A Era Memphis Depay chega ao fim: Conflitos com a diretoria e a crise politica selam saída do atacante do Corinthians.
Entre títulos marcantes e críticas à gestão do clube, holandês deixa o Parque São Jorge em meio a exames solicitados de última hora e investigações do Ministério Público contra o presidente Osmar Stabile.
Coluna HDN Esportes: Crise no Corinthians >>> por Iury Matias, direto de São Paulo.
12 de agosto de 2026 às 14:30.
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| Bastidores do Sport Club Corinthians Paulista estão pegando fogo - Divulgação |
SÃO PAULO - O futebol brasileiro assistiu, nesta terça-feira, 11 de agosto de 2026, ao capítulo final de uma das trajetórias mais intensas e vitoriosas da história recente do Sport Club Corinthians Paulista. Chegou ao fim a passagem do atacante holandês Memphis Depay pelo Parque São Jorge. No entanto, longe das multidões de Itaquera e do eco das arquibancadas, o desfecho da era Memphis não foi escrito com gols ou taças, mas em salas fechadas, gabinetes políticos e atas de investigação criminal.
Sob o comando do jornalista Iury Matias, direto de São Paulo, a reportagem apurou os bastidores de um divórcio que deixa a Fiel Torcida entre a gratidão pelo passado recente e a indignação com o futuro do clube.
O peso da glória dentro de campo
Dentro das quatro linhas, o impacto da passagem de Depay é indiscutível. O holandês deixa o clube com três taças no currículo: o Campeonato Paulista de 2025, conquistado em uma final histórica sobre o arquirrival Palmeiras; a Copa do Brasil do mesmo ano, garantida diante do Vasco da Gama; e a Supercopa de 2026, com triunfo sobre o Flamengo.
A sinergia entre o atleta e a torcida parecia inabalável, e um acordo para a renovação contratual já estava encaminhado. O jogador havia aceitado reduzir seus vencimentos para permanecer no clube, e a assinatura era vista como mera formalidade. Contudo, a crise política interna falou mais alto.
A ruína institucional e os bastidores do Parque São Jorge
Nas últimas semanas, declarações do atacante em entrevistas coletivas já sinalizavam o desgaste. Memphis não poupou críticas à gestão interna, afirmando publicamente que "pessoas trabalhavam para a ruína do clube" e que a instituição poderia alcançar patamares globais se fosse gerida com profissionalismo.
O clima de instabilidade atingiu o ápice com exigências de novos exames médicos no retorno do atleta a São Paulo, interpretadas nos bastidores como um pretexto para desgastar a relação contratual. Paralelamente, o Ministério Público de São Paulo avançava em investigações que abalaram as estruturas da diretoria.
O ponto central da apuração envolve o presidente Osmar Stabile e o pagamento de R$ 586.987,65 à empresa Bear Security Ltda., sediada no Rio de Janeiro, responsável por sua segurança particular. A prestadora teria operado em situação irregular perante a Polícia Federal. O caso reacendeu a memória de escândalos anteriores envolvendo gestões passadas, como as de Andrés Sanchez, Duilio Monteiro Alves e Augusto Melo.
Em análise do caso, o promotor Cássio Conserino destacou a gravidade das acusações:
"O dirigente está auferindo remuneração direta com o pagamento das despesas da empresa de segurança pelo Corinthians. Tal contratação com dinheiro do clube pode caracterizar o cometimento de crimes — quer seja apropriação indébita, quer seja estelionato, ou eventualmente qualquer outro, dependendo das circunstâncias da contratação. O exercício da presidência não pode gerar benefícios patrimoniais diretos ou indiretos, sob pena, inclusive, de a associação privada perder suas isenções fiscais."
O dilema do futuro: SAF, intervenção ou colapso?
A saída de Memphis escancara um debate estrutural que divide a torcida e as organizadas. Enquanto movimentos como a Gaviões da Fiel defendem que o "Corinthians é do povo" e rejeitam categoricamente a transformação em Sociedade Anônima do Futebol (SAF), setores da torcida e conselheiros independentes apontam a urgência de uma intervenção judicial ou modelo corporativo para conter o endividamento e os desvios de finalidade.
A perda de Memphis Depay custará caro ao Corinthians em duas frentes vitais: o alcance de marketing internacional e a força competitiva dentro de campo. Resta saber como o clube absorverá o impacto de perder seu principal nome enquanto responde às cobranças da Justiça e das arquibancadas.

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