Acordo Mercosul-União Europeia é aprovado após mais de 25 anos de negociações
Especialistas ouvidos pelo Hora da Notícia destacam magnitude geopolítica e impacto econômico global do pacto de livre-comércio.
Publicada por Carlos André, de Itaguaí, Costa Verde do Rio de Janeiro | 09/01/2026 às 23:55.
Coluna Olhar Mundial >>> Acordo Mercosul-União Europeia Aprovado.
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| O Portal Hora da Notícia acompanha de perto todos os detalhes de um acordo histórico - Reprodução/ Portal Hora da Notícia. |
Após anos de negociações marcadas por impasses políticos, ambientais e econômicos, foi divulgado nesta sexta-feira (09) que o acordo de livre-comércio entre o Mercosul e a União Europeia foi oficialmente fechado, depois que a maioria dos países-membros da UE votou favoravelmente ao tratado.
O acordo, considerado um dos mais ambiciosos já firmados entre blocos econômicos, envolve mais de 700 milhões de consumidores, conectando duas das maiores zonas comerciais do planeta. A expectativa é de que ele tenha impacto direto sobre setores estratégicos como agropecuária, indústria, serviços, tecnologia e energia, além de provocar reflexos geopolíticos relevantes no cenário internacional.
Para analisar a magnitude e o significado desse avanço histórico, o Portal Hora da Notícia conversou com dois especialistas: o professor Márcio Ferreira, especialista em União Europeia, e o professor Felipe dos Santos, doutor em Geopolítica Global.
Um acordo de dimensão histórica e estratégica
Segundo o professor Márcio Ferreira, o fechamento do acordo representa um divisor de águas na relação entre Europa e América do Sul.
“Estamos falando de um tratado negociado por mais de 20 anos, atravessando mudanças de governos, crises econômicas, pandemias e transformações geopolíticas profundas. O aval da maioria dos países da União Europeia sinaliza uma decisão estratégica clara: diversificar parceiros e reduzir dependências externas”, explica.
O especialista destaca que, para a União Europeia, o acordo surge em um momento de reorganização das cadeias globais de produção, especialmente após a guerra na Ucrânia, as tensões comerciais com a China e a busca por maior segurança alimentar e energética.
“A América do Sul passa a ser vista como um parceiro confiável, com grande capacidade produtiva, especialmente no setor agroindustrial”, completa.
Impactos diretos para o Mercosul e o Brasil
Do lado sul-americano, o tratado tende a abrir portas importantes para os países do Mercosul — Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. O acordo prevê redução ou eliminação gradual de tarifas, facilitação de investimentos e maior integração regulatória.
Para o professor Felipe dos Santos, doutor em Geopolítica Global, o impacto vai além da economia.
“Esse acordo reposiciona o Mercosul no cenário internacional. Ele não é apenas comercial, é geopolítico. Em um mundo cada vez mais multipolar, o Mercosul se conecta de forma mais sólida a um dos polos mais relevantes do planeta”, avalia.
Felipe ressalta que o Brasil, em especial, pode se beneficiar com a ampliação das exportações de produtos agrícolas, como carnes, grãos e açúcar, além de oportunidades para setores industriais e tecnológicos.
“Ao mesmo tempo, o acordo impõe desafios. A indústria brasileira precisará ganhar competitividade para enfrentar produtos europeus com alto valor agregado”, pondera.
Questões ambientais e compromissos sustentáveis
Um dos principais entraves ao longo das negociações foi a agenda ambiental, especialmente em relação ao desmatamento e às políticas de preservação da Amazônia. Países como França e Irlanda chegaram a se posicionar de forma crítica em etapas anteriores do processo.
De acordo com Márcio Ferreira, o texto final incorpora cláusulas ambientais mais robustas, alinhadas ao Acordo de Paris e a compromissos de desenvolvimento sustentável.
“A União Europeia deixou claro que o acordo comercial está diretamente vinculado a compromissos ambientais. Isso cria um novo padrão para tratados internacionais”, explica.
Um novo capítulo nas relações internacionais
Para os analistas ouvidos pelo Portal Hora da Notícia, o fechamento do acordo Mercosul–União Europeia simboliza um novo capítulo na diplomacia econômica internacional, em um contexto de fragmentação global e disputa por mercados.
“Em um mundo marcado por protecionismo crescente, guerras comerciais e instabilidade política, esse acordo envia uma mensagem clara de aposta no multilateralismo”, resume Felipe dos Santos.
A expectativa agora é pela ratificação final nos parlamentos nacionais e pela implementação gradual das medidas previstas no tratado, processo que deve ocorrer ao longo dos próximos anos.
Enquanto isso, governos, empresas e setores produtivos já se preparam para um cenário que promete transformar o comércio, a diplomacia e a posição estratégica do Mercosul no mundo.
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