HDN na Itália — Karl se despede no topo e Maderova surpreende no snowboard alpino em Cortina.

Aos 40 anos, Benjamin Karl confirma hegemonia e conquista o bicampeonato olímpico no slalom paralelo gigante; no feminino, Zuzana Maderova derruba favoritas e celebra o maior ouro da carreira em Milão-Cortina 2026.

Carlos André Silva | CEO e editor-chefe | Portal Hora da Notícia RJ | Itaguaí, Rio de Janeiro | 08/02/2026 às 15:00.
Coluna HDN Esportes >>> HDN na Itália >>> Cobertura Especial dos Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026.
Karl se aposentará no final da temporada, mas antes brilha no topo em Milão-Cortina 2026

O slalom paralelo gigante do snowboard alpino, disputado neste domingo (8), foi mais do que uma prova olímpica. Ele funcionou como um termômetro esportivo e político dos Jogos de Inverno de Milão-Cortina 2026, revelando como o equilíbrio de forças no snowboard europeu mudou — e como veteranos e novas federações convivem no mesmo palco.

No centro disso tudo, duas histórias opostas, mas complementares:

Benjamin Karl, a permanência da tradição alpina austríaca;

Zuzana Maderova, o crescimento consistente do Leste Europeu no snowboard técnico.

Benjamin Karl: longevidade como projeto esportivo

Aos 40 anos, Benjamin Karl não é apenas um atleta veterano — ele é o produto de um sistema esportivo altamente estruturado.

A Áustria trata o snowboard alpino como patrimônio técnico. Karl é fruto de décadas de investimento em:

  • Centros de treinamento integrados com o esqui alpino;

  • Transição natural entre gerações;

  • Calendário competitivo pensado para longevidade, não para picos curtos de desempenho.

Na prática, isso explica por que Karl chegou competitivo a quatro ciclos olímpicos consecutivos, algo raríssimo em modalidades de explosão e reflexo.

Sua campanha em Cortina também teve um peso político-simbólico:

  • Eliminou um italiano logo nas oitavas, em prova “caseira” para o país-sede;

  • Venceu um compatriota nas quartas, mostrando hierarquia clara dentro da própria federação;

  • Superou um asiático na final, reafirmando a força europeia no snowboard alpino — hoje muito mais concentrada do que no freestyle.

Ao anunciar a aposentadoria ao fim da temporada, Karl fecha um ciclo sem crise, sem queda, sem desaparecimento. Sai campeão, algo que poucas lendas olímpicas conseguem.

Feminino: a queda de Ledecka e o novo mapa do snowboard europeu

Se o ouro de Karl confirmou uma ordem antiga, a prova feminina quebrou paradigmas.

A eliminação de Ester Ledecka, ainda nas quartas de final, é um marco. Bicampeã olímpica, símbolo do snowboard moderno e atleta de dupla carreira (snowboard e esqui alpino), Ledecka representa uma era em que talento individual superava estruturas federativas médias.

Mas Cortina mostrou que isso está mudando.

A vitória de Zuzana Maderova não é um acaso. É o reflexo de:

  • Maior investimento da República Tcheca em esportes de inverno após Pequim 2022;

  • Programas de base específicos para provas paralelas;

  • Estratégia clara de especialização, em contraste com o modelo “multimodal” de Ledecka.

No caminho do ouro, Maderova derrotou alemãs e uma italiana — países com estruturas maiores — mostrando que o equilíbrio competitivo se achatou.

Itália: pódios como política de Estado

As medalhas de bronze de Lucia Dalmasso e a presença constante de atletas italianos nas fases finais não são coincidência.

A Itália vem usando Milão-Cortina 2026 como um projeto de:

  • Fortalecimento do esporte de inverno no pós-Jogos;

  • Descentralização do investimento, saindo apenas do esqui alpino tradicional;

  • Valorização de modalidades “menos midiáticas”, como o snowboard alpino.

Cada pódio italiano em Cortina tem leitura interna clara: justificar o investimento público e deixar legado técnico real, algo que o país não conseguiu plenamente em edições anteriores.

Leitura HDN: o snowboard como espelho dos Jogos

O slalom paralelo gigante deste domingo resume bem o espírito de Milão-Cortina 2026:

  • Veteranos não estão aqui para se despedir — estão aqui para vencer;

  • Novas potências não pedem licença — aproveitam o momento certo;

  • País-sede joga xadrez de longo prazo, não apenas busca medalhas imediatas.

Benjamin Karl sai como símbolo de uma era que se encerra com dignidade.
Zuzana Maderova surge como rosto de uma nova fase, menos concentrada, mais distribuída e politicamente interessante para o COI.

E o snowboard alpino, muitas vezes tratado como coadjuvante, entrega uma das leituras mais ricas destes Jogos.

HDN na Itália segue onde o resultado termina e o contexto começa. 🇮🇹🏂

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