Com Homenagem a Sérgio Mendes, Inédita com Papatinho e Chuva de Hits, Black Eyed Peas Transforma o Rock in Rio em Festa Nostálgica dos Anos 2010
Sem precisar de mirabolâncias, trio norte-americano aposta na força de seu repertório, conta com apoio da cantora J. Rey Soul e faz o Palco Mundo tremer em noite eletrizante.
Daniel Tocatelli | repórter cultural | Direto da Cidade do Rock | Barra da Tijuca, Rio de Janeiro (RJ)
Data de Publicação: segunda-feira, dia 07 de setembro de 2026 | Horário: 00:15.
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| Black Eyed Peas se apresenta no Rock in Rio 2026 - Divulgação/ Portal Hora da Notícia |
CIDADE DO ROCK — Quando o Black Eyed Peas pisou no Palco Mundo do Rock in Rio neste domingo (6), a missão não era simples: manter a energia lá no alto em uma noite chuvosa e provar que a engrenagem do grupo segue firme. Se na última passagem pelo festival, em 2019, o trio precisou de tirolesa com will.i.am e participação de Anitta para suprir a marcante ausência de Fergie (que deixou o grupo em 2017), em 2026 bastaram as primeiras notas de “Let’s Get It Started” e “Boom Boom Pow” para inaugurar uma verdadeira festa anos 2010 e fazer a multidão esquecer qualquer desfalque.
Embora o fantasma da voz de Fergie ainda paire entre conversas nostálgicas da galera na grade — afinal, era ela quem brilhava nos refrãos que embalaram novelas e festas dos anos 2000 —, a formação atual encontrou seu ponto de equilíbrio. Oficialmente mantido como um trio por will.i.am, Taboo e Apl.de.Ap, o grupo conta nos palcos com a talentosa cantora filipina J. Rey Soul. Demonstrando carisma e consciência de seu papel, ela assumiu com precisão os vocais femininos em hinos como “Don’t Lie” e “The Time (Dirty Bit)”, garantindo a fluidez do espetáculo.
Parceria Nacional e Tributo Emocionante
O show reservou surpresas para o público brasileiro. Um dos momentos mais celebrados foi a entrada do produtor carioca Papatinho, que mandou versos do clássico "Rap da Felicidade" antes de o grupo anunciar o lançamento da inédita "We Live Up in Here", acompanhada por um videoclipe gerado por inteligência artificial exibido no telão gigante.
Houve espaço também para momentos solo dos integrantes. Embora o ritmo tenha desacelerado brevemente nessa etapa, will.i.am tratou de recuperar o fôlego da plateia ao ostentar suas produções globais fora do grupo, engrenando os hits “#thatPower” (parceria com Justin Bieber) e “Scream & Shout” (com Britney Spears).
O momento de maior comoção e elegância da noite ocorreu quando will.i.am prestou uma sentida homenagem ao maestro Sérgio Mendes, falecido em 2024, a quem chamou de "herói e diplomata da música".
"Eu cresci ouvindo e ele me apresentou à música brasileira, a Jorge Ben Jor, Tom Jobim, Gilberto Gil… e eu nunca teria descoberto isso sem ele. Descanse em paz, meu herói Sérgio Mendes."
— will.i.am, antes de puxar a antológica versão de "Mas Que Nada".
Reta Final Avassaladora
Demonstrando um carinho genuíno pelo país — a ponto de will.i.am citar do palco cidades como Belo Horizonte, Recife, Florianópolis, Curitiba, Brasília e Manaus —, o grupo entregou uma sequência final arrebatadora. A mistura eletrizante de "Pump It" desaguou no riff de "Seven Nation Army", abrindo caminho para o hino pacifista "Where Is the Love?" e o encerramento apoteótico com "I Gotta Feeling".
Sem grandes invenções e apostando no poder de um repertório farofa altamente contagiante, o Black Eyed Peas protagonizou o show que mais fez o público pular e cantar a plenos pulmões na noite, provando que seus hits continuam sendo o passaporte perfeito para uma viagem no tempo.
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