O Milagre de Toronto: Modric Assopra 200 Velinhas e Budimir Salva a Croácia do Fiasco Panamenho

Em uma noite onde o Panamá esqueceu como se faz gol e Pasalic tentou desafiar as leis da física da ruindade, os croatas acham um gol isolado e avançam na maratona do Grupo L.

Vinícius de Freitas e Henrique Martins, repórteres esportivos do HDN, direto do BMO Field Stadium, em Toronto.
Data de Publicação: 24 de junho de 2026 às 16:30.
Coluna HDN Esportes >>> Conexão North American 2026 >>> Panamá 0 x 1 Croácia.
Croácia e Panamá protagonizaram um jogo eletrizante com uma reviravolta inacreditável.

DIRETO DO BMO FIELD, TORONTO (CAN) — Olá, amigos! Se vocês achavam que o frio do Canadá traria uma partida congelante e previsível, precisavam estar aqui comigo, Vinícius de Freitas, e com o meu parceiro de cabine, Henrique Martins. O que testemunhamos no gramado de Toronto foi um verdadeiro teste para cardíacos e um tratado de como desperdiçar chances de gol. A Croácia venceu o Panamá por 1 a 0, mas o placar magro esconde um roteiro que flertou intensamente com o vexame europeu.

A noite era para ser um desfile de gala. Luka Modric, o imortal camisa 10, entrou em campo para celebrar a absurda marca de 200 jogos com a camisa da seleção croata. Mas em vez de tapete vermelho, o que o aniversariante recebeu foi um Panamá destemido, abusado e perfeitamente disposto a estragar o buffet. Para a sorte dos croatas, os panamenhos sofrem de um mal terrível: a timidez crônica na hora de balançar as redes. O Panamá está eliminado, e a Croácia segue respirando por aparelhos na briga pelos dezesseis-avos de final.

Primeiro Tempo: O Baile Panamenho e a Pane Geral da Croácia

Se alguém pousasse de paraquedas em Toronto nos primeiros 45 minutos, juraria de pés juntos que o Panamá era o atual vice-campeão mundial e a Croácia uma seleção estreante. O time da América Central dominou as ações ofensivas, empilhou chances e deixou a zaga croata tonta.

Antes mesmo da pausa para hidratação, Murilo acionou Puma Rodríguez pela direita. O atacante bateu cruzado, o goleiro Livakovic resvalou com a ponta dos dedos e a bola carimbou a trave. Para o alívio do meu estômago, o bandeira já tinha assinalado que a bola havia saído antes do cruzamento. Mas o aviso estava dado.

Pouco depois, o inacreditável aconteceu: o próprio aniversariante do dia, Luka Modric, errou um passe lateral bobo na intermediária. O Panamá engatou um contra-ataque de almanaque. Murilo limpou a marcação, cruzou de canhota e Puma Rodríguez escorou para o meio da pequena área. O gol estava escancarado, mas os atacantes panamenhos resolveram fazer greve de fome e ninguém apareceu para empurrar para as redes.

A Croácia, burocrática e arrastando as pernas, só foi lembrar que o goleiro adversário se chamava Mosquera no finzinho da etapa inicial. O jovem Baturina limpou a jogada na entrada da área e soltou uma bomba de longa distância, obrigando o arqueiro panamenho a espalmar para escanteio. E foi só.

Segundo Tempo: A Máxima do Futebol e a Cavada que Quase Virou Crime

Como o futebol é o esporte mais lógico e injusto do planeta, a máxima do "quem não faz, toma" entrou em ação logo no início do segundo tempo. Aos croatas, bastou uma jogada de lucidez. Numa tabela rápida com Stanicic, Pasalic apareceu pelo lado e cruzou na segunda trave. Budimir, completamente livre e sem goleiro, teve apenas o trabalho de escorar de cabeça. O texto da reportagem dizia que o gol foi sem a cobertura do goleiro panamenho, mas cá entre nós, parecia que a defesa inteira do Panamá tinha ido comprar um hot-dog nas arquibancadas do BMO Field. 1 a 0 Croácia.

O gol deveria dar tranquilidade, mas ativou o modo comédia no ataque europeu. Em outro contra-ataque magistral iniciado por Modric, Pasalic recebeu a bola livre, leve e solto. Sem nenhum marcador em um raio de dez metros, ele arrancou em direção ao gol. O estádio inteiro levantou para gritar o segundo. E o que o camisa 24 fez? Tentou uma cavada pretensiosa, bizarra, que morreu suavemente nos braços do goleiro Mosquera. No rebote, com o gol aberto, ele conseguiu isolar a bola na órbita de Toronto. Uma pintura de ruindade.

Modric olhou para o banco de reservas com aquela cara de quem queria pedir a aposentadoria imediatamente. Aos 35 minutos, exausto de tanto correr pelos garotos, o capitão foi substituído sob aplausos protocolares.

O Abafa Desesperado e o Apagão Emocional

Nos minutos finais, o Panamá ativou o modo "tudo ou nada". O técnico mandou o time para o abafa e transformou Livakovic no herói da noite. Primeiro, Bárcenas exigiu duas defesas espetaculares na ponta direita. Depois, Harvey subiu mais alto que os gigantes da dinastia croata e testou firme, no ângulo, obrigando o camisa 1 a voar para espalmar.

Conforme o relógio avançava, o cansaço e o desespero minaram o emocional dos panamenhos. As jogadas vistosas do primeiro tempo deram lugar a passes errados e isoladas feias. Fim de papo e fim de sonho para o Panamá.

Como fica o Grupo L, Henrique?

Com esse triunfo arrancado a fórceps, a Inglaterra respira na liderança isolada. Já a Croácia chega aos mesmos 3 pontos de Gana, desenhando um cenário de puro drama para o próximo sábado (27), às 16h (de Brasília).

Os dois jogos serão simultâneos: a Inglaterra vai passear contra o eliminado Panamá no MetLife Stadium, enquanto a Croácia e Gana farão um duelo de vida ou morte no Lincoln Financial Field, na Filadélfia. Quem vencer avança direto para os dezesseis-avos de final; quem perder vai ter que rezar ajoelhado na cartilha dos melhores terceiros colocados.

Daqui de Toronto, desligo o microfone com a certeza de que Modric vai precisar de uma boa massagem nas pernas e Pasalic de um treino intensivo de finalizações básicas.

Vinícius de Freitas e Henrique Martins, direto do BMO Field, sobrevivendo ao quase-fiasco croata na Copa de 2026.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Portal Hora da Notícia: Veja os Especiais de Fim de Ano

O Dono da Noite: Por que Paulo Mendes é o nome que você não vai esquecer

Rony crava que fará gol pelo Atlético na final da Sul-Americana.