QUE INHACA, MEUS AMIGOS! Tchéquia e África do Sul ficam no empate burocrático e jogam a vida no "grupo da morte"

Europeus acham gol relâmpago, tentam cozinhar o galo, mas entregam a paçoca em pênalti bobo e deixam a chave escancarada para México e Coreia do Sul.

Paulo Henrique Gomes, editor-chefe do HDN Esportes, direto do Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, EUA.
Data de Publicação: 18 de junho de 2026 às 23:25
Coluna HDN Esportes >>> Conexão North American 2026 >>> Tchéquia 1 x 1 África do Sul.
África do Sul e República Tcheca protagonizam um jogo morno e chato, terminando em 1 a 1.

Puxa a cadeira, pede um chopp bem gelado e senta que lá vem história de compadres! Se você achou que a quinta-feira de Copa do Mundo ia ser só espetáculo, Tchéquia e África do Sul resolveram trazer o legítimo espírito da várzea para o gramado do Mercedes-Benz Stadium. Em uma partida de pouquíssima inspiração e muita vontade de não ganhar, os dois times ficaram no 1 a 1 e conquistaram seus primeiros pontinhos no Grupo A. Para quem vinha de derrota na estreia, o resultado foi aquele famoso "ruim para os dois, pior para quem assistiu".

Como o enviado especial do Portal Hora da Notícia aqui em Atlanta não brinca em serviço, colamos na tribuna para sintonizar essa resenha. E olha, o jogo começou parecendo que a Tchéquia ia passar o trator. Logo aos cinco minutos, os caras tabelaram bonitinho, o Sojka deu uma assistência de garçom e o Sadilek apareceu igual a um fantasma na área para cutucar na saída do Williams. 1 a 0 para os europeus! Ali na bancada eu já pensei: "Pronto, os caras vão golear e botar banca". Que nada.

Depois do gol relâmpago, os tchecos resolveram colocar o regulamento debaixo do braço e cozinhar o galo com aquela preguiça tipicamente europeia. A África do Sul, completamente perdida com e sem a bola, não conseguia trocar três passes seguidos e apelou para o famoso "chuta de longe e seja o que Deus quiser". O goleirão Kovár nem precisou lavar o uniforme no primeiro tempo.

Williams opera milagres e a zaga tcheca entrega a paçoca

Na segunda etapa, o marasmo deu uma trégua e a Tchéquia resolveu lembrar que precisava tirar o saldo de gols do vermelho. O Darida e o badalado Schick tiveram chances de ouro na cara do gol, mas pararam em defesas espetaculares do Ronwen Williams — o cara joga muito, o resto do time é que não ajuda. Pouco depois, o Krejci quase guardou de cabeça.

Como quem não faz, toma (e essa é a regra número um de qualquer boteco de futebol), a África do Sul resolveu mudar a tática. Parou de isolar a bola de longe e começou a colocar a bola no chão. Mesmo com uma limitação técnica de dar dores no peito, a persistência dos "Bafana Bafana" deu resultado.

Aos 36 minutos, o Maseko fez a jogada da vida dele, cortou para o meio e soltou a bomba. A bola bateu na mão do Sulc e o juizão, sem pestanejar, apontou para a cal. Pênalti claro! O Mokoena chamou a responsabilidade, bateu com a frieza de quem estava jogando uma pelada de fim de semana e deixou tudo igual: 1 a 1. O estádio, que estava meio sonolento, virou um caldeirão.

Nos minutos finais, o desespero bateu nos dois lados. Os caras tentavam atacar, mas a bola parecia uma melancia de tão pesada. Faltou perna, faltou cérebro e sobrou cansaço. Fim de papo e um ponto para cada lado que não muda a vida de ninguém.

"A Tchéquia achou que o jogo de Copa era amistoso de pré-temporada e sentou no resultado. O castigo veio de pênalti para mostrar que na Copa ninguém aceita passividade."

Como fica a mesa do bar (e o Grupo A)?

Com essa lambança murcha em Atlanta, a Tchéquia fica em terceiro lugar com saldo de -1, enquanto a África do Sul segura a lanterna da chave com saldo de -2. O grupo segue liderado pelo México, com a Coreia do Sul na cola.

A nossa dupla de líderes, inclusive, se enfrenta ainda hoje no Estádio Akron, em Guadalajara. Quem vencer ali carimba o passaporte e deixa tchecos e sul-africanos chorando as pitangas no aeroporto.

Na última e decisiva rodada, na próxima quarta-feira (24), às 22h, a Tchéquia vai ter a ingrata missão de encarar os donos da casa, o México. No mesmo horário, a África do Sul pega a Coreia do Sul rezando por um milagre daqueles bem grandes.

Garçom, traz a saideira porque aguentar esse futebolzinho burocrático na tarde de quinta-feira exigiu paciência de santo. Até a próxima rodada, cambada!

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