XADREZ POLÍTICO NO RIO: Witzel recua, abre mão do Guanabara e se alia a Garotinho para evitar pulverização da direita.
Sem fundo partidário e diante da fragilidade do Democratas, ex-governador renuncia à pré-candidatura, apoia o Republicanos e crava veto definitivo a nomes ligados a Cláudio Castro nas eleições de outubro.
Eleições Gerais 2026: O Voto no HDN | por Carlos André, direto do Rio de Janeiro, RJ
02 de agosto de 2026 às 15:15.
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| O Portal Hora da Notícia inicia a sua cobertura das Eleições de 2026. (Divulgação/ Portal Hora da Notícia) |
O tabuleiro político do Estado do Rio de Janeiro sofreu uma reviravolta expressiva no primeiro dia de agosto. O ex-governador Wilson Witzel (Democratas-RJ) oficializou a desistência de sua pré-candidatura ao Palácio Guanabara e declarou apoio formal à pré-candidatura de Anthony Garotinho (Republicanos). A movimentação, confirmada durante a convenção estadual da legenda, reorganiza as forças da direita fluminense e expõe o peso pragmático do fundo partidário e da estrutura de campanha na corrida eleitoral.
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| Wilson Witzel, ex-governador do Estado do Rio de Janeiro, decidiu não concorrer ao cargo e declarou apoio a outro ex-governador, Anthony Garotinho. |
O Pragmatismo da Sobrevivência: Estrutura vs. Discurso
Acompanhei de perto os bastidores desse anúncio e fica evidente que a decisão de Witzel, longe de ser um mero movimento de cortesia, responde a uma necessidade matemática e financeira. Em nota oficial enviada à nossa reportagem, o ex-juiz argumentou que o objetivo central da aliança é evitar a pulverização do eleitorado conservador e assegurar a presença desse campo político no segundo turno.
Contudo, a análise fria dos fatos aponta para a inviabilidade operacional de sua chapa própria:
- Falta de Fundo Partidário: O Democratas fluminense atravessa uma fase de reorganização interna severa e não conta com repasses expressivos do fundo eleitoral, o que inviabiliza uma campanha de grande porte no rádio, na TV e nas ruas.
- A Força do Republicanos: Em contrapartida, o Republicanos dispõe de uma musculatura partidária consolidada, tempo de rádio e bancadas fortalecidas para bancar a caminhada de Anthony Garotinho.
- Veto à Chapa: Apesar da aliança, Witzel descartou categoricamente figurar como candidato a vice-governador na chapa de Garotinho.
Na última sexta-feira (31), em reunião prévia à convenção, Witzel entregou a Garotinho um caderno de propostas focado nas áreas de segurança pública, desenvolvimento econômico e programas sociais, condicionando seu apoio à inclusão desses eixos no plano de governo do Republicanos.
A Linha Vermelha com o Grupo de Cláudio Castro
Outro ponto nevrálgico da declaração de Witzel é o veto explícito ao presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Douglas Ruas (PL). O ex-governador foi enfático ao afirmar que não marchará ao lado de Ruas por considerá-lo peça central do grupo político liderado por Cláudio Castro (PL) — vice que assumiu o comando do Estado após o rito de impeachment.
A postura deixa transparecer o componente pessoal e a ferida aberta desde o seu afastamento definitivo do cargo em abril de 2021.
"Eles me derrubaram, mas não me quebraram. Se oficializei a pré-candidatura em junho após cumprir cinco anos de inelegibilidade, não foi por vaidade, mas para mostrar que o povo fluminense não deve se submeter ao medo e à omissão", relembrou Witzel sobre sua curta trajetória de pré-campanha neste ano.
O Fantasma do Impeachment e da Operação Placebo
Para compreender o alcance dessa aliança entre Witzel e Garotinho, é preciso fazer uma breve regressão histórica ao processo que interrompeu o mandato do ex-juiz federal:
Início das Investigações (Operação Placebo)
Maio de 2020
A Polícia Federal deflagra a Operação Placebo para apurar supostos desvios e fraudes em contratos da Saúde durante o pico da pandemia de Covid-19. Os deputados Luiz Paulo e Lucinha protocolam o pedido de impeachment na Alerj.
Afastamento pelo STJ
Agosto de 2020
O ministro Benedito Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), determina o afastamento cautelar de Witzel do Palácio Guanabara.
Delação de Edmar Santos
Setembro de 2020
A delação do ex-secretário de Saúde aponta a existência de uma suposta organização criminosa para loteamento de secretarias e pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos.
Cassação e Inelegibilidade
30 de Abril de 2021
O Tribunal Misto de Julgamento aprova a cassação definitiva do mandato de Wilson Witzel e impõe a sanção de cinco anos de inabilitação para funções públicas.
O Cenário para Outubro
Com o recuo de Witzel e a unificação do seu grupo junto ao Republicanos, a corrida pelo governo do Rio ganha contornos mais nítidos. Enquanto pesquisas recentes apontam a liderança do prefeito Eduardo Paes em cenários de primeiro e segundo turno, a aliança entre Garotinho e Witzel tenta construir uma barreira competitiva para polarizar o debate e forçar a disputa para uma segunda etapa nas urnas fluminenses.


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