Em jogo digno de drama mexicano, a toda-poderosa Albiceleste precisa de gol contra na prorrogação para despachar os bravos "Tubarões Azuis"

Com requintes de crueldade, os atuais campeões mundiais suaram o uniforme, flertaram com a eliminação e contaram com a sorte para vencer por 3 a 2 no Hard Rock Stadium.

Vinícius de Freitas e João Paulo Rocha repórteres esportivos, direto das tribunas do Hard Rock Stadium, em Miami.
Data de Publicação: 04 de julho de 2026 às 15:50.
Coluna HDN Esportes >>> Conexão North American 2026 >>> Argentina 3 x 2 Cabo Verde.
Sidny Lopes Cabral comemora com Deroy Duarte após marcar o gol de empate de Cabo Verde

Direto das tribunas fervilhantes do Hard Rock Stadium, em Miami, eu, João Paulo Rocha, ao lado do meu parceiro de fortes emoções Vinícius de Freitas, trago o relato de uma noite em que o futebol quase quebrou a banca, a lógica e o coração de milhões de argentinos.

Se você achou que a Argentina passaria por Cabo Verde como quem passeia pelo Caminito em Buenos Aires, parabéns, você errou feio. O que vimos no Texas... quer dizer, na Flórida (o calor era tanto que a mente já sabota), foi um drama digno de novela mexicana, com choro, suor, golaço de quem ninguém conhecia e, claro, aquela pitada de sorte que só os campeões têm.

O início "normal" e o paredão Vozinha

A partida começou com o roteiro esperado. A Argentina tocando bola, pressionando e Cabo Verde se defendendo como podia. Aos 14 minutos, Rodrigo De Paul resolveu trabalhar e achou Lionel Messi livre. O ET bateu... para fora. Sim, até os deuses falham. Mas aos 28, após os milionários do futebol pararem para tomar uma água gelada na pausa de hidratação, a genialidade deu as caras. Lisandro Martínez lançou e Messi, com a facilidade de quem caminha no quintal de casa, limpou a marcação e bateu de canhota. 1 a 0. Tudo sob controle, certo? Errado.

O que a Argentina não contava era com um senhor chamado Vozinha. O goleiro cabo-verdiano resolveu que aquela noite seria o pesadelo de Messi. Pegou falta, pegou chute de Enzo Fernández de fora da área e manteve o arquipélago vivo no jogo.

O susto africano e as pernas abertas de Martínez

No segundo tempo, Cabo Verde decidiu que não queria apenas tirar fotos com o Messi. Aos 13 minutos, Ryan Mendes fez fila pela direita e serviu Deroy Duarte. O meia bateu cruzado e a bola passou — que heresia! — exatamente por baixo das pernas do zagueiro Lisandro Martínez. Dibu Martínez só olhou. Tudo igual e o fantasma do vexame começou a sobrevoar Miami.

A Argentina entrou em pânico. Messi tentou de tudo. Ficou cara a cara com Vozinha e adivinha? O goleiro parou o camisa 10 de novo. Aos 44 minutos, o lance que vai render discussões até a Copa de 2030: a bola bateu na cabeça do defensor de Cabo Verde e depois no braço. Pênalti? Os argentinos gritaram como se tivessem visto um fantasma. O juiz fingiu demência e mandou seguir. Nos acréscimos, adivinhe: Vozinha pegou mais uma falta de Messi. Fim do tempo regulamentar. Prorrogação. Haja coração (e calmante).

Prorrogação: O gol contra da salvação

A Argentina resolveu ligar o modo sobrevivência. Com apenas um minuto do tempo extra, após um escanteio, Lisandro Martínez se redimiu do gol sofrido, dominou sozinho e soltou uma bomba. 2 a 1. Alívio? Que nada.

Cabo Verde é resiliente. Aos 12 minutos, Sidny Cabral recebeu pela esquerda, olhou para o gol, limpou a marcação e mandou a bola onde a coruja dorme. Um golaço cinematográfico no ângulo de Dibu Martínez. 2 a 2. A essa altura, tinha torcedor argentino rezando para todos os santos em Buenos Aires.

O golpe final veio no segundo tempo da prorrogação, e teve que ser com a ajuda dos próprios cabo-verdianos, porque os atacantes argentinos já não sabiam o que fazer. Cuti Romero subiu de cabeça após novo escanteio e a bola desviou no defensor Diney Borges antes de entrar. Gol contra. O gol da classificação. 3 a 2.

Sobreviventes, mas com o alerta ligado

Cabo Verde se despede da Copa do Mundo de cabeça erguida, fazendo história como a primeira estreante a incomodar tanto gigante. Já a Argentina avança às oitavas, mas com uma certeza: se jogar essa bolinha contra o Egito na próxima fase, o tango vai virar um lamento definitivo.

Vinícius de Freitas e João Paulo Rocha, direto de Miami, devolvem o comando para a redação antes que nosso coração pare de bater!

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