O Brasil "fez mais que a obrigação" e Carlo Ancelotti já pode dormir em paz (por enquanto)

Com show de Vini Jr. e Matheus Cunha no primeiro tempo, Seleção despacha o valente Haiti por 3 a 0, assume a liderança do Grupo C, mas liga o alerta para o "soninho" na etapa final.

Pedro Michael Gomes, analista esportivo do Portal Hora da Notícia, direto da Base HDN, na Bahia.
Data de Publicação: 20 de junho de 2026 às 21:45.
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As análises de nosso analista preferido voltaram. - Arquivo HDN/ Divulgação

A Seleção Brasileira entrou em campo com uma missão que, convenhamos, não era das mais complexas da história do nosso futebol: vencer o Haiti e apagar a impressão cinzenta do empate contra o Marrocos. Missão dada é missão cumprida. O placar de 3 a 0 no primeiro tempo resolveu o jogo e garantiu a liderança do Grupo C, mas quem piscou o olho no segundo tempo acabou ganhando 45 minutos de um belo soneto tático que testou a paciência do torcedor.

Os Detalhes da Partida

O Lado "Baila, Vini" (Os Pontos Positivos)

Se existia alguma dúvida de que a engrenagem ofensiva de Carlo Ancelotti precisava de um choque de realidade, o primeiro tempo tratou de resolver.

  • O Dono da Ponta Esquerda: Vinícius Júnior resolveu jogar o fino da bola. Participou diretamente dos três gols e transformou a lateral direita haitiana em uma avenida sem pedágio. Quando o Malvadezado quer jogo, não tem tática que segure.

  • Cunha Neles: Matheus Cunha recebeu a camisa de titular e mandou um recado direto para a concorrência: aproveitou a oportunidade, guardou dois gols e colocou aquela pulga atrás da orelha da comissão técnica sobre quem deve comandar o ataque.

  • Intensidade (Pelo Menos no Começo): Comparado ao marasmo da estreia contra Marrocos, o Brasil parece ter tomado um café forte antes de entrar em campo. O entrosamento fluiu e a vitória foi construída com autoridade antes do intervalo.

O Lado "Calma Lá, Peão" (O Que Ainda Preocupa)

Como o brasileiro não consegue ter um dia de paz completo, o segundo tempo trouxe de volta algumas velhas assombrações que mostram que a comissão técnica ainda vai ter que gastar muita prancheta.

  • Cadê o Meio-Campo?: Apesar do placar elástico construído cedo, a Seleção ainda bate cabeça para criar jogadas por dentro. O jogo vertical pelas pontas funciona, mas falta aquele controle clássico no círculo central para ditar o ritmo quando o adversário se fecha.

  • O Alerta Médico: A saída de Raphinha por lesão acendeu o sinal amarelo na delegação. Em um torneio curto e dinâmico como a Copa, perder uma peça de velocidade no setor ofensivo pode custar caro lá na frente.

  • O "Modo Soneca" Ativado: O segundo tempo foi um teste para cardíacos — não pelo perigo de sofrer o empate, mas pelo tédio. O Brasil tirou tanto o pé do acelerador que o Haiti, de forma surpreendente, começou a gostar do jogo e a rodar a bola no campo de defesa brasileiro mais do que a etiqueta do futebol mundial permite. Contra equipes do primeiro escalão, esse tipo de apagão é fatal.

A Voz do Comandante: O resultado é excelente para a tabela, mas o desempenho real ainda deixa aquela pulga atrás da orelha do torcedor mais exigente. Vencer o Haiti com facilidade é o protocolo básico de sobrevivência.

O verdadeiro vestibular para a era Ancelotti nesta fase está agendado para o próximo confronto contra a Escócia. Será ali, contra o ferrolho e a força física europeia, que saberemos se o Brasil está pronto para voos maiores ou se o primeiro tempo de hoje foi apenas uma ilusão de ótica em Porto Príncipe.

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