Do Pênalti das Nuvens ao Topo do Mundo: Messi Janta a Áustria e Sepulta Klose em Dallas.
No aniversário da "Mão de Deus", o camisa 10 argentino flerta com o fiasco, mas acorda a tempo de enfiar duas bolas na rede e se isolar como o maior artilheiro da história das Copas.
Felipe Barreto, repórter esportivo do HDN Esportes, direto do AT&T Stadium, em Dallas, Estados Unidos.
Data de Publicação: 23 de junho de 2026 às 01:25.
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| Lionel Messi brilha mais uma vez e consegue a redenção após perder um pênalti pela Argentina. |
DIRETO DO AT&T STADIUM, DALLAS — Amigos, o futebol é um esporte fascinante porque é especialista em destruir narrativas nos primeiros cinco minutos para depois reconstruí-las com requintes de crueldade. Eu estava aqui, confortavelmente sentado na tribuna de imprensa do templo do Dallas Cowboys, dividindo o oxigênio com 70.649 almas ensandecidas, pronto para escrever sobre como o fantasma de Diego Maradona abençoaria Lionel Messi no exato dia em que o gol da "Mão de Deus" completa 40 anos.
Aí, aos sete minutos, o VAR inventa de dar um pênalti legítimo em Lautaro Martínez. Messi assume a responsabilidade e... isola. Mas isolou com vontade. A bola deve ter arranhado o teto retrátil do estádio antes de sumir na órbita terrestre. Naquele momento, confesso, olhei para o lado e pensei: "Pronto, a Áustria vai cometer um crime histórico em solo texano". David Alaba se vestiu de super-herói, tirou doce da boca do Messi logo em seguida e a Áustria achou que mandava no jogo. Doce ilusão austríaca.
A Engenharia da História (e a Pausa para o "Suco")
Depois que os termômetros do Texas obrigaram todo mundo a parar para uma necessária hidratação, a Argentina resolveu lembrar que é a atual campeã do mundo. O goleiro Schlager e o incansável Alaba continuavam operando milagres, mas contra o inevitável não há defesa.
Aos 37 minutos, a engrenagem de Lionel Scaloni funcionou como um relógio suíço (com o perdão do trocadilho geográfico). Medina recebeu na ponta esquerda e descolou um cruzamento tão perfeito que parecia desenhado por computador. Messi, que de bobo só tem a cara e o corte de cabelo, entrou livre e, de primeira, deu aquele tapa colocado que a gente finge que é fácil fazer no videogame.
Bola na rede. Gol de número 17 em Copas. Naquele exato instante, Miroslav Klose, em algum lugar da Alemanha, deve ter sentido um calafrio na espinha ao ver seu recorde de maior artilheiro da história dos Mundiais virar fumaça.
Dibu de um Lado, a Consagração do "Alien" do Outro
O segundo tempo foi aquele clássico roteiro de sofrimento portenho que o torcedor da Albiceleste já compra junto com o ingresso. A Áustria voltou querendo jogo, e Marcel Sabitzer resolveu testar os reflexos e o coração de Emiliano "Dibu" Martínez em duas ocasiões. O goleiro argentino, claro, fez aquela catimba saudável, pegou até pensamento e garantiu que o placar não mudasse.
A Argentina administrava, Nico González perdia chances de cabeça e na base do drible, e o jogo parecia caminhar para um magro e protocolar 1 a 0. Até que chegamos aos acréscimos. Wimmer quase empatou de cabeça para os austríacos, matando metade do estádio do coração. No contra-ataque seguinte, Julián Álvarez recebeu o passe de Messi e conseguiu perder o gol de forma espetacular.
Mas quando a bola te ama, ela volta. No rebote da lambança de Álvarez, lá estava ele. O "Alien". O camisa 10 só teve o trabalho de empurrar para o fundo do gol: 2 a 0. Gol número 18 em Copas do Mundo. Klose ultrapassado de vez, Ronaldo Fenômeno deixado para trás na poeira da história, e o topo do mundo agora tem um único dono canhoto.
O Cenário no Grupo J
Com essa vitória sem sustos (mentira, teve muito susto), a Argentina vai a 6 pontos, carimba a vaga para a fase de dezesseis-avos de final e praticamente carimba o primeiro lugar. A Áustria fica com seus 3 pontinhos rezando para Jordânia e Argélia não fazerem graça na madrugada.
No próximo sábado, a Argentina cumpre tabela contra a Jordânia para garantir a liderança, enquanto eu tento me recuperar do privilégio de ter visto a história ser reescrita ao vivo. Messi erra pênalti, sim, mas só para dar um pouquinho de esperança aos mortais antes de esmagá-los.
Felipe Barreto, direto de Dallas, ainda tentando achar a bola do primeiro pênalti.
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