França sofre sob um calor de 40°C, quebra o ferrolho paraguaio com ajuda do VAR e avança às quartas da Copa de 2026
Em uma tarde sufocante no Lincoln Financial Field, os atuais vice-campeões mundiais precisaram de um pênalti salvador para vencer por 1 a 0 e agendar um reencontro com o fantasma de Marrocos.
Lucas Gabriel Rocha e João Paulo Silveira, repórteres esportivos, direto do Lincoln Financial Field, na Filadélfia.
Data de Publicação: 05 de julho de 2026 às 14:00
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| França elimina o Paraguai por 1 a 0, após pênalti batido por Mbappé. |
Direto das arquibancadas em chamas do Lincoln Financial Field, na Filadélfia, eu, Lucas Gabriel Rocha, ao lado do meu parceiro de insolação João Paulo Silveira, trago o relato de uma partida onde o maior adversário em campo não vestia a camisa da Albirroja, mas sim o termômetro.
Se você acha que o verão no Rio de Janeiro é castigo, precisava estar aqui hoje. Com impressionantes 40°C na sombra — e nenhuma brisa soprando das margens do Rio Delaware —, a Filadélfia parecia uma filial do deserto do Saara. O ambiente na cidade do Rocky Balboa era de puro suor e desespero, com os torcedores trocando os tradicionais casacos de frio por quilos de protetor solar e copos de gelo. No gramado, os jogadores pareciam correr dentro de uma sauna ligada no máximo.
A retranca paraguaia e o tédio escaldante
Como já era de se esperar, o Paraguai entrou em campo com um plano de jogo revolucionário: colocar os 11 jogadores pendurados na trave e torcer por um milagre. A França, amplamente favorita, dominava a posse de bola, mas parecia anestesiada pelo mormaço. Aos 22 minutos, Manu Koné tentou chutar, a bola desviou e saiu. Seis minutos depois, o paraguaio Diego Gómez resolveu arriscar de longe e mandou a bola quase no estacionamento do estádio.
O primeiro tempo seguiu arrastado. Jules Koundé chutou fraco nas mãos de Orlando Gill, e Ousmane Dembélé — mantendo sua clássica regularidade de tomar a decisão errada — bateu colocado para fora após desvio. O apito para o intervalo foi um ato de caridade do árbitro Ilgiz Tantashev; os atletas pareciam implorar por um balde de água fria.
O VAR entra em ação e o "Tartaruga" resolve
No segundo tempo, a França tentou acelerar o ritmo antes que alguém desmaiasse em campo. Mbappé foi lançado em velocidade, mas Juan Cáceres usou as últimas forças que tinha nas pernas para desarmá-lo. Aos nove, Koné soltou uma bomba de longe e o goleiro paraguaio Orlando Gill operou um lindo milagre.
A muralha sul-americana só começou a ruir aos 25 minutos, quando a tecnologia resolveu trabalhar. Diego Gómez, já exausto, atropelou Désiré Doué dentro da área. O juiz precisou ir até a cabine do VAR para confirmar o óbvio.
Com a bola na marca da cal, o homem dos 19 gols em Copas do Mundo não quis saber de drama. Kylian Mbappé bateu com frieza cirúrgica no cantinho de Gill, abrindo o placar e anotando seu sétimo gol nesta edição de 2026. 1 a 0 e o alívio francês na Filadélfia.
Milagres no fim e as malas prontas para Boston
Precisando do empate, o Paraguai lembrou que existia o campo de ataque. Junior Alonso tentou aos 42, mas mandou para fora. Aos 45, Maurício arriscou um chute cruzado, mas o goleiro Mike Maignan fez sua única defesa útil no jogo, garantindo que o estoque de protetor solar francês não fosse desperdiçado. Nos acréscimos, Mbappé ainda tentou ampliar o placar, mas o goleiro Gill fez dois milagres seguidos para evitar um placar mais elástico.
Com o apito final, os paraguaios encerram sua participação repetindo o roteiro de sempre, enquanto a França carimba a vaga para as quartas de final. O próximo desafio dos Bleus será na próxima quinta-feira (9), no Gillette Stadium, em Boston, contra o Marrocos — que vem embalado após amassar o Canadá. Esperamos que lá o clima seja um pouco mais ameno, porque outra tarde como essa vai exigir um adicional de insalubridade na nossa cobertura.
João Paulo Silveira e Lucas Gabriel Rocha, direto da Filadélfia, devolvem o comando para a redação!
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