HDN na Itália: San Siro vira palco olímpico: a chama acende no templo do futebol enquanto o Brasil observa de longe — e com orgulho

O estádio mais emblemático de Milão abre os Jogos de Inverno 2026 em noite histórica, irônica e simbólica, com DNA do futebol e tempero brasileiro.

Henry Freitas | Repórter Especial | Portal Hora da Notícia | Direto da Sede do Comitê Olímpico Brasileiro, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro | 03/02/2026 às 22:55 | Colaboração: Paulo Henrique Gomes, direto de Cortina D'Ampezzo, na Itália | Edição: Carlos André, direto da Base do HDN, em Itaguaí, Rio de Janeiro
Coluna HDN Esportes >>> HDN na Itália >>> Jogos Olímpicos de Inverno Milan/ Cortina 2026.
San Siro será testemunha de um dos maiores espetáculos do esporte.

Os Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026 começarão de forma tão simbólica quanto improvável. A cerimônia de abertura, marcada para sexta-feira, 6 de fevereiro, será realizada no Estádio San Siro, em Milão — um palco onde normalmente se disputa bola, não medalha de gelo, e onde a neve sempre foi apenas metáfora para o frio dos clássicos.

Conhecido oficialmente como Giuseppe Meazza, o San Siro será o cenário da chama olímpica em uma escolha que mistura grandiosidade, ousadia e uma boa dose de ironia: a maior Olimpíada de esportes de inverno começa dentro de uma catedral do futebol. Se não é provocação estética, é pelo menos poesia esportiva.

Uma abertura gigante para Jogos que querem ser históricos

Inaugurado em 1926, o San Siro completa praticamente 100 anos junto com a Olimpíada. Casa de Milan e Inter, palco de Copas do Mundo, finais continentais e noites eternizadas na memória do futebol europeu, o estádio agora troca os gritos de gol por aplausos coreografados, drones no céu e a chama olímpica iluminando suas arquibancadas.

Com capacidade para mais de 80 mil pessoas, o estádio receberá o mundo em uma cerimônia que promete grandiosidade visual e forte carga simbólica. Um Jogos de Inverno que começa longe das montanhas deixa claro o recado: Milão-Cortina quer ser lembrada — e não apenas pela neve.

O último grande ato de um gigante ameaçado

Há ainda um subtexto poderoso. O San Siro vive um momento decisivo de sua existência, cercado por projetos que discutem sua demolição e substituição por uma arena moderna. Para muitos italianos, isso seria um crime cultural. Para outros, o “progresso”.

Levar a abertura olímpica para o estádio é quase um gesto de resistência. Um reconhecimento tardio, talvez. Ou um último ato de glória de um gigante que se recusa a sair de cena sem aplausos. Se for o capítulo final, será em grande estilo — com o mundo inteiro assistindo.

Brasil não estreia na abertura, mas rouba a cena

Como manda a tradição olímpica, os Jogos começam antes da cerimônia oficial, com disputas já a partir de quarta-feira, 4 de fevereiro. O Brasil, por sua vez, entra em ação somente no dia 10, no esqui cross-country, com provas de sprint feminino e masculino ainda de madrugada no horário brasileiro.

Mas não se engane: o Brasil estará presente desde o primeiro minuto da Olimpíada.

Rebeca Andrade: quando o Brasil vira símbolo olímpico

Um dos momentos mais aguardados da noite no San Siro será a presença de Rebeca Andrade. A maior medalhista olímpica da história do Brasil foi escolhida para representar o Movimento Olímpico na cerimônia — um gesto que ultrapassa o esporte e vira declaração.

Enquanto os Jogos acontecem no gelo, é uma brasileira, vinda da ginástica artística, que carrega o simbolismo olímpico diante do mundo. Ironia fina? Talvez. Justiça poética? Com certeza.

Rebeca não disputa medalhas na neve, mas reafirma algo que Milão-Cortina 2026 já começa deixando claro: o Brasil não é coadjuvante no esporte olímpico — nem quando a Olimpíada acontece no inverno europeu.

Entre montanhas geladas, trenós velozes e pistas de gelo, os Jogos de Inverno começam em um estádio de futebol, com uma brasileira em destaque e um país tropical observando atento. Porque, no fim das contas, Olimpíada boa é aquela em que o Brasil sempre encontra um jeito de ser protagonista — nem que seja na ironia da história. 🇧🇷🔥

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