O Chá de Cadeira de Boston: Inglaterra Dorme em Campo, Esbarra no "Ferrolho" Ganês e Harry Kane Perdoa o Impensável

Com mais posse de bola do que criatividade e um susto nos acréscimos, o "Super Time" dos Três Leões flerta com o ridículo, empata em 0 a 0 e deixa o torcedor implorando por um futebolzinho melhor.

Rodrigo Santana e Felipe Barreto, editores-chefes do HDN Esportes, direto do Gilette Stadium, Boston
Data de Publicação: 24 de junho de 2026 às 22:15.
Coluna HDN Esportes >>> Coluna North American 2026 >>> Inglaterra 0 x 0 Gana.
Inglaterra perde a noção do tempo e deixa a desejar em um jogo sonolento.

DIRETO DO GILLETTE STADIUM, BOSTON — Olá, meus amigos! Se a histórica cidade de Boston ficou mundialmente famosa no século XVIII pela "Festa do Chá" — quando colonos jogaram carregamentos inteiros de chá inglês no mar em sinal de protesto —, o jogo desta tarde no Gillette Stadium quase fez a torcida britânica atirar suas próprias cervejas no gramado pelo mesmo motivo. Eu, Rodrigo Santana, ao lado do meu nobre parceiro de bancada, Felipe Barreto, assisti a uma das exibições mais burocráticas, sonolentas e, francamente, irritantes da seleção da Inglaterra nos últimos tempos.

Os inventores do futebol entraram em campo com o peito estufado, o carimbo de favoritos absolutos do Grupo L e um elenco que vale alguns bilhões de libras. Saíram de campo vaiados após um indigesto 0 a 0 contra as Estrelas Negras de Gana. É bem verdade que o resultado mantém os ingleses na liderança isolada da chave, mas o futebol apresentado foi tão pobre que faria a Rainha Vitória dar voltas no caixão.

Primeiro Tempo: Um Monólogo de Passes Laterais e a Fúria de Bellingham

Os primeiros 45 minutos em Boston foram o puro suco de nada com coisa nenhuma. A Inglaterra adotou aquela tática fascinante de tocar a bola para o lado, recuar para o zagueiro, girar para o outro lado e... repetir o processo. O goleiro ganês, Lawrence Asare, passou boa parte do tempo assistindo ao jogo de camarote, sem precisar sequer sujar as luvas.

As únicas raras faíscas de vida do time de Gareth Southgate (ou de quem quer que esteja comandando essa pasmaceira) vieram dos pés e da cabeça de Declan Rice. Aos 13 minutos, após uma cobrança ensaiada de falta, o volante tentou a sorte e depois cabeceou com relativo perigo, mas nada que tirasse o sono do torcedor africano. Gana, por sua vez, aplicou um ferrolho defensivo digno de nota. Fechadinhos, os ganeses abriam mão de atacar apenas pelo prazer de ver o desespero velado no rosto dos astros ingleses.

E o clima esquentou de verdade no intervalo. Uma confusão generalizada se instalou no caminho para os vestiários. O motivo? Jude Bellingham, visivelmente irritado por estar encaixotado pela marcação, deu uma entrada forte em Opoku no fim da etapa inicial. Os ganeses queriam o cartão amarelo, o juiz fez vista grossa e o tempo fechou. Pelo menos ali houve alguma emoção!

Segundo Tempo: Contra-Ataques de Dar Frio na Barriga e o Inacreditável Erro do Capitão

Se o primeiro tempo foi morno, a segunda etapa guardou requintes de drama e comédia pastelão. A Inglaterra continuava com a bola, mas quem assustava era Gana. Nas transições rápidas, os africanos começaram a encontrar latifúndios nas costas da defesa britânica.

Aos 35, o atacante Adu foi lançado em velocidade, invadiu a área e, quando estava pronto para cometer um crime internacional contra as casas de apostas, foi bloqueado de forma heróica por Ezri Konsa. Pouco depois, Semenyo balançou as redes de Pickford, fazendo metade do estádio prender a respiração, mas o assistente, para a nossa alegria tática, assinalou um impedimento salvador.

Aí, meus amigos, chegamos aos 40 minutos do segundo tempo. O momento em que o Gillette Stadium testemunhou o que pode ser considerado um dos maiores gols perdidos da história recente das Copas:

Primeiro, Bukayo Saka cortou para o meio e bateu firme, parando em uma grande defesa de Asare.

No rebote, O'Reilly soltou a bomba e carimbou o travessão de Gana.

A bola sobrou limpa, quicando mansa, exatamente na pequena área. O gol estava completamente vazio. O goleiro estava caído. Na bola, estava Harry Kane. O artilheiro implacável. O homem do Bayern. Ele bateu de primeira e... mandou a bola na estratosfera de Boston. Por cima do gol. Uma finalização que desafiou as leis da probabilidade.

Como fica a matemática do Grupo L, Felipe?

Apesar do vexame técnico e do gol perdido por Kane, a Inglaterra lidera o Grupo L e já olha de perto para os dezesseis-avos de final. Gana, com 2 pontinhos suados, segue vivíssima e pode avançar até como uma das melhores terceiras colocadas.

O drama final ficou para o próximo sábado (27), às 16h (de Brasília). A Inglaterra vai até Nova Jersey enfrentar o já eliminado Panamá no MetLife Stadium para tentar fazer as pazes com as redes. Já Gana vai protagonizar um verdadeiro duelo de vida ou morte contra a Croácia de Modric, lá na Filadélfia.

Daqui de Boston, com os dedos congelados e a mente ainda tentando processar como o Harry Kane isolou aquela bola, eu me despeço.

Rodrigo Santana e Felipe Barreto, direto do Gillette Stadium, sobrevivendo ao tédio britânico na Copa de 2026.

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