Bad Omens encerra o Palco Sunset com a 'sofrência do metalcore', viral do TikTok e catarse de uma nova geração
Em seu retorno ao país após dois anos, quarteto norte-americano aposta em letras melancólicas, fusão de gêneros e peso sonoro para eletrizar a multidão no Rock in Rio; nossa equipe de reportagem ouviu fãs brasileiros e estrangeiros na saída da atração.
Henry Freitas | Repórter Cultural | direto da Cidade do Rock | Barra da Tijuca, Rio de Janeiro.
Publicação: Dia 06 de Setembro de 2026 às 02:30.
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| Bad Omens se apresentou neste último sábado (05) no Rock in Rio - Reprodução/ Globoplay. |
A noite deste sábado (5) no Rock in Rio reservou um encerramento emblemático para a programação do Palco Sunset. Dois anos após sua última passagem pelo Brasil — quando marcou presença na edição paulista do Knotfest em 2024 —, o Bad Omens fez sua estreia definitiva no maior festival de música do país. Headliner do espaço no dia dedicado ao heavy metal, a banda vinda de Richmond, Virgínia, provou no palco o motivo de ser apontada como um dos maiores fenômenos Globais da música pesada contemporânea.
Formado em 2015 por Noah Sebastian (vocais), Nicholas Ruffilo (guitarra), Joakim "Jolly" Karlsson (guitarra) e Nick Folio (bateria), o grupo desembarcou na Cidade do Rock com um recorte preciso da turnê mundial “Do You Feel Love”. O espetáculo passeia pelos três trabalhos de estúdio da formação, reservando lugar de destaque ao divisor de águas The Death of Peace of Mind (2022) — obra responsável por catapultar o quarteto das salas de concerto médias para as grandes arenas internacionais e transformar sua visibilidade nas redes sociais.
O grande catalisador desse alcance massivo atende pelo nome de Just Pretend. A faixa, que viralizou de forma avassaladora no TikTok, acabou apelidada carinhosamente pelo público brasileiro como a “Te Esperando dos gringos”, em uma clara analogia ao hit de Luan Santana. A narrativa poética de um amor reprimido por divergências insuperáveis, onde resta apenas a promessa de uma espera eterna, encontrou ressonância absoluta na reta final da apresentação. Diante de um mar de celulares acesos e braços erguidos, a canção foi entoada em um uníssono emocionante que arrepiou quem ocupava o setor.
Mosaico sonoro, inéditas e a fuga de clichês
A sonoridade do Bad Omens se distancia do metalcore tradicional ao abraçar elementos do metal alternativo, synth-pop, música eletrônica e R&B. Esse ecletismo se traduz no que o próprio público batizou de “sofrência do metalcore”: arranjos viscerais e explosões sonoras do heavy metal amparando líricas de pura fossa amorosa e desamparo emocional.
A abertura do show veio com a potente Specter, seguida de perto por Dying to Love. Ambas as faixas, lançadas como singles recentes e trabalhadas ao longo da turnê, estarão presentes no aguardado novo álbum de estúdio do grupo. O repertório ainda contou com a força das consagradas The Death of Peace of Mind, Left for Good, What It Cost e Concrete Jungle, garantindo a empolgação de uma renovada legião de bangers — incluindo uma quantidade expressiva de crianças acompanhadas pelos pais nas primeiras fileiras.
Atentos às movimentações da comunidade digital, os integrantes pareceram ter ouvido o apelo feito nas redes sociais nos dias que antecederam a performance. Quando um provável setlist vazou na internet, diversos seguidores manifestaram o desejo de trocar a execução de V.A.N. — parceria gravada com a cantora Poppy — por algum outro sucesso da banda. Além de não ser uma preferência unânime, a faixa já havia sido apresentada pela própria artista uma hora antes, no mesmo Palco Sunset. Apesar das especulações de bastidores sobre uma possível aparição surpresa de Poppy no show do Bad Omens, a participação não se concretizou, mantendo o foco exclusivo no catálogo autoral do grupo.
A escalação da atração também carregou um forte simbolismo cronológico. Nos primeiros anos de estrada, o Bad Omens foi seguidamente comparado ao Bring Me The Horizon — britânicos que deixaram o Palco Mundo apenas alguns minutos antes da entrada do grupo norte-americano no Sunset. Com o passar do tempo, no entanto, a versatilidade de Noah Sebastian em transitar sem esforço entre vocais sussurrados e urros guturais deu à banda uma assinatura única no mercado.
No palco carioca, Noah adotou uma postura mais sóbria e contida. Embora tenha vocalizado os pedidos pela tradicional empolgação da plateia sul-americana, o vocalista evitou saltos e acrobacias, limitando-se a caminhadas estratégicas pela estrutura cênica. A entrega instrumental impecável e o vocal cristalino, contudo, compensaram a postura física reservada. Tampouco foi preciso dar instruções de comportamento ao público jovem, como ocorreu em um show de 2023 quando o cantor viralizou ao ensinar os fãs a abrirem moshpits. No Rock in Rio, a lição já estava aprendida: menos dancinhas de aplicativos, e mais rodinhas, gritos e entrega total.
O veredito do público: Entrevistas com fãs brasileiros e estrangeiros
Ao término da performance, a reportagem do Portal Hora da Notícia percorreu as saídas do Palco Sunset para ouvir a opinião do público diversificado que acompanhou o encerramento do setor.
- Conexão emocional brasileira: A universitária carioca Giovanna Castro, de 21 anos, não escondeu as lágrimas ao falar sobre o momento mais marcante da noite. "Ouvir Just Pretend ao vivo no Rock in Rio é a realização de um sonho. A energia da galera cantando aquele refrão pareceu um abraço coletivo. O Bad Omens consegue transformar dor em peso musical de um jeito que nenhuma outra banda dessa nova geração faz", declarou a jovem.
- A visão dos turistas estrangeiros: O casal de norte-americanos Mark e Sarah Jenkins, vindos da Virgínia, estado natal da banda, destacou a diferença de comportamento entre as plateias globais. "Nós já vimos o Bad Omens em três festivais nos Estados Unidos e em um na Inglaterra, mas o que aconteceu aqui no Brasil está em outro patamar. O público canta cada riff, faz as rodas com respeito e vive a música de forma intensa. Foi lindo ver o Noah sorrir ao perceber essa entrega", afirmou Mark, de 34 anos.
- A renovação da cena e a presença da nova geração: Para o engenheiro Marcelo Alencar, de 42 anos, que esteve no show acompanhado do filho Gabriel, de 11 anos, o evento cumpriu um papel fundamental na formação do jovem público do rock. "Eu cresci ouvindo o metal dos anos 90 e ver meu filho empolgado com uma banda atual me deixa feliz. O Bad Omens tem o peso do metal, mas tem a sensibilidade que essa garotada procura hoje. O Gabriel cantou Concrete Jungle do início ao fim", contou o pai.
- A aprovação do público internacional: A estudante argentina Sofia Peralta, de 23 anos, que viajou de Buenos Aires especialmente para o festival, ressaltou a evolução técnica do grupo. "Eles provaram que não são apenas uma modinha de internet. O som estava perfeito, a iluminação impecável e a voz do Noah é impressionante ao vivo. A decisão de não tocar V.A.N. e focar no repertório próprio foi o maior acerto da noite. Saímos todos com a sensação de ter visto o nascimento de um futuro headliner do Palco Mundo", pontuou.
Estrutura do Show e Balanço Teatral
Abaixo, a divisão do setlist apresentado pelo Bad Omens na Cidade do Rock:
| Fase da Performance | Estética & Mistura Sonora | Faixas Emblemáticas | Dinâmica da Plateia |
| Abertura & Apresentação de Inéditas | Industrial / Synth-Metal / Sintetizadores | Specter, Dying to Love | Impacto inicial, luzes stroboscópicas e primeiras rodas na pista |
| Consolidação do Repertório | R&B Alternativo / Metalcore Emotivo | The Death of Peace of Mind, Left for Good, What It Cost | Coro uníssono, clima de "sofrência" e braços erguidos |
| Ponto Mais Alto & Catarse | Pop-Metal de Arena / Viral Digital | Just Pretend, Concrete Jungle | Mar de celulares acesos, emoção e ápice da participação do público |
Ao unir melancolia poética, acessibilidade pop e explosões técnicas do heavy metal, o Bad Omens não apenas encerrou o Palco Sunset com autoridade, mas cravou seu nome entre os grandes destaques da edição de 2026, garantindo seu lugar como porta-voz absoluto da nova era do rock mundial.
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