Eternamente Preta Gil.
Voz livre, corpo político, coração gigante e um legado que vai atravessar gerações.
Carlos André, direto da Redação HDN em Itaguaí, Rio de Janeiro | Publicação: 27/12/2025 às 19:30.
Especial de Fim de Ano HDN 2025 >>> Eternamente Preta Gil.
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| Portal Hora da Notícia presta uma homenagem póstuma à cantora que nos deixou em 2025. - Foto: Reprodução/ Arquivo Pessoal. |
Preta Maria Gadelha Gil Moreira morreu no dia 20 de julho, aos 50 anos, após enfrentar com coragem um câncer colorretal. A partida da cantora, empresária e comunicadora deixou um vazio difícil de explicar, porque Preta não ocupava só espaços. Ela transformava tudo onde chegava. Palco, televisão, redes sociais, rodas de conversa, bastidores da música e da cultura brasileira. Preta era presença real.
Filha de Gilberto Gil, um dos maiores nomes da história da música brasileira, e da empresária Sandra Gadelha, Preta nasceu dentro de um universo artístico, mas nunca se acomodou nele. Pelo contrário. Cresceu entendendo o peso e o privilégio do sobrenome, mas decidiu cedo que sua história seria escrita com a própria voz, do próprio jeito, sem moldes e sem pedir permissão.
A música foi um dos seus primeiros territórios de expressão. Lançou carreira no início dos anos 2000 e logo deixou claro que não estava ali para agradar padrões. Canções como Stereo, Só o Amor e Sinais de Fogo marcaram sua trajetória não apenas pelo sucesso, mas pela identidade. Preta cantava desejo, vulnerabilidade, liberdade e afeto com naturalidade. Sua voz carregava verdade, e isso sempre foi o maior diferencial.
Mas reduzir Preta Gil à cantora seria injusto. Ela foi uma artista múltipla. Atuou como empresária visionária, criando projetos, fortalecendo a cena cultural e ajudando a construir pontes entre artistas, marcas e público. Tinha faro para o novo, para o que vinha com propósito, e entendia a cultura como ferramenta de transformação social.
Preta também foi comunicadora de impacto. Na televisão, nas entrevistas e principalmente nas redes sociais, usou sua visibilidade para falar do que muita gente evitava. Corpo, racismo, gordofobia, machismo, autoestima, saúde mental, sexualidade. Sem rodeios. Sem suavizar para caber. Ela falava na lata porque sabia que o silêncio machuca mais.
Seu corpo sempre foi político. Em um país que impõe padrões cruéis, Preta escolheu existir inteira, sem pedir desculpa. Isso incomodou. E justamente por isso foi tão importante. Ela abriu caminho para que outras pessoas se sentissem menos sozinhas, menos erradas, menos invisíveis.
Na vida pessoal, Preta nunca construiu personagens. Viveu publicamente seus amores, suas dores, suas quedas e recomeços. Quando veio o diagnóstico do câncer colorretal, ela poderia ter se fechado. Fez o oposto. Compartilhou o processo, falou sobre tratamento, medo, fé, cansaço e esperança. Informou, alertou e humanizou a doença. Transformou sua luta em serviço público, ajudando a quebrar tabus e incentivando o cuidado com a saúde.
Até nos momentos mais difíceis, Preta manteve algo que era só dela: a capacidade de acolher. Quem acompanhou sua trajetória sentiu isso. Ela não se colocava acima de ninguém. Falava de igual para igual. Ria alto, chorava quando precisava e nunca fingiu força eterna. A força dela vinha justamente da vulnerabilidade.
A morte de Preta Gil não apaga nada do que ela construiu. Pelo contrário. Escancara o tamanho do legado. Ela deixa músicas que seguem vivas, discursos que continuam ecoando e uma geração inteira impactada pela sua coragem de ser quem era.
Preta foi liberdade em movimento. Foi afeto como posicionamento. Foi arte com propósito. Sua ausência dói, mas sua história não termina aqui. Ela segue nas canções, nas ideias, nas pessoas que aprenderam a se amar um pouco mais por causa dela.
Preta Gil é eterna porque deixou marca. E marca de verdade não some. 🖤

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