Em uma tarde de infarto no Mercedes-Benz Stadium, a Albiceleste sai de um 2 a 0 contra o Egito e busca a virada por 3 a 2 aos 46 do segundo tempo.
Lionel Messi perde pênalti e amplia recorde negativo, mas heróis improváveis e um contra-ataque avassalador colocam o time de Scaloni nas quartas de final da Copa de 2026.
Henrique Martins, repórter e analista esportivo do HDN, direto do Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta.
Data de Publicação: 08 de julho de 2026 às 18:25.
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| Argentina faz história e vence de virada o Egito, avançando às quartas de final. |
ATLANTA — Amigos, se o futebol fosse um esporte previsível, eu, Henrique Martins, não estaria aqui digitando esta reportagem com as mãos trêmulas e o coração operando em rotação máxima. O que testemunhei direto das tribunas do Mercedes-Benz Stadium não foi uma partida de Copa do Mundo; foi um teste de sobrevivência tática e psicológica.
Para quem achava que a Argentina passaria por cima do Egito fumando um charuto, os Faraós resolveram montar um cenário de filme de terror para os atuais campeões mundiais. A Argentina esteve morta, enterrada sob as areias do deserto e com as malas prontas para Buenos Aires até os 34 minutos do segundo tempo. Mas, como diz a máxima, nunca dê como morto um time que tem a camisa listrada em azul e branco. A virada por 3 a 2 foi daquelas para entrar nos livros de história e traumatizar qualquer egípcio pelas próximas três gerações.
O Paredão Shobeir e o recorde que Messi queria esquecer
O jogo começou quebrando o roteiro dos analistas de plantão. O Egito não entrou para se defender; entrou para morder. Tanto que, aos 15 minutos, Attia cruzou com a precisão de um engenheiro e Yasser Ibrahim subiu sozinho no meio da zaga argentina para testar firme: 1 a 0 para o Egito. O estádio, tomado por latinos, emudeceu.
A Argentina reagiu imediatamente e, aos 20 minutos, Tagliafico foi atropelado na área. Pênalti. O roteiro perfeito para Lionel Messi empatar e acalmar os ânimos, certo? Errado. O camisa 10 caminhou para a bola e bateu, mas parou em uma defesa espetacular do goleiro Mostafa Shobeir.
Com esse erro, o gênio argentino alcançou uma marca que certamente não vai para o seu museu pessoal: isolou-se como o jogador com mais pênaltis desperdiçados na história das Copas, acumulando quatro falhas no torneio.
Shobeir virou um monstro sagrado na primeira etapa. Ele parou um chute à queima-roupa de Julián Álvarez e buscou uma cabeçada com endereço certo de Mac Allister. A Argentina martelava, mas o ferro egípcio não dobrava. Fim do primeiro tempo e o cheiro de zebra empestava Atlanta.
Do susto do VAR ao apagão dos Faraós
Na segunda etapa, o desespero argentino virou tática. O time de Lionel Scaloni passou a cavar faltas e abusar do tradicional "chuveirinho" na área. E quem não faz, toma. Em um contra-ataque de almanaque, o Egito chegou a balançar as redes com Zico, mas o VAR salvou a pele sul-americana ao flagrar uma falta de Attia em Lisandro Martínez no início da jogada.
O aviso não foi suficiente. Pouco depois, após um escanteio bizarro cobrado pela própria Argentina, Mohamed Salah ligou o turbo, puxou o contra-ataque e serviu Hassan. O atacante cortou a marcação e rolou para Zico bater de primeira, sem chances para Dibu Martínez. 2 a 0 para o Egito. A essa altura, jornalistas argentinos ao meu lado já rasgavam as anotações e choravam copiosamente.
Quatro minutos de fúria e o xeque-mate nos acréscimos
Faltando pouco mais de dez minutos para o fim, o Egito resolveu que já estava classificado e recuou. Erro fatal. Aos 34 minutos, a zaga egípcia vacilou e o xerife Cuti Romero testou para o fundo da rede, diminuindo o placar. O gol injetou uma eletricidade quase sobrenatural no time. Quatro minutos depois, aos 38, o caos tomou conta da área egípcia. Após um bate-rebate digno de pelada de fim de ano, a bola sobrou limpa para ele. Messi, com a frieza de quem sabe que precisava se redimir pelo pênalti, empurrou para dentro: 2 a 2.
O estádio em Atlanta parecia que ia desabar. O Egito, completamente tonto com o soco no estômago, ainda tentou o ataque final aos 46 minutos. Salah invadiu a área argentina, mas perdeu a bola. E aí o destino cobrou a conta com juros e correção monetária.
A Albiceleste engatou uma transição na velocidade da luz. Lautaro Martínez disparou pela ponta direita e, com a visão de um falcão, cruzou rasteiro para a área. Enzo Fernández surgiu do além, livre de marcação, e escorou para o gol. Virada histórica. Argentina 3, Egito 2.
Com o apito final, os jogadores argentinos desabaram no gramado exaustos, enquanto a comissão técnica de Scaloni tentava entender o milagre. A Argentina avança às quartas de final e agora espera o vencedor do confronto entre Colômbia e Suíça. Se quiserem o tricampeonato, porém, sugiro que parem de testar o coração do torcedor desse jeito.
Direto de Atlanta, com a voz completamente destruída, Henrique Martins devolve o comando para a redação central!
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