HDN na Itália: Milão-Cortina 2026 abre os Jogos com identidade, espetáculo… e a ausência do personagem mais improvável da história olímpica.

Itália dá show de organização e realiza uma das maiores Cerimônias de Abertura da história dos Jogos Olímpicos de Inverno.

Carlos André Silva | CEO e editor-chefe, direto da Base Oficial, no Recreio dos Bandeirantes, RJ | 06/02/2026 às 23:00 | Colaboração: Henry Freitas, direto do COB, na Barra da Tijuca, RJ, e Paulo Henrique Gomes, direto do Estádio Giuseppe Meazza (SAN SIRO), em Milão, Itália.
Coluna HDN Esportes >>> HDN na Itália >>> Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno Milan-Cortina 2026.
Os anéis olímpicos apareceram no Estádio San Siro, fazendo o espetáculo ficar ainda mais lindo.

A cerimônia de abertura da Olimpíada de Inverno de Milão-Cortina 2026, realizada nesta sexta-feira (6), deixou uma mensagem clara desde o primeiro minuto: estes Jogos seriam sobre conceito, identidade e narrativa — não apenas sobre espetáculo pelo espetáculo.

O San Siro, em Milão, virou teatro olímpico. Mas a história foi contada em dois atos, dois cenários e dois mundos: a cidade e a montanha. Enquanto Milão entregava arte, moda e música, Cortina d’Ampezzo representava a essência da neve, da tradição e do esporte de inverno.

Foi uma abertura madura, confiante e extremamente bem pensada.

🔥 Duas piras, dois mundos, uma Olimpíada

Pela primeira vez na história dos Jogos Olímpicos de Inverno, duas piras olímpicas foram acesas simultaneamente.

Milão – Arco da Paz:

As lendas Alberto Tomba e Deborah Compagnoni reacenderam a chama diante de um público emocionado.

Cortina d’Ampezzo – Piazza Dibona:

Sofia Goggia, símbolo da nova geração do esporte italiano, foi a responsável por acender a chama nas montanhas.

Não foi efeito especial. Foi discurso visual: Milão-Cortina não é divisão, é soma.

🏳️ Bandeira olímpica: silêncio que diz tudo

O San Siro, estádio acostumado a gritos e cantos, ficou em absoluto silêncio para a entrada da bandeira olímpica.

Entre os nomes escolhidos para carregá-la estava Rebeca Andrade. A presença da maior medalhista olímpica do Brasil em Jogos de Verão em uma Olimpíada de Inverno foi simbólica e estratégica: o COI quis reforçar que o olimpismo não tem estação fixa.

Foi um dos momentos mais densos da noite — simples, lento e carregado de significado.

🎶 Bocelli transforma o estádio em ópera

Quando Andrea Bocelli entoou “Nessun Dorma”, o San Siro deixou de ser estádio e virou teatro lírico.

Não foi um número musical. Foi uma declaração cultural.
A Itália não apresentou sua música — apresentou sua alma.

🇮🇹 Itália entra por último — e domina a cena

Como manda a tradição olímpica, a Itália foi a última delegação a desfilar.
Como manda a emoção, foi a mais aplaudida.

  • Milão: Arianna Fontana e Federico Pellegrino

  • Cortina: Federica Brignone e Amos Mosaner

A ovação foi longa, espontânea e sincera. O San Siro respondeu como casa cheia sabe responder.

🇧🇷 Brasil entende o jogo — e acerta em cheio

Lucas Pinheiro com a bandeira brasileira no desfile das delegações - Divulgação/HDN Esportes

O Brasil fez uma das leituras mais inteligentes da cerimônia.

  • Lucas Pinheiro Braathen, em Milão
Nicole Silveira representou o Brasil na delegação do Brasil em Cortina D'Ampezzo - Divulgação/HDN Esportes

  • Nicole Silveira, em Cortina

Enquanto a delegação vestia azul-marinho, os porta-bandeiras surgiram com casacos puffer brancos. No momento exato, abriram os casacos e revelaram a bandeira brasileira por dentro.

Um gesto simples, elegante e absolutamente alinhado à estética de 2026: imagem com propósito.

🎤 Mariah Carey: pop global com sotaque italiano

Um dos grandes nomes da Cerimônia de Abertura foi o de Mariah Carey - Divulgação/HDN Esportes

Sim, aconteceu. Mariah Carey foi um dos grandes nomes musicais da noite.

No repertório:

  • Volare (Nel Blu Dipinto Di Blu)

  • Nothing Is Impossible

Vestido branco e prata, plumas, presença cênica e os famosos whistle notes. O San Siro virou arena pop sem perder a sofisticação.

🎼 Laura Pausini conecta Milão e Cortina

O hasteamento da bandeira italiana foi um dos momentos mais bem resolvidos da cerimônia.

Laura Pausini cantou o hino nacional do país no San Siro enquanto a bandeira era erguida simultaneamente em Milão e em Cortina, acompanhada por um coral localizado nas montanhas.

Tecnologia, emoção e conceito — tudo funcionando junto.

👔 Armani: moda como patrimônio olímpico

Milão não se explica sem moda. E a homenagem a Giorgio Armani foi um dos pontos mais refinados da noite.

Um desfile coreografado transformou a bandeira italiana em estética viva. Falecido em 2025, Armani foi homenageado nos telões em meio a aplausos longos.

Não foi um desfile. Foi um adeus histórico e elegante.

🌺❌ A ausência que todo mundo sentiu: o Besuntado de Tonga

Em meio a uma cerimônia milimetricamente calculada, uma ausência saltou aos olhos: Pita Taufatofua, o famoso Besuntado de Tonga, não apareceu.

E quando um personagem “não oficial” faz falta, é porque ele já virou parte da tradição.

🕺 Quem é o Besuntado de Tonga?
O principal personagem das Cerimônias de Abertura dos Jogos Olímpicos de Verão e Inverno, Pita Taufatofua ou, simplesmente, Besuntado do Tonga, teve sua ausência notada em Milão/ Cortina 2026 - Divulgação/Arquivo HDN


Pita Taufatofua virou fenômeno mundial ao desfilar sem camisa, coberto de óleo e carregando a bandeira de Tonga, independentemente do clima — calor, frio, neve ou gelo.

Mais que atleta, virou símbolo pop olímpico.

📜 Olimpíadas em que o Besuntado apareceu

  • ✔ Rio 2016 (Verão) – estreia mundial do personagem
  • ✔ PyeongChang 2018 (Inverno) – consagração no frio extremo
  • ✔ Tóquio 2020 (Verão) – repetiu a cena icônica
  • ✔ Beijing 2022 (Inverno) – enfrentou o inverno chinês besuntado
  • ✔ Paris 2024 (Verão) – última aparição olímpica

Em Milão-Cortina 2026, pela primeira vez em uma década, ele ficou fora.
O motivo é simples: Taufatofua não integra a delegação de Tonga nesta edição.

Mas a reação nas redes mostrou algo maior:
quando o público sente falta, é porque o personagem já entrou para a história.

❄️🔥 Um início confiante, elegante e com identidade

Autoridades discursaram na Cerimônia de Abertura de Milan-Cortina 2026 - Divulgação/HDN Esportes

A abertura de Milão-Cortina 2026 não tentou ser a maior. Tentou ser a mais coerente.

Com discurso claro, estética refinada, emoção na medida certa — e até uma ausência sentida — a Itália entregou uma cerimônia que respeita o passado e olha para o futuro.

Os Jogos estão oficialmente abertos.
E começaram do jeito certo.

📰 HDN na Itália — Cobertura Especial

Portal Hora da Notícia | HDN Esportes

  • 📍 Carlos André Silva, CEO — Base do HDN, Recreio dos Bandeirantes (RJ)
  • 📍 Paulo Henrique Gomes — direto do San Siro, Milão
  • 📍 Henry Freitas — sede do COB, Barra da Tijuca (RJ)

Porque Olimpíada bem contada mistura informação, contexto, memória… e aquele sorriso de quem sabe que está vendo história. ❄️🔥

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