O Show de Pépé na Filadélfia: Costa do Marfim Despacha Curaçao e Carimba o Passaporte nos 16-avos

Enquanto os caribenhos tentavam entender o que era uma linha de impedimento na terra do Rocky Balboa, o atacante marfinense resolve o jogo em 18 minutos e coloca os Elefantes na próxima fase.

Rafael Monteiro e Fabiana Machado, repórteres especiais do HDN, direto do MetLife Stadium, em New Jersey, East Rutherford.
Data de Publicação: 26 de junho de 2026 às 23:30
Coluna HDN Esportes >>> Conexão North American 2026 >>> Curaçao 0 x 2 Costa do Marfim.
Costa do Marfim está classificada para o Mata-Mata da Copa do Mundo 2026.

DIRETO DO LINCOLN FINANCIAL FIELD, FILADÉLFIA (USA) — Olá, meus amigos! Se a Filadélfia ficou mundialmente famosa pelas escadarias que o Rocky Balboa subia correndo para provar que era um vencedor, a seleção de Curaçao descobriu nesta tarde que a subida na Copa do Mundo é bem mais íngreme e dolorosa. Eu, Felipe Barreto, ao lado da minha parceira de transmissões e rainha das estatísticas, Juliana Russo, assisti a um daqueles jogos em que a diferença técnica é tão gritante que o time vencedor parecia jogar de terno, enquanto o outro corria atrás como se estivesse fugindo de um tsunami no Caribe.

A Costa do Marfim venceu Curaçao por 2 a 0 com a facilidade de quem faz compras no supermercado. O triunfo garantiu aos marfinenses os 6 pontos e a vice-liderança isolada do Grupo E, logo atrás da Alemanha (que resolveu entregar a rapadura para o Equador no outro jogo, mas isso é outra história). Para Curaçao, que entrou em campo sonhando com um milagre caribenho, restou a dura realidade da lanterna e a passagem de volta para Willemstad com apenas um pontinho na bagagem.

Primeiro Tempo: O Furacão Pépé de 18 Minutos

Se alguém na Filadélfia ainda estava se acomodando nas confortáveis cadeiras do estádio do Philadelphia Eagles, perdeu metade do espetáculo. A Costa Leste americana testemunhou um início avassalador dos Elefantes. Logo aos seis minutos de jogo, o lateral Yan Diomandé desceu pela esquerda como se estivesse desfilando na Marquês de Sapucaí, olhou para a área e cruzou rasteiro. A zaga de Curaçao ficou olhando a paisagem e Nicolas Pépé apareceu na pequena área, livre de qualquer vestígio de marcação, apenas para empurrar para o fundo das redes. 1 a 0 com requintes de treino de luxo.

Curaçao, para não dizer que passou as férias nos Estados Unidos sem tentar nada, resolveu arriscar de longe. O cabeludo Tahith Chong e o lateral Sherel Floranus soltaram duas pancadas de fora da área que fizeram o goleiro Yahia Fofana trabalhar e sujar o uniforme pela primeira vez no torneio. Mas a empolgação caribenha durou menos que um piscar de olhos.

Aos 18 minutos, o volante Ibrahim Sangaré — que controlou o meio-campo com a fidalguia de um lorde — descolou um passe milimétrico que rasgou a linha defensiva adversária. Pépé dominou com carinho dentro da área, ajeitou o corpo e bateu colocado, com nojo, tirando qualquer chance do goleiro. Dois gols do homem e a fatura devidamente liquidada antes mesmo da pausa para o café.

Segundo Tempo: Pressão Inócua e Modo "Economia de Energia"

Na segunda etapa, a comissão técnica marfinense olhou para o relógio, pensou na maratona dos dezesseis-avos de final que vem por aí com esse formato gigante da FIFA, e acionou o botão de "economia de energia". O time simplesmente abdicou de atacar com intensidade e passou a tocar a bola de um lado para o outro, fazendo o tempo correr.

Curaçao, percebendo que os africanos tinham entrado em ritmo de colônia de férias, tentou subir as linhas e pressionar a saída de bola. Ficaram mais tempo no campo de ataque, morderam os calcanhares marfinenses, mas transformar esse domínio territorial em uma chance clara de gol acabou se mostrando um desafio matemático intransponível para o ataque caribenho. Nas raras vezes em que acertaram o alvo, esbarraram na atuação segura e sem sustos do gigante Fofana.

O Cenário do Grupo E e os 16-avos

Com o apito final e o placar congelado no 2 a 0, a Costa do Marfim avança com total autoridade na segunda colocação e joga o Equador (que bateu a Alemanha de forma surpreendente no MetLife) para a repescagem dos terceiros colocados. Os marfinenses agora aguardam a definição dos outros grupos para conhecer o próximo freguês no mata-mata.

Daqui da Filadélfia, com os casacos bem fechados porque o vento da Pensilvânia começou a apertar, nós nos despedimos. Pépé resolveu o churrasco, Curaçao vai curtir as praias mais cedo, e nós seguimos gastando o latim nessa cobertura histórica do Mundial de 2026.

Felipe Barreto e Juliana Russo, direto do Lincoln Financial Field, vendo os Elefantes marcharem com imponência rumo à próxima fase.

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