"Eu precisei perder tudo para entender do que eu era capaz", diz Ryan Guzmán, em entrevista exclusiva ao HDN.
Em um relato profundo, ator conta detalhadamente sobre cada fase de sua vida, expõe inseguranças, decisões difíceis e o que ninguém vê por trás do sucesso.
Carlos André Mamedes da Silva | CEO e Editor-Chefe | Portal Hora da Notícia | Ilha do Governador, Rio de Janeiro.
Publicada em: 27/03/2026 às 00:15.
Entrevistas Exclusivas HDN >>> Ryan Guzmán.
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| O ator Ryan Guzmán durante o filme Se Ela Dança, Eu Danço 5: Tudo ou Nada (Step Up: All In) - Arquivo Cinematográfico |
A conversa foi longa. Daquelas que você começa falando de carreira e termina falando de identidade, medo, família e propósito. Sem roteiro, sem respostas prontas. Só vivência.
Ele chegou tranquilo, sem aquela aura inacessível que muita gente espera de um ator consolidado. Cumprimentou, se acomodou e já puxou assunto como se estivesse retomando uma conversa antiga. E talvez seja exatamente esse o ponto: Ryan não tentou performar quem ele é. Ele só é.
Logo no início, ao falar sobre sua trajetória, ele desmonta qualquer narrativa romântica sobre sucesso planejado. Conta que não cresceu sonhando com câmeras ou tapetes vermelhos. A vida foi se desenhando de forma quase orgânica, com decisões que pareciam pequenas na época, mas que acabaram mudando tudo.
Ele explica que, no começo, tudo era meio incerto. Existia vontade, claro, mas também muita dúvida. Aquela sensação de estar entrando num universo onde ninguém te garante nada. Ainda assim, decidiu seguir. Não por segurança, mas por curiosidade e por uma vontade quase teimosa de ver até onde aquilo poderia chegar.
E aí vem um ponto interessante: mesmo depois de conquistar espaço, ele diz que a sensação de “estar construindo” nunca foi embora. Para ele, não existe linha de chegada.
“Eu nunca senti que ‘cheguei lá’. Sempre tem algo pra aprender, melhorar, entender melhor. E isso, pra mim, é o que mantém tudo vivo.”
A conversa entra naturalmente nos bastidores da profissão, e é aí que o discurso fica ainda mais pé no chão. Ryan fala sobre a rotina intensa, os dias longos, a repetição exaustiva de cenas, o desgaste emocional que certos papéis exigem. Ele não tenta suavizar.
Segundo ele, existe uma diferença enorme entre o que o público vê e o que realmente acontece. A imagem final é polida, editada, construída. Mas o processo é bruto. E exige entrega.
Ele lembra de momentos específicos em que precisou ir além do conforto, explorando emoções que nem sempre são fáceis de acessar. E admite: nem sempre sai ileso disso.
“Tem personagem que fica com você depois que as câmeras desligam. Não é automático sair daquilo. Às vezes demora.”
Ainda assim, não há arrependimento na fala. Pelo contrário. Ele encara esse desgaste como parte do compromisso com a arte.
Em determinado momento, o papo ganha um tom mais introspectivo. A gente fala sobre crescimento pessoal, e Ryan não foge de assuntos mais delicados. Ele reconhece que amadureceu muito ao longo dos anos, mas deixa claro que esse processo não foi confortável.
Ele comenta sobre erros, decisões impulsivas, momentos em que precisou parar e reavaliar tudo. Sem dramatizar, mas também sem esconder. Existe uma honestidade ali que chama atenção.
Para ele, evolução não tem glamour. É desconforto, confronto interno e, muitas vezes, silêncio.
“Você começa a se conhecer de verdade quando para de fugir de quem você é. E isso nem sempre é bonito.”
A vida pessoal entra na conversa de forma natural, quase inevitável. E, nesse ponto, o tom dele muda. Fica mais calmo, mais firme. Quando fala de família, dá pra perceber que não é discurso automático.
Ele explica que esse é o espaço onde ele se reconecta, onde a pressão externa perde força. Em um mundo onde tudo é exposição, expectativa e cobrança, ter um núcleo seguro faz diferença.
Ryan também menciona o esforço consciente de manter certa normalidade. Coisas simples, rotina fora dos holofotes, momentos que não precisam ser compartilhados com o mundo. Para ele, isso não é isolamento — é equilíbrio.
A conversa avança, e o futuro entra em pauta. Diferente de quem já está confortável na posição atual, ele demonstra inquietação. Vontade de explorar mais, de expandir horizontes.
Ele fala sobre o desejo de se envolver em outras áreas da indústria, especialmente na criação e desenvolvimento de histórias. Quer participar mais do processo, não apenas interpretar o resultado final.
Existe uma vontade clara de sair do lugar previsível.
“Eu gosto de me sentir desafiado. Quando tudo fica muito confortável, eu começo a questionar.”
E talvez essa seja uma das chaves para entender quem ele é hoje: alguém que não quer estagnar, mesmo já tendo conquistado muito.
Já nos minutos finais, a conversa desacelera. Não por falta de assunto, mas porque chega naquele ponto em que tudo que precisava ser dito já foi. Ainda assim, surge a pergunta inevitável: o que ele diria para quem sonha em seguir o mesmo caminho?
Ryan pensa por alguns segundos antes de responder. E quando responde, não tem romantização.
Ele fala sobre persistência, mas também sobre realidade. Sobre o quanto é necessário estar preparado para frustrações constantes. Sobre continuar mesmo quando não há garantia nenhuma de retorno.
Não existe fórmula mágica na visão dele. Existe insistência. E verdade.
A entrevista termina sem aquele encerramento formal. É mais um “a gente se fala” do que um “obrigado pela participação”. E isso resume bem o clima de tudo: não foi um evento. Foi um encontro.
No fim, fica a impressão de que Ryan Guzman não está tentando ser maior do que é. E talvez seja exatamente por isso que ele cresce.

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