alma brava.

  • O Palco: Passou pela Realidade e pelo Estadão, mas foi no "combate" que ele fez história.

  • A Resistência: Fundou o icônico jornal Movimento.

O Jornal que Falava pelos Silenciados

A gente fala hoje de liberdade de expressão com uma facilidade enorme, mas imagina o que era colocar o Movimento na rua. Foram mais de 300 edições enfrentando a censura.

"Nas páginas do Movimento, os espaços em branco não eram erros de diagramação; eram gritos silenciosos denunciando que a tesoura da ditadura tinha passado por ali."

Raimundo não era apenas um editor; ele era um estrategista da informação. Ele usava o jornalismo para construir uma narrativa crítica quando tudo ao redor tentava impor o silêncio. Como disse Marcelo Auler, da ABI, ele era um guerreiro com "D" maiúsculo.

Por que essa perda dói tanto?

Dói porque o Raimundo representa uma era de ouro do jornalismo investigativo e independente, onde a notícia valia mais que o clique. Ele era nostálgico na sua ética, mas extremamente necessário na sua coragem.

Neste sábado, o Rio de Janeiro ficou um pouco mais cinza. O corpo será cremado, mas o legado... ah, esse é à prova de fogo.

Fica a lição: em tempos de desinformação, olhar para a trajetória de Raimundo Rodrigues Pereira é lembrar que o jornalismo, quando feito com alma e coragem, é a ferramenta mais poderosa que uma democracia pode ter.

Descanse em paz, mestre. O fechamento hoje é por sua conta, e a gente segue aqui, tentando honrar cada linha que você escreveu.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Portal Hora da Notícia: Veja os Especiais de Fim de Ano

O Dono da Noite: Por que Paulo Mendes é o nome que você não vai esquecer

Rony crava que fará gol pelo Atlético na final da Sul-Americana.