A geometria da audiência e o poder do espetáculo: quando o Paulistão reorganiza a televisão aberta
Santos x Corinthians atinge 15 pontos, impõe hegemonia absoluta e transforma a noite da RECORD em um tratado contemporâneo sobre centralidade midiática.
Publicada por Carlos André, CEO e editor-chefe do Portal Hora da Notícia • Itaguaí, Rio de Janeiro • 24/01/2026 às 01:30.
Coluna Olhar Televisivo >>> Audiência da Televisão
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| Paulistão impulsionou audiência da novela na RECORD - Reprodução/ Santos FC/ RECORD |
Há noites televisivas que não se limitam a registrar índices. Elas revelam estruturas, expõem hierarquias e cristalizam dinâmicas profundas do ecossistema midiático. A quarta-feira, 22, examinada com rigor analítico pelo repórter especial Henry Freitas, do Portal Hora da Notícia, inscreve-se nesse campo raro em que a audiência deixa de ser mero dado estatístico para se converter em fenômeno interpretativo.
A transmissão do clássico entre Santos e Corinthians, válida pelo Campeonato Paulista e exibida pela RECORD, ultrapassou a condição de evento esportivo para assumir a forma de um acontecimento midiático total. Entre 19h30 e 21h29, o confronto alcançou 13,0 pontos de média, atingiu pico de 15,3 pontos e assegurou 20,7% de participação sobre os televisores ligados — números que não apenas lideram, mas organizam o espaço simbólico da televisão aberta.
Segundo a apuração conduzida por Henry Freitas, o desempenho não encontrou resistência real. No mesmo intervalo, o SBT permaneceu circunscrito a 3,7 pontos, operando à margem do eixo central de atenção que se formou em torno da RECORD. A distância não foi apenas competitiva; foi estrutural.
O CLÁSSICO COMO RITO DE CONVERGÊNCIA COLETIVA
No campo esportivo, Santos e Corinthians ofereceram aquilo que o futebol, em sua expressão mais ancestral, continua a produzir com rara eficácia: convergência emocional, tensão narrativa e reconhecimento identitário. O empate por 1 a 1, com gols de Yuri Alberto, pelo Corinthians, e Gabigol, pelo Santos, funcionou como elemento dramatúrgico, sustentando a atenção até o último instante.
A narrativa audiovisual, conduzida por Cleber Machado, revestiu-se de densidade e cadência. Sua narração, marcada por sobriedade e domínio do tempo televisivo, encontrou ressonância nos comentários de Dodô, Maurício Noriega e Sálvio Spínola, que articularam leitura tática, análise técnica e interpretação da arbitragem.
A edição criteriosa assinada por Felipe Barreto consolidou essa entrega como um produto de alta sofisticação editorial.
O FUTEBOL ENQUANTO ARQUITETURA INVISÍVEL DA GRADE
Como destaca Henry Freitas ao longo da reportagem, o impacto do clássico não se dissipou com o apito final. Ao contrário, revelou-se como estrutura subterrânea da programação, reorganizando fluxos e estabilizando a curva de consumo televisivo.
Exibida entre 21h33 e 22h29, a novela turca “Mãe” alcançou seu melhor desempenho desde a estreia, com 7,2 pontos de média e 11,9% de share. No confronto direto, o SBT permaneceu em 2,9 pontos, ampliando a assimetria da faixa. O dado, longe de ser episódico, confirma uma diretriz estratégica da RECORD em 2026: o esporte atua como engenharia de retenção simbólica, conduzindo o público para narrativas ficcionais de forte carga emocional.
A ESTABILIDADE COMO VIRTUDE EDITORIAL
Na sequência, “Chamas do Destino”, exibida entre 22h29 e 23h13, manteve a coerência da noite ao registrar 4,6 pontos de média e 8,9% de share, superando novamente o SBT, que marcou 3,9 pontos.
Em uma faixa historicamente volátil da TV aberta, a manutenção do público assume valor interpretativo: indica confiança, hábito e reconhecimento editorial.
Sob a edição de Felipe Barreto, a leitura que se impõe é clara: não houve picos isolados, mas uma linearidade rara, fruto de uma programação concebida como sistema, não como soma de produtos.
O PAULISTÃO COMO CAPITAL SIMBÓLICO, EDITORIAL E ECONÔMICO
Os dados consolidados reposicionam o Campeonato Paulista como um dos mais valiosos ativos simbólicos e comerciais da RECORD em 2026. Mais do que audiência, o torneio entrega centralidade, atributo cada vez mais escasso em um ambiente midiático fragmentado.
Na análise conduzida por Henry Freitas, o futebol emerge não apenas como conteúdo, mas como instituição midiática, capaz de produzir audiência simultânea, transversal e massiva — algo que poucas propriedades ainda conseguem realizar na televisão aberta contemporânea.
UMA NOITE QUE EXPLICA O PRESENTE DA TELEVISÃO
Publicada sob a responsabilidade editorial de Carlos André, esta reportagem sustenta que a quarta-feira (22) não representa apenas um êxito numérico. Ela se impõe como síntese do presente e prenúncio do futuro da TV aberta brasileira. Em um cenário de múltiplas telas e dispersão contínua, o clássico paulista demonstrou que ainda existem eventos capazes de suspender a fragmentação e reorganizar o olhar coletivo em torno de uma única narrativa.
Reportagem: Henry Freitas
Edição: Felipe Barreto
Publicação: Carlos André
Portal Hora da Notícia – 2026

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