Em uma maratona de tédio e travessão em Vancouver, Suíça resiste ao abafa colombiano na prorrogação e avança nos pênaltis

Gregor Kobel defende a cobrança decisiva de Cucho Hernández e garante os suíços nas quartas de final de uma Copa pela primeira vez desde 1954.

Felipe Barreto, repórter esportivo e internacional, direto do BC Place Stadium, em Vancouver, Canadá.
Data de Publicação: 08 de julho de 2026 às 19:00.
Coluna HDN Esportes >>>> Conexão North American 2026 >>>> Suíça 0 (4) x 0 (3) Colômbia.
Suíça reescreve a história após 72 anos e avança às quartas de final.

VANCOUVER — Amigos, se vocês sofrem de insônia, eu, Felipe Barreto, tenho o remédio perfeito: basta assistir aos 90 minutos regulamentares entre Suíça e Colômbia no BC Place Stadium. Direto das tribunas aqui no Canadá, confesso que precisei de muito café para não cair no sono em uma partida que começou travada e terminou em um teste cardíaco de mais de duas horas.

O futebol tem dessas coisas. A Colômbia tentou propor o jogo, correu, martelou, carimbou o travessão na prorrogação, mas esqueceu que os suíços inventaram o ferrolho tático e a precisão dos relógios. No final, após um empate em 0 a 0 que foi uma verdadeira ofensa à bola, a Suíça garantiu o triunfo por 4 a 3 nos pênaltis, quebrando um tabu histórico: os caras não sabiam o que era chegar às quartas de final de uma Copa do Mundo desde 1954, quando sediaram o torneio. Setenta e dois anos depois, a Cinderela dos Alpes está de volta ao top 8.

Noventa minutos de pura burocracia tática

O primeiro tempo começou equilibrado, mas com aquele sotaque burocrático de quem tem medo de errar o primeiro passe. Aos 21 minutos, o volante colombiano Gustavo Puerta resolveu arriscar um chute colocado de fora da área e obrigou Gregor Kobel a fazer uma defesa plástica. Depois da pausa para hidratação — que foi mais interessante do que o jogo em si —, a Suíça resolveu aparecer. Fabian Rieder e Dan Ndoye tentaram chutes cruzados, mas o goleiro Camilo Vargas operou duas intervenções seguras.

Na segunda etapa, o nível técnico resolveu tirar férias de vez. Erros de passe para todos os lados e um festival de faltas transformaram o meio-campo em um verdadeiro canteiro de obras. O colombiano Luis Suárez até teve uma chance de ouro após roubar a bola no ataque, mas chutou tão mal que a bola quase saiu pela lateral. Nos acréscimos, Ndoye recebeu um lindo passe na área e, mantendo a tradição da tarde, chutou cruzado para fora. Prorrogação.

O drama do travessão e o show de Kobel

Se o tempo normal foi um convite ao bocejo, os 30 minutos extras foram pura loucura. A Colômbia resolveu jogar tudo o que não jogou antes. Davinson Sánchez aproveitou uma sobra e mandou por cima. Logo depois, Jhon Lucumí subiu no terceiro andar e carimbou o travessão de Kobel com uma cabeçada brutal. O ponta Campaz ainda soltou um canhão de longe e o goleiro suíço voou para mandar para escanteio.

A Suíça respondeu com Zeki Amdouni, mas Vargas pegou. No segundo tempo extra, o conhecido Juan Quintero arriscou de longe para fora, e Campaz, cara a cara com Kobel após uma bobeada homérica da zaga europeia, isolou a bola de forma inacreditável. O destino queria os pênaltis.

A loteria e o reencontro com Messi

Nas penalidades máximas, o drama foi completo. Davinson Sánchez abriu os trabalhos para os sul-americanos enchendo o travessão. Parecia o cenário perfeito para a Suíça abrir vantagem, mas o zagueiro Manuel Akanji resolveu isolar a sua cobrança, mandando a bola direto para Seattle.

A disputa seguiu parelha até o momento final, quando a estrela de Gregor Kobel brilhou mais forte. O arqueiro do Borussia Dortmund adivinhou o canto, pegou a cobrança de Cucho Hernández e carimbou o placar de 4 a 3.

Com a classificação histórica na bagagem, a Suíça agora faz as malas para enfrentar ninguém menos que a Argentina de Lionel Messi, que vem embalada após uma virada épica contra o Egito. O duelo dos opostos — o ataque argentino contra a muralha suíça — acontece no próximo sábado (11), às 22h (de Brasília), no Arrowhead Stadium, em Kansas. Para a Colômbia, resta chorar a repetição dos fantasmas de 1990 e 2018 e pegar o voo de volta para Bogotá mais cedo.

Direto de Vancouver, com os dedos congelados, Felipe Barreto devolve para a redação, encerrando a fase de Oitavas de Final!

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