Mais é mais para a Fifa: Infantino já quer inflar a Copa para 64 seleções em 2030 (e a América do Sul agradece)

Mal estreamos o "pacote com 48", e o presidente da entidade máxima do futebol já prepara o terreno para enfiar metade do planeta no próximo Mundial; Newsroom HDN destrincha a proposta que pode mudar os planos de Portugal, Espanha e Marrocos.

Paulo Henrique Gomes e Henry Freitas, repórteres e editores do HDN Esportes, direto da Newsroom Panorâmica HDN, em New Jersey.
Data de Publicação: 12 de julho de 2026 às 18:55.
Coluna HDN Esportes >>>> Conexão North American 2026 >>>> Copa do Mundo com 64 Seleções em 2030?
Copa do Mundo pode ser ampliada para 16 grupos com 4 seleções cada e podendo durar até dois meses.

Se você achou que uma Copa do Mundo com 48 seleções, cruzando três países de dimensões continentais e gerando prorrogações infinitas já era um teste para os limites da sua sanidade e do seu bolso, respire fundo. A Fifa de Gianni Infantino não tem freio. Nós, Paulo Henrique Gomes e Henry Freitas, com o providencial auxílio estatístico e textual do nosso editor-chefe Carlos André, fomos atrás dos detalhes de uma bomba que começou a circular nos bastidores da bola: a Copa do Mundo pode saltar para inacreditáveis 64 seleções já em 2030.

Em entrevista ao veículo suíço Bluewin, o mandatário da Fifa deixou claro que o debate está oficialmente aberto e que as comissões técnicas da entidade vão se debruçar sobre o projeto assim que o campeão de 2026 erguer a taça no MetLife Stadium. Para Infantino, o futebol "globalizado" precisa de mais rostos e menos exclusividade efervescente do eixo Europa-América do Sul.

O argumento de Infantino: O "sucesso" dos 48 e o milagre africano

Para defender a tese de que colocar 64 países na mesma festa é uma boa ideia, o dirigente suíço usou o desempenho deste atual Mundial como escudo. Segundo ele, o fantasma de que o nível técnico despencaria com 48 seleções foi exorcizado em campo.

"Foi um enorme sucesso. Todas as seleções jogaram em alto nível. Equipes de todos os continentes marcaram gols e conquistaram pelo menos um ponto", defendeu Infantino.

O grande trunfo estatístico da Fifa para bater no peito é o continente africano. Se na edição de 2022 apenas cinco seleções da África carimbaram o passaporte, neste ano a representatividade dobrou, e o resultado foi histórico: nove das dez seleções africanas conseguiram avançar para o mata-mata. Na visão da cúpula da Fifa, se você dá a oportunidade e o dinheiro da cota de participação, os países menores evoluem. Se você fecha as portas, mata o incentivo local. É a democratização do futebol (ou a democratização do lucro, dependendo do seu nível de cinismo).

Como funcionaria o "Megatone" de 2030 na prática?

A Copa do Mundo de 2030 já nasceu complexa por si só. Ela foi desenhada para ser um torneio centenário, cruzando três continentes e seis países. O plano original prevê os jogos de abertura comemorativos no Uruguai, na Argentina e no Paraguai (uma ode ao Mundial de 1930), com o grosso da competição sendo jogado em Portugal, Espanha e Marrocos.

Se a expansão para 64 seleções for aprovada, a logística ganha contornos de engenharia aeroespacial, mas traz um belo consolo para os sul-americanos. Com 16 seleções a mais:

  • Fase de Grupos Completa na América do Sul: Em vez de receberem apenas uma partida protocolar de abertura e verem os aviões partirem para a Europa, Uruguai, Argentina e Paraguai poderiam sediar grupos inteiros da competição.

  • Formato Perfeito (Matematicamente): Esqueça as bizarrices de grupos com três times ou as contas matemáticas complexas para saber quais os melhores terceiros colocados que avançam. Com 64 times, teríamos 16 grupos de 4 seleções. Passam os dois primeiros de cada chave e entramos em um mata-mata perfeito a partir dos 16 avos de final.

O que diz a nossa edição (Por Carlos André)

Olhando friamente para o tabuleiro político da Fifa, a jogada de Infantino é brilhante e puramente comercial. Mais seleções significam mais direitos de transmissão vendidos para novos mercados domésticos, mais patrocinadores locais ativados e, acima de tudo, uma base política de votos blindada entre as federações menores da Ásia, África e Concacaf.

O preço disso? O desgaste físico brutal dos atletas e a óbvia diluição da sensação de "elite" que a Copa do Mundo sempre carregou. Se antes o torneio era o topo do Everest, em 2030 ele corre o risco de virar uma grande e festiva Copa das Nações.

O debate vai ferver nos comitês da Fifa nos próximos meses, e nós, do Portal Hora da Notícia, seguiremos acompanhando cada passo. Afinal, se o plano passar, preparem-se para ver confrontos como Islândia x Vietnã decidindo vaga em uma terça-feira à tarde em Assunção. O futebol moderno não para!

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