HDN na Itália — Queda de Lindsey Vonn choca Cortina; Estados Unidos salvam o dia com ouro histórico no downhill feminino.
A lenda do esqui sofre acidente grave na Tofana; Breezy Johnson confirma favoritismo, vence por centésimos e garante o primeiro ouro olímpico da carreira no segundo dia dos Jogos de Inverno de Milão-Cortina 2026.
Carlos André Silva | CEO e editor-chefe | Portal Hora da Notícia RJ | Itaguaí, Rio de Janeiro | 08/02/2026 às 12:50.
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| Queda de esquiadora assusta os espectadores e preocupa equipe estadunidense. |
Uma manhã que silenciou Cortina
O HDN na Itália abre a cobertura do segundo dia de Milão-Cortina 2026 com uma cena que paralisou os espectadores em Cortina D'Ampezzo e o mundo que acompanhava a prova.
Ainda era cedo na pista Tofana, tradicional e temida descida do esqui alpino, quando a história do downhill feminino mudou de tom — e de peso emocional. Vestindo o número 13, Lindsey Vonn deixou o portão de largada com a agressividade que marcou toda a sua carreira. Segundos depois, veio o silêncio, quebrado apenas pelo som seco do impacto e, logo na sequência, pelos gritos de dor que ecoaram pela montanha.
A queda foi violenta. Muito violenta.
As imagens, captadas pelas câmeras oficiais, são duras até para quem acompanha o esporte há décadas. Vonn perdeu o controle logo após a decolagem inicial, foi arremessada e caiu de forma desajeitada na parte superior do corpo e no joelho esquerdo. Pelos minutos seguintes, ela permaneceu imóvel na neve, gritando, enquanto o público e as atletas ainda na largada entendiam que algo grave havia acontecido.
Os serviços médicos chegaram rapidamente. O protocolo foi seguido à risca. Pouco depois, Lindsey Vonn foi evacuada de helicóptero, sob aplausos respeitosos e um clima de apreensão que tomou conta de Cortina D’Ampezzo.
Apuração HDN: ruptura confirmada
De acordo com informações apuradas e confirmadas pelo HDN, Lindsey Vonn rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo, lesão sofrida ainda durante a descida, agravada pelo impacto final. O mesmo joelho que já havia sido operado em outras fases da carreira voltou a ser o centro de uma batalha que, desta vez, pode ter sido definitiva.
Até o fechamento desta reportagem, não havia boletim médico oficial divulgado pelo Comitê Olímpico dos Estados Unidos, mas fontes próximas à delegação tratam o cenário como “extremamente delicado”.
Ícone do esqui alpino mundial, campeã olímpica, múltipla campeã mundial e dona de uma das carreiras mais vitoriosas da história do esporte, Lindsey Vonn pode ter disputado sua última prova olímpica na manhã deste domingo, 8 de fevereiro de 2026.
Não foi um caso isolado
A descida feminina foi marcada por condições traiçoeiras. Minutos após a queda de Vonn, Cande Moreno, de Andorra, também sofreu um acidente grave. A esquiadora errou o traçado em uma curva de alta velocidade, bateu diretamente na grade de proteção e foi projetada de volta ao centro da pista.
Assim como Vonn, Moreno precisou ser retirada de helicóptero, reforçando o debate sobre os limites técnicos da Tofana e o risco real imposto às atletas neste nível de competição.
Do choque à redenção: ouro dos EUA
Se o início da prova foi de tensão e tristeza para os Estados Unidos, o desfecho trouxe, ao menos em parte, alívio e celebração.
Breezy Johnson, campeã mundial de downhill em 2025, confirmou o favoritismo e conquistou o ouro olímpico com o tempo de 1:36.10, em uma das provas mais equilibradas da história recente da modalidade. A diferença para a alemã Emma Aicher, prata, foi de apenas 0.04s — um piscar de olhos na montanha.
Foi o primeiro ouro olímpico da carreira de Breezy Johnson, coroando uma temporada sólida e uma trajetória de afirmação após anos à sombra de nomes mais midiáticos do esqui norte-americano.
O bronze ficou com a italiana Sofia Goggia, a apenas 0.59s da campeã. Competindo “em casa”, Goggia levantou o público em Cortina e ampliou sua coleção olímpica:
- Ouro em Pyeongchang 2018
- Prata em Pequim 2022
- Bronze em Milão-Cortina 2026
Curiosamente, foi Goggia quem acendeu a pira olímpica na cerimônia de abertura, tornando sua medalha ainda mais simbólica para a Itália.
Contexto e impacto
O downhill feminino deste domingo entra imediatamente para a história dos Jogos — não apenas pelo resultado esportivo, mas pelo impacto humano e simbólico. A possível despedida de Lindsey Vonn, uma das maiores figuras do esporte olímpico no século XXI, lança uma sombra emocional sobre Milão-Cortina 2026 logo em seus primeiros dias.
Para os Estados Unidos, o ouro de Breezy Johnson evita que a data fique marcada apenas pela tragédia. Para o esporte, fica o alerta: velocidade, espetáculo e risco caminham juntos — e, às vezes, cobram um preço alto demais.
O HDN segue acompanhando de perto a evolução do estado de saúde de Lindsey Vonn e os desdobramentos médicos e esportivos deste domingo que começou em silêncio na montanha e terminou com aplausos contidos, respeito e reflexão.
HDN na Itália — onde a Olimpíada é contada com contexto, emoção e responsabilidade. 🇮🇹❄️
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