Nostalgia, Chuva e Homenagem a Cazuza: Barão Vermelho Reúne Formação Original, Supera Falhas Técnicas e Agita a Cidade do Rock

Mesmo sob chuva e apagões no telão, ícones do rock nacional abrem o Palco Mundo em grande estilo e conquistam público jovem com reencontro histórico.

Henry Freitas, repórter e editor cultural | Direto da Cidade do Rock | Barra da Tijuca, Rio de Janeiro.
Data de Publicação: domingo, dia 06 de setembro de 2026 | Hora: 19:25.
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Barão Vermelho durante show no Palco Mundo no Rock in Rio 2026 - Divulgação/ Portal Hora da Notícia.

RIO DE JANEIRO — Quarenta e um anos após marcarem a história da música brasileira e do próprio Rock in Rio na histórica edição de 1985, o Barão Vermelho voltou ao Palco Mundo neste domingo (6) para provar que o clássico não envelhece. Trazendo a turnê de reencontro "Encontro: Pro mundo inteiro acordar" — com os membros da formação original Roberto Frejat, Dé Palmeira, Maurício Barros e Guto Goffi, acompanhados de Fernando Magalhães —, o grupo entregou uma apresentação eletrizante que superou perrengues técnicos e contagiou até mesmo as novas gerações.

Com a difícil tarefa de resumir um show de quase três horas em um setlist enxuto de 60 minutos, alguns clássicos como "Amor, Meu Grande Amor" precisaram ser cortados. A estratégia, porém, funcionou: a sequência de sucessos não só empolgou os fãs das antigas, como também levantou o público jovem que já se aglomerava na grade para acompanhar os shows pop de Nelly, Black Eyed Peas e Calvin Harris. O feito destacou a versatilidade da banda, que conseguiu conectar gerações onde outros gêneros encontraram resistência na mesma edição.

Tensão com Telões e Hinos da Carreira

O show começou com a mesma energia de quatro décadas atrás, abrindo com "Maior Abandonado" — faixa de 1984 que também abriu a antológica apresentação da banda na primeira edição do festival. No entanto, o início foi marcado por um susto técnico: o painel de LED gigante do palco sofreu falhas e apagões parciais do lado direito ao longo do show, prejudicando ligeiramente a experiência visual.

Nada que tirasse o brilho da performance. A banda emendou clássicos como "Pense e Dance", "Bete Balanço" e "Meus Bons Amigos". O tecladista Maurício Barros assumiu os vocais no samba-rock "Malandragem Dá Um Tempo", seguido pelo hino noventista "Puro Êxtase". Um dos pontos altos de coro no gramado veio com a romântica "Por Você" (1999), cantada a plenos pulmões por jovens que não eram nascidos na era Cazuza.

Emoção com Cazuza e Encerramento Histórico

O momento mais emocionante da tarde ocorreu durante "Todo Amor Que Houver Nessa Vida", quando a voz e as imagens de Cazuza surgiram nos telões, provocando comoção imediata e ovações no gramado. A homenagem seguiu em tom poético com uma versão delicada de "Codinome Beija-Flor".

Para o encerramento, o grupo reservou o clássico imortal "Pro Dia Nascer Feliz". A música veio acompanhada do resgate do histórico discurso de Cazuza em 1985 — que celebrava o fim da ditadura militar e a esperança em um novo Brasil.

Enquanto a chuva persistente continuava a cair sobre a Cidade do Rock, a apresentação do Barão Vermelho deixou claro que a essência do rock nacional segue mais viva do que nunca, renovando sua mensagem e lavando a alma do público que aguarda o restante das atrações da noite.

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