O Preço do Inchaço: Copa com 64 Seleções Ameaça Calendário, Finanças e o Valor das Eliminatórias
A ideia ventilada por Alejandro Domínguez e mantida no horizonte por Gianni Infantino encontra forte resistência na UEFA e na Ásia, acendendo o alerta sobre custos astronômicos, estafa de atletas e dependência política da FIFA.
Repórter e CEO: Carlos André Mamedes, direto da Matriz do Hora da Notícia, no Rio de Janeiro
Data de Publicação: 21 de julho de 2026 às 11:30
Coluna HDN Esportes >>> Conexão North American >>> Mundial de 2030 com 64 Seleções: Desafios
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| Taça da Copa do Mundo FIFA em exposição em Monterrey, México. |
A tinta da vitória da Espanha no MetLife Stadium mal secou após o encerramento da primeira Copa do Mundo de 48 seleções, e os bastidores da FIFA já fervilham com a possibilidade de uma nova e radical expansão: um Mundial com 64 países participantes.
Embora o presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, tenha jogado holofotes sobre o tema ao propor o formato para a Copa Centenária de 2030, a ideia já vinha sendo alimentada pelo próprio presidente da FIFA, Gianni Infantino. No entanto, o otimismo das cúpulas contrasta com uma onda de preocupação logística, financeira e técnica que mobiliza confederações continentais e federações ao redor do mundo.
O Impacto Esportivo e a Explosão de Jogos
Para abrigar 64 países mantendo a estrutura básica de grupos com quatro equipes seguidos por fases eliminatórias (iniciando em um mata-mata com 32 seleções), o torneio passaria dos atuais 104 jogos para impressionantes 128 partidas — o dobro do formato tradicional com 32 seleções que vigorou até 2022.
| Formato do Mundial | Período / Sede | Nº de Seleções | Total de Partidas |
| Tradicional | Até Catar 2022 | 32 seleções | 64 jogos |
| Atual | América do Norte 2026 | 48 seleções | 104 jogos |
| Proposta em Análise | Projeção 2030 / 2034 | 64 seleções | 128 jogos |
A alteração exigiria no mínimo mais uma semana inteira de competição, esticando um evento que já ocupa quase seis semanas do calendário global e pressionando atletas no limite do desgaste físico.
Resistência Europeia e Asiática: O Perigo para as Eliminatórias
As maiores oposições ao projeto vêm da Europa (UEFA) e da Ásia (AFC). O grande temor das confederações continentais é de ordem econômica e política: ao classificar um terço dos países do planeta para a Copa do Mundo, as eliminatórias regionais perdem valor de mercado, apelo do público e receitas de direitos de transmissão.
Com eliminatórias desidratadas, as federações passariam a depender quase que exclusivamente da distribuição de dividendos feita pela FIFA, centralizando ainda mais o poder político nas mãos de Zurique.
"Não acho que seja uma boa ideia para a Copa do Mundo e também não é uma boa ideia para as nossas eliminatórias. Portanto, eu não apoio essa proposta", cravou o presidente da UEFA, Aleksander Ceferin, mantendo a posição contrária da entidade europeia.
A posição é endossada pelo presidente da Confederação Asiática de Futebol (AFC), Sheikh Salman bin Ibrahim Al Khalifa, que questiona os limites da hipertrofia do torneio.
O Nó Logístico para as Sedes: De 2030 à Arábia Saudita 2034
Se a edição de 2030 já representa um quebra-cabeça inédito por se espalhar por seis países (Espanha, Portugal, Marrocos, Uruguai, Argentina e Paraguai), abrigar 64 delegações multiplicaria as exigências de centros de treinamento, rede hoteleira e infraestrutura de transporte.
O desafio se torna ainda mais dramático ao olhar para 2034, quando a Arábia Saudita receberá o torneio de forma solo:
- O fator Ramadã: O mês sagrado muçulmano começará em meados de novembro de 2034, o que complica a repetição da janela de fim de ano adotada no Catar em 2022.
- Infraestrutura: Os sauditas planejam utilizar 15 estádios espalhados por Riad, Jidá, Khobar, Neom e Abha para o formato de 48 seleções. Ampliar o torneio exigiria erguer e reformar ainda mais arenas e centros operacionais.
Custos Estourados para as Federações
Mesmo para as seleções mais ricas do futebol global, disputar uma Copa do Mundo tornou-se um empreendimento deficitário caso a equipe não alcance as fases finais.
A Federação Francesa de Futebol (FFF), por exemplo, orçou seus custos operacionais no Mundial de 2026 em 24,5 milhões de euros (cerca de R$ 142 milhões). O presidente da entidade, Philippe Diallo, revelou durante o último Congresso da FIFA que a França precisaria chegar pelo menos às semifinais para evitar prejuízo financeiro, cobrando maior apoio financeiro da entidade organizadora.
Em um cenário de 64 seleções, com custos logísticos e de permanência ainda mais inflacionados, a participação na Copa corre o risco de virar um fardo financeiro para federações de menor porte — justamente aquelas que o discurso oficial da FIFA alega querer democratizar.
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