Decisão coloca os Estados Unidos ao lado do Irã, Líbia e Iêmen como os únicos países do mundo fora do pacto de 2015.
Posse de Donald Trump • Publicada em 20/01/2025 às 19:30 | por Bryan Tavares Fox, direto de Washington D.C
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prestando juramento no Capitólio dos EUA. (Agência Reuters/ Reprodução). |
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, irá retirar mais uma vez os Estados Unidos do acordo climático de Paris, disse a Casa Branca nesta segunda-feira (20), removendo o maior emissor histórico do mundo dos esforços globais para combater as mudanças climáticas pela segunda vez em uma década.
A decisão coloca os Estados Unidos ao lado do Irã, Líbia e Iêmen como os únicos países do mundo fora do pacto de 2015, no qual os governos concordaram em limitar o aquecimento global a 1,5 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais para evitar os piores impactos das mudanças climáticas.
O anúncio, em um documento da Casa Branca, reflete o ceticismo de Trump sobre o aquecimento global, que ele chamou de farsa, e se encaixa em sua agenda mais ampla para libertar as perfuradoras de petróleo e gás dos EUA da regulamentação para que possam maximizar a produção.
Os Estados Unidos já são o maior produtor mundial de petróleo e gás natural graças a um boom de perfuração de anos no Texas, Novo México e outros lugares alimentado pela tecnologia de fracking e fortes preços globais desde a invasão da Ucrânia pela Rússia.
Trump também retirou os EUA do acordo de Paris durante seu primeiro mandato, embora o processo tenha levado anos e tenha sido imediatamente revertido pela presidência de Biden em 2021. A retirada desta vez provavelmente levará menos tempo — apenas um ano — porque Trump não estará vinculado ao compromisso inicial de três anos do acordo.
Desta vez também pode ser mais prejudicial aos esforços climáticos globais, disse Paul Watkinson, ex-negociador climático e consultor sênior de políticas da França.
Os EUA são atualmente o segundo maior emissor de gases de efeito estufa do mundo, atrás da China, e sua saída prejudica a ambição global de reduzir essas emissões. “Será mais difícil desta vez porque estamos no meio da implementação, contra escolhas reais”, disse Watkinson.
O mundo agora está a caminho de um aquecimento global de mais de 3ºC até o fim do século, de acordo com um relatório recente das Nações Unidas, um nível que os cientistas alertam que desencadearia impactos em cascata, como aumento do nível do mar, ondas de calor e tempestades devastadoras.
As nações já estão lutando para fazer cortes drásticos nas emissões necessárias para reduzir o aumento projetado da temperatura, já que guerras, tensões políticas e orçamentos governamentais apertados empurram as mudanças climáticas para baixo na lista de prioridades.
A abordagem de Trump contrasta fortemente com a do ex-presidente Joe Biden, que queria que os Estados Unidos liderassem os esforços climáticos globais e buscava encorajar uma transição para longe do petróleo e gás usando uma combinação de subsídios e regulamentações.
Trump disse que pretende desfazer esses subsídios e regulamentações para reforçar o orçamento da nação e fazer a economia crescer, mas insistiu que pode fazer isso ao mesmo tempo em que garante ar e água limpos nos Estados Unidos.
Li Shuo, especialista em diplomacia climática do Asia Society Policy Institute, disse que a retirada dos EUA corre o risco de minar a capacidade dos Estados Unidos de competir com a China em mercados-chave de energia limpa, como energia solar e veículos elétricos.
“A China tem tudo para vencer, e os EUA correm o risco de ficar ainda mais para trás”, afirmou.
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