DEU ZEBRA... OU MELHOR, TUBARÃO AZUL! Cabo Verde segura Espanha na marra e "futebol arte" de grife passa vergonha na estreia
O primeiro 0-0 da Copa do Mundo teve um responsável: Vozinha, goleiro cabo-verdiano. Veja mais detalhes de um jogo que vai entrar para a história do torneio mundial, aqui no Portal Hora da Notícia.
João Paulo Martins e Thalita dos Santos, correspondentes internacionais, direto de Atlanta, EUA.
Data de Publicação: 15 de junho de 2026 às 20:25.
Coluna HDN Esportes >>> Conexão North American 2026 >>> Espanha 0 x 0 Cabo Verde.
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| Cabo Verde faz história ao segurar a poderosa Espanha, favorita ao título. |
Fala, rapaziada! Puxa a cadeira, pede a saideira e senta que lá vem história, porque o que a gente presenciou hoje aqui nas tribunas do Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, foi sacanagem pura. Se você achou que a Espanha ia chegar botando banca, aplicando goleada com aquela pose de campeã da Eurocopa e favorita de grife, achou errado, parceiro! Os caras conseguiram a proeza de empatar em 0 a 0 com a valente, operária e cascuda seleção de Cabo Verde. Isso mesmo: a toda poderosa Furia Roja, cheia de pompa, parou no ferrolho dos caras. Um resultado totalmente histórico para os africanos, que estrearam em Copas do Mundo segurando um gigante, e um tremendo balde de água fria com gelo para quem achou que o "tiki-taka" moderno e badalado ia ganhar jogo por gravidade.
O clima no estádio já dava o tom da Copa. De um lado, a torcida espanhola cantando vitória antes da hora, regada a sangria e empáfia; do outro, a colônia cabo-verdiana dando um show absoluto de batucada com os tambores acesos, transformando o moderno estádio americano num pedaço de Mindelo ou da Praia. Mas quando a bola rolou, o marasmo espanhol tomou conta. Aquela posse de bola irritante que bateu os 70%, tocando de lado, zagueiro para lateral, lateral para volante... e verticalidade ou drible que é bom, nada!
O técnico Luis de la Fuente achou que dava para poupar as joias Lamine Yamal e Nico Williams — alegando que os garotos precisavam de descanso e preservação física após a desgastante temporada europeia — e acabou pagando o pato. Escalou um ataque teoricamente experiente, mas que parecia estar jogando em câmera lenta. Do outro lado, Cabo Verde montou um verdadeiro muro com duas linhas de quatro compactas. Parecia até aqueles times de várzea quando jogam pelo empate para garantir o churrasco no final de semana, mas com uma perfeição tática e uma entrega física de dar inveja a qualquer estrategista italiano. Toda vez que a Espanha tentava entrar na área por baixo, trocando passes curtos, dava de cara com uma parede azul intransponível. Pelos lados, as investidas espanholas esbarravam na forte marcação dos laterais cabo-verdianos, que não davam um palmo de espaço.
Só fomos ver alguma emoção de verdade lá pros 38 minutos do primeiro tempo, quando o marasmo quase quebrou na base da insistência. O Rodri, que era o único tentando clarear as jogadas no meio-campo e ditar o ritmo de jogo, achou o Cucurella subindo pela esquerda. O lateral cabeludo cruzou na medida, rasteiro, cruzando a extensão da pequena área para o Ferran Torres. O camisa 7, completamente livre, sem goleiro, conseguiu a inacreditável façanha de carimbar o travessão! No rebote, com o gol escancarado, o Oyarzabal tentou chutar de primeira, de chapa, mas aí apareceu o nome do jogo, o verdadeiro herói da tarde: o goleiro Vozinha.
Rapaziada, o que esse homem espalmou hoje não tá escrito no gibi. O veterano arqueiro operou um milagre absurdo no rebote e, logo em seguida, antes do juiz apitar o intervalo, ainda buscou duas bombas no ângulo — uma do próprio Ferran Torres, que tentou se redimir com um chute colocado da entrada da área, e outra do zagueirão Laporte após uma cobrança de escanteio tumultuada. Ali na tribuna a gente já via o torcedor espanhol roer as unhas, xingar em castelhano e perceber que a tarde seria de ressaca das brabas.
Na segunda etapa, o roteiro não mudou um milímetro sequer. A Espanha continuou com aquela pressão abafa, alugando o campo de ataque, mas parecia que os caras tinham esquecido como se chuta uma bola na direção da baliza. A pontaria espanhola foi uma piada. Fabián Ruiz tentou da intermediária e mandou a bola na lua; Oyarzabal e Laporte arriscaram de longe e quase acertaram o teto retrátil do estádio, um horror digno de pelada de fim de ano!
Desesperado com o relógio correndo e o fantasma do tropeço batendo na porta, De la Fuente resolveu queimar a largada: chamou o Lamine Yamal para o aquecimento e o colocou no jogo. O garoto do Barcelona, recém-recuperado de lesão e claramente sem o ritmo ideal, pisou no gramado sob os gritos ensurdecedores da torcida. Mas a história não se desenhou como os espanhóis queriam. O lateral-esquerdo de Cabo Verde grudou no moleque igual chiclete em bota de cowboy. Yamal até tentou umas jogadas individuais, chamou pra dançar, mas a dobra de marcação estava impecável e ele mal conseguiu cruzar uma bola limpa na área. Nico Williams também entrou no desespero nos minutos finais para dar correria pela outra ponta, mas a essa altura o ferrolho cabo-verdiano já tinha virado concreto armado.
E quer saber do mais engraçado, meus amigos? Nos minutos finais, quem quase saiu com a vitória e o caneco de três pontos foi Cabo Verde! O meio-campo espanhol cochilou, e num contra-ataque rápido pela ponta direita, a bola sobrou limpa para Kevin Pina. O camisa 15 soltou um canhão de fora da área que o Unai Simón teve que desviar com a ponta dos dedos, de forma espetacular, mandando para escanteio e quase matando os espanhóis de infarto fulminante. Na cobrança que se seguiu, o zagueiro Diney subiu no terceiro andar, testou bonito, com veneno, para o chão, e o arqueiro espanhol teve que operar outro milagre para evitar o maior vexame da história recente da Roja.
No fim, o placar não saiu do zero e a festa nas arquibancadas do Mercedes-Benz Stadium foi toda dos "Tubarões Azuis", que comemoraram o ponto conquistado como se fosse o título mundial. E com toda razão do mundo! Com esse resultado, a Espanha mantém sua tradicional, bizarra e vergonhosa sina de pipocar em estreias de Copa do Mundo — agora o retrospecto histórico dos caras em debutes é de chorar: em 17 participações, são seis derrotas, seis empates e apenas cinco vitórias. Que fase da campeã de grife!
Com o apito final e o tropeço consolidado, as duas equipes somam um pontinho precioso no Grupo H. Logo mais, às 19h (horário de Brasília), a bola rola no Hard Rock Stadium, em Miami, para Arábia Saudita e Uruguai. Quem vencer esse duelo já assume a liderança isolada da chave, deixando os espanhóis chupando dedo e correndo atrás do prejuízo. A Espanha volta a campo no próximo domingo (21), às 13h, contra os sauditas, onde vão ter que jogar muita bola e calibrar o pé se não quiserem fazer as malas e voltar para Madrid mais cedo. Já o embalado e heróico Cabo Verde pega o Uruguai, às 19h do mesmo dia, prometendo complicar a vida de mais um favorito do grupo. Abre o olho, Celeste, porque os Tubarões estão famintos e morderam o primeiro gigante!
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