Egito perde gol feito, faz gol contra, mas conta com a pontaria desastrosa dos australianos para carimbar a vaga nas oitavas

Depois de uma prorrogação entediante no AT&T Stadium, em Dallas, os Socceroos decidiram isolar as cobranças e mandar o Egito para a próxima fase.

Milena Gonçalves e Rodrigo Santana, repórter esportivo, direto de AT&T Stadium, em Dallas.
Data de Publicação: 04 de julho de 2026 às 13:45.
Coluna HDN Esportes >>> Conexão North American 2026 >>> Austrália 1 (2) x 1 (4) Egito
Ashour comemora gol contra a Austrália, em partida válida pela 16 Avos de Final.

Direto do gramado climatizado do AT&T Stadium, em Dallas, eu, Rodrigo Santana, ao lado da minha incansável parceira Milena Gonçalves, trago para vocês o relato de um jogo que testou a saúde cardíaca de milhões de egípcios e a paciência de quem pagou o ingresso no Texas.

Se o futebol fosse um esporte de lógica, o Egito teria resolvido a fatura em 45 minutos. Mas como estamos falando de Copa do Mundo, os Faraós decidiram que o caminho mais divertido para a classificação envolvia um gol contra bizarro, um milagre do goleiro adversário e uma disputa de pênaltis com direito a cobrança de cavadinha.

O início promissor e a generosidade egípcia

A Austrália até tentou dar um susto logo aos quatro minutos, quando Volpato carimbou a trave do nosso goleiro Shoubir. Mas foi só um lampejo. Aos 12 minutos, o Egito resolveu jogar: Karim Hafez acertou um cruzamento milimétrico e Emam Ashour testou firme para o fundo da rede. 1 a 0 e o plano parecia perfeito. Os australianos tentavam correr com o jovem Irankunda, mas a defesa egípcia controlava o jogo com a tranquilidade de quem toma um chá no Cairo.

Aí veio o segundo tempo. E com ele, a comédia de erros.

Com impressionantes 20 segundos da etapa final, Omar Marmoush saiu absolutamente sozinho na cara do gol. O que ele fez? Perdeu uma chance que até eu, de terno e microfone na mão na lateral do campo, faria.

Como o futebol pune — e pune com requintes de crueldade —, dez minutos depois, em uma cobrança de falta da Austrália, o zagueiro egípcio Mohamed Hany sentiu uma súbita vontade de virar atacante e cabeceou contra a própria meta. Um lindo gol contra. Tudo igual em Dallas.

Blitz nos acréscimos e o xadrez dos goleiros

O jogo virou aquele ataque contra defesa. Nos acréscimos, Mohamed Salah — que passou boa parte do jogo bem vigiado — resolveu aparecer e serviu Attia, obrigando o goleiro australiano Patrick Beach a operar um milagre operístico. Na sequência, Haissem Hassan chutou com endereço, mas o zagueiro Souttar salvou com o joelho em cima da linha.

Na prorrogação, o tédio imperou. Diante do cansaço, a Austrália decidiu dar uma de "gênio tático": no apagar das luzes, tirou o herói Beach e colocou o experiente goleiro Matthew Ryan só para pegar os pênaltis. Spoiler: não funcionou.

O show de isolar bolas na marca da cal

Na hora das penalidades, o grandalhão Harry Souttar — o mesmo que tinha salvado a Austrália na prorrogação — abriu os trabalhos mandando a bola direto para a estratosfera de Dallas.

Os batedores seguiram convertendo suas cobranças. Teve até tempo para Mohamed Salah esbanjar uma audácia tremenda e bater de cavadinha, humilhando o goleiro Ryan, que entrou só para assistir ao show de camarote. Para fechar o caixão dos Socceroos, o jovem Lucas Herrington também decidiu chutar a bola na lua. Por fim, Hossam Abdelmaguid bateu com categoria, decretando o 4 a 2 nos pênaltis.

Que venha o próximo desafio (e que seja com menos sustos)

Agora, o Egito carimba o passaporte para Atlanta, onde jogará no dia 7 de julho no Mercedes-Benz Stadium. O adversário? O vencedor de Argentina e Cabo Verde. Se for a Argentina de Lionel Messi, sugerimos que os Faraós evitem cabecear contra o próprio gol, porque a ajuda da pontaria adversária dificilmente vai se repetir.

Milena Gonçalves e Rodrigo Santana, direto de Dallas, devolvem o comando para a redação!

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Portal Hora da Notícia: Veja os Especiais de Fim de Ano

O Dono da Noite: Por que Paulo Mendes é o nome que você não vai esquecer

O Microfone em Luto: RECORD Presta Homenagem a Oscar Schmidt.