Fogo nos racistas e fúria feminina: Black Pantera e Nervosa protagonizam o show mais potente do Rock in Rio 2026
Encontro no Palco Sunset une o peso do trio mineiro à fúria do trash metal da Nervosa em um manifesto direto contra o preconceito, a escala 6x1 e a discriminação de gênero.
Henry Freitas | Repórter Cultural | Direto da Cidade do Rock | Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, RJ
Publicação: Dia 05 de Setembro de 2026 às 22:25.
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| Black Pantera se apresentou neste sábado (05) no Palco Sunset - Divulgação/ Portal Hora da Notícia |
A edição de 2026 do Rock in Rio já registrou uma de suas imagens mais simbólicas e históricas no fim da tarde deste sábado (5). Em uma fusão sonora avassaladora, o trio mineiro Black Pantera e a banda Nervosa transformaram o Palco Sunset em um arena de resistência, discurso político afiado e catarse coletiva.
Formado em Uberaba no ano de 2014 pelos irmãos Charles Gama (guitarra e voz) e Chaene Gama (baixo), ao lado do baterista Rodrigo Pancho, o Black Pantera subiu ao palco em sua terceira participação no festival embalado pelo recém-lançado Continental (21 de agosto). O álbum, que funde o rock pesado ao rap, soul e matrizes afro-brasileiras, finca pé na defesa contundente da América do Sul e do Sul Global.
A abertura veio com Hórus (2026), faixa que aborda o sincretismo religioso sob a introdução declaratória: "Em nome do pai, do filho e do preto santo". Sem dar trégua ao público, o grupo emendou Padrão É o Caralho (2022). Enquanto rodas de bate-cabeça se abriam sob a fumaça de sinalizadores, Charles Gama gritava ao microfone o verso que virou palavra de ordem: "Fogo nos racistas. Queimem todos eles".
Maternidade, escala 6x1 e o manifesto do cotidiano
O compromisso de refletir as dores e lutas de seu tempo acompanha a discografia do Black Pantera desde a estreia com Project Black Pantera (2015), passando por Agressão (2018), Ascensão (2022), o marcante single I Can’t Breathe (2020) e PERPÉTUO (2024).
No palco, esse resgate social ganhou tom pessoal durante a execução de Tradução, faixa que narra a dura rotina de mães solo e trabalhadoras. Do microfone, Charles dedicou a canção à própria mãe, presente na plateia, e mandou o recado direto para a massa: "Não sei onde você está, mãe, mas essa é pelo fim da escala 6x1, rapaziada".
Representatividade e a roda só de meninas com a Nervosa
Com cerca de 20 minutos de show, a intensidade do espetáculo ganhou novos contornos com a entrada de Prika Amaral, líder da banda Nervosa. Fundado em São Paulo em 2010, o grupo de thrash metal retornou à Cidade do Rock pela segunda vez — a primeira ocorreu em 2019 — divulgando a turnê do sexto álbum, Slave Machine, lançado em abril.
Ao lado do Black Pantera, Prika assumiu os vocais guturais na performance de Serotonina (2026), faixa originalmente gravada com a rapper Duquesa. Do alto do Palco Sunset, veio a ordem que redefiniu a dinâmica da pista: "Quero uma roda só de meninas. Abram, abram".
A ordem foi prontamente atendida. Em um gesto de respeito e apoio, homens negros vestindo camisas do Black Pantera com a frase "fogo nos racistas" estampada nas costas se recuaram, abrindo espaço e incentivando o moshpit exclusivamente feminino no centro da Cidade do Rock.
Estrutura e Destaques da Apresentação
Abaixo, os momentos centrais do encontro no Palco Sunset:
| Momento da Performance | Faixas e Atos | Mensagem e Impacto no Público |
| Abertura Afro-religiosa | Hórus (2026) | Sincretismo, afirmação da ancestralidade e "preto santo" |
| Combate ao Anti-racismo | Padrão É o Caralho (2022) | Gritaria coletiva, sinalizadores e "Fogo nos racistas" |
| Pauta Trabalhista | Tradução | Homenagem às mães trabalhadoras e protesto contra a escala 6x1 |
| Presença Feminina (Feat. Nervosa) | Serotonina (2026) | Entrada de Prika Amaral e formação de moshpit exclusivo para mulheres |
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