A RECORD vai jogar para ganhar ou continuar passando vergonha no banco de reservas?
A compra dos direitos da Copa do Brasil (2027-2030) é a chance de ouro para a emissora parar de brincar de fazer esporte e peitar os gigantes do mercado — mas sem coragem e agressividade, a chapa vai esquentar.
Repórter: Carlos André Mamedes | Rio de Janeiro, RJ |
31/07/2026 às 20:30.
Opinião do Comunicador Carlos André >>>> A RECORD vai jogar para ganhar ou continuar passando vergonha no banco de reservas?
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| Carlos André analisa papel da RECORD no mercado esportivo e dedicação para conseguir novos eventos esportivos - Divulgação/ Hora da Notícia. |
Vamos falar rasgado: a RECORD precisa decidir urgentemente o que quer da vida no jornalismo esportivo. De um lado, é verdade que a emissora ensaiou passos interessantes no tabuleiro de negociações. Garantir o Campeonato Paulista com contrato longo até 2029, encaminhar o retorno da tradicional Copa São Paulo de Futebol Júnior (Copinha), assegurar a exclusividade dos Jogos Pan-Americanos de Lima 2027 e abocanhar uma fatia do Campeonato Brasileiro junto à Liga Forte União (LFU) mostram que o canal voltou a frequentar as mesas de reunião.
Mas sejamos francos: montar um cardápio cheio de entradas e acompanhamentos sem ter o prato principal no menu não bota medo em concorrência nenhuma.
A notícia de que a CBF botou na mesa da emissora o pacote de direitos exclusivos da Copa do Brasil para o quadriênio 2027-2030 coloca a alta cúpula da Barra Funda diante de um ultimatismo: ou mostra sangue nos olhos agora, ou assume de vez que não tem bala na agulha para jogar no primeiro escalão. O problema da RECORD nunca foi falta de estrutura ou rombo nos cofres. O verdadeiro gargalo é a falta de audácia mercadológica, garra comercial e pegada de liderança.
Abrir Mão da Copa do Mundo Foi um Fiasco Burocrático Inexcusável
A atitude morna do passado recente é uma ferida aberta que o mercado publicitário não esquece fácil. Assistir à Copa do Mundo do conforto do sofá, sob o pretexto esfarrapado de "contenção de despesas", "prudência orçamentária" ou "ajustes de grade", foi muito mais do que uma escolha tímida: foi um erro crasso, absurdo e grotesco de posicionamento.
Ao amarelar para o maior espetáculo do planeta, a RECORD não apenas entregou bilhões em faturamento e picos astronômicos de audiência no colo da concorrência direta; a rede escancarou as portas para que canais digitais e plataformas de streaming ocupassem um território que, por vocação histórica e alcance de sinal, pertencia à televisão aberta.
Enquanto as rivais paravam o país, arrematavam os maiores anunciantes do mundo e faziam barulho de verdade, a Barra Funda preferiu a segurança morna e acovardada da sua programação habitual. Uma rede de televisão que bate no peito para dizer que é gigante não pode se dar ao luxo de se comportar como uma emissora comunitária na hora em que o futebol mobiliza a nação.
"Comprar petiscos do calendário e amofinar na hora em que os grandes eventos vão a leilão não é gestão inteligente; é pura e simples passividade. E no mercado de mídia atual, quem não ataca vira presa."
Copa do Brasil (2027-2030): A Cartada Mortífera para Mudar o Jogo
Dar a louca no mercado e arrematar o pacote da Copa do Brasil de 2027 a 2030 é a única resposta à altura para apagar o vexame das omissões anteriores e fincar, na pancada, a bandeira do canal no topo do esporte nacional.
Estamos falando da competição mais imprevisível, rentável e eletrizante do futebol brasileiro. Ter a Copa do Brasil na grade não é apenas preencher espaço; é garantia de pancadaria comercial e ibope lá no alto por motivos claros:
- Apelo Popular de Ponta a Ponta: Com mais de cem clubes na disputa representando todos os cantos do país, a audiência não essfria. É tração de público garantida de janeiro a novembro.
- O Drama Puro do Mata-Mata: Esqueça a frieza dos pontos corridos. O mata-mata entrega disputas de pênaltis de infartar, zebras históricas e decisões dramáticas que travam a atenção do telespectador no horário nobre e supervalorizam qualquer intervalo comercial.
- Blindagem Total da Programação: Cruzar as noites de Copa do Brasil com as transmissões do Brasileirão e o charme regional do Paulistão cria uma máquina esportiva ininterrupta o ano inteiro.
Assinar esse contrato é o divisor de águas definitivo: ou a RECORD vira um tubarão do mercado de transmissões, ou assume que vai viver de migalhas.
Chega de Comitê, Planilha e Medinho: A RECORD Precisa de Atitude!
A diretoria da emissora tem um vício histórico irritante: passa meses trancada em salas de reunião, fazendo cálculos infinitos, ponderando riscos e mastigando decisões até que o bonde da história passa e a concorrência passa a perna. Essa moleza burocrática é a receita perfeita para continuar comendo poeira.
O futebol moderno não tolera indecisão. Para fechar o negócio da Copa do Brasil e virar o jogo, a diretoria da RECORD precisa largar a postura defensiva, parar de encarar o esporte como fardo e partir para a ignorância comercial. Não se constrói um departamento de esportes respeitado com calculadoras e hesitação; constrói-se com visão agressiva, faca nos dentes e vontade inegociável de vencer.
A mesa está posta e a bola está rolada. Resta saber se a cúpula da Barra Funda vai entrar em campo para atropelar ou se vai continuar preferindo assistir à festa dos rivais do lado de fora do estádio.

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