O Baile de Dallas: Espanha Ensaia o Flamenco, Despacha uma França Apática e se Garante na Final da Copa.
Sob o calor escaldante do Texas, a equipe de Luis de la Fuente dá uma aula de futebol burocrático e eficiente, transformando o badalado "Clássico Europeu" em um treino de luxo diante de franceses que pareciam mais interessados nas compras de Miami.
Henrique Martins e Felipe Barreto de Oliveira, enviados especiais ao AT&T Stadium, Dallas (EUA)
Data de Publicação: 14 de julho de 2026 às 20:00.
Coluna HDN Esportes >>>> Conexão North American 2026 >>>> 1ª Semifinal: França 0 x 2 Espanha.
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| A Espanha quer o mundo de novo e marcar novamente o seu nome na história do futebol mundial. |
Olha, se você veio até o Texas esperando ver um duelo de gigantes digno dos melhores roteiros de Hollywood, nós, Henrique e Felipe, lamentamos informar que você foi solenemente enganado. O que se viu no gigantesco e climatizado AT&T Stadium — essa nave espacial que o bilionário Jerry Jones construiu para o futebol americano, mas que hoje serviu de palco para o futebol "de verdade" — foi um monólogo. Um monólogo em espanhol, com sotaque de posse de bola e uma pitada generosa de apatia francesa. Do lado de fora, antes mesmo de a bola rolar, o termômetro de Dallas marcava uma temperatura que faria o próprio Saara parecer um resort de inverno. Mas dentro do estádio, sob a proteção do teto retrátil e do ar-condicionado no talo, o clima era de festa para uma torcida espanhola que parecia ter colonizado o Texas de vez. O aroma de churrasco texano nos arredores misturava-se ao das tapas improvisadas pelos torcedores ibéricos, que cantavam alto, confiantes de que a "La Roja" daria um show. E deram, à sua maneira protocolar e implacável.
Nós dois estávamos na tribuna de imprensa tentando entender se a França realmente entrou em campo ou se o técnico Didier Deschamps simplesmente enviou um grupo de hologramas vestindo azul. Desde o primeiro minuto, a Espanha dominou o meio-campo como quem domina a sala de casa. Aos 19 minutos, a comédia francesa começou a se desenhar. O lateral-esquerdo Lucas Digne, que aparentemente esqueceu que estava jogando uma semifinal de Copa do Mundo e achou que estava em um piquenique dominical, foi tentar afastar a bola e, de forma inacreditável, não viu a aproximação do garoto prodígio Lamine Yamal. O resultado? Um chute digno de caratê na perna do espanhol dentro da área. Pênalti infantil, daqueles de arrancar os cabelos de qualquer torcedor. Na cobrança, Mikel Oyarzabal bateu com a frieza de quem toma um café expresso na Gran Vía madrilenha. Maignan até pulou para o lado certo, mas a bola foi parar no fundo da rede. Um a zero, e a França mal havia tocado na bola.
Para piorar o que já estava trágico para os "Bleus", a bruxa dos gramados resolveu dar o ar da graça aos 28 minutos. O zagueiro William Saliba, pilar da defesa do Arsenal e que já vinha se arrastando fisicamente antes do torneio, sentiu a coxa e desabou no gramado sintético. Substituído por Lacroix, Saliba deixou o campo sob os olhares de desolação dos torcedores franceses nas arquibancadas, que já começavam a olhar para os lados procurando a saída mais próxima do estádio. Enquanto isso, a torcida espanhola fazia a "Ola", comia pipoca e se deliciava com os passes laterais infinitos de Rodri e Fabián Ruiz.
No segundo tempo, se alguém esperava uma reação furiosa dos franceses, acabou recebendo apenas mais do mesmo tédio tático. Unai Simón, o goleiro espanhol, poderia muito bem ter aproveitado a etapa final para ler um bom livro ou responder e-mails acumulados, tamanho foi o seu desocupamento. A Espanha controlava o relógio e o ritmo do jogo sem fazer o menor esforço. E o golpe de misericórdia veio aos 12 minutos, em uma jogada que expôs a marcação francesa de forma quase cruel. O lateral-direito Pedro Porro tabelou de forma elegante com Dani Olmo, penetrou na área sem que nenhum defensor francês se prestasse ao papel de incomodá-lo, e tocou com extrema categoria na saída do goleiro Maignan. Dois a zero. No setor onde se concentrava a torcida espanhola, o delírio foi total. Chapéus de caubói estilizados nas cores vermelho e amarelo voavam pelos ares, e os gritos de "Olé" ecoavam pela imensa estrutura metálica do AT&T Stadium.
Ainda houve tempo para um lance de pura genialidade — e posterior frustração. O jovem Lamine Yamal, que passou o jogo inteiro deitando e rolando em cima do pobre Lucas Digne, recebeu pela ponta direita, cortou para o meio deixando o lateral francês tonto no chão e acertou um chute espetacular na gaveta. Um golaço digno de moldura. Pena que o assistente ergueu a bandeira assinalando um impedimento milimétrico na origem da jogada. Uma crueldade com o futebol, mas que não fez a menor diferença no resultado final. A França seguiu batendo cabeça até o apito final, confirmando que o sonho do tricampeonato mundial virou fumaça no deserto texano.
Agora, nós arrumamos nossas malas e nos preparamos para deixar Dallas rumo ao clima ligeiramente mais ameno de Nova Jersey. A Espanha, com toda a sua pompa e futebol cadenciado, aguarda pacientemente o desfecho do clássico histórico entre Inglaterra e Argentina nesta quarta-feira para saber quem terá a audácia de tentar tirar o troféu de suas mãos no próximo domingo, no MetLife Stadium. Se jogarem com a mesma facilidade que demonstraram hoje, os espanhóis já podem ir encomendando o estoque de champanhe — ou melhor, de cava.
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