Entre Nostalgia, Karaokê e Perrengue de Saúde: Nelly Aposta no Piloto Automático e Faz Festa Anos 2000 no Rock in Rio
Com estrutura mínima, DJ de apoio e apelo estritamente nostálgico, rapper de 51 anos estreou no Brasil em show enxuto de 55 minutos, sustentado pelo entusiasmo de uma plateia animada e conversadeira.
Daniel Tocatelli, repórter especial | Direto da Cidade do Rock | Barra da Tijuca, Rio de Janeiro.
Data de Publicação: domingo, dia 06 de setembro de 2026 | Horário: 23:00.
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| Nelly, mesmo indiposto, faz um show nostálgico e relembra Dilemma, o maior sucesso de sua carreira - Divulgação/ Portal Hora da Notícia. |
RIO DE JANEIRO— Parece inacreditável que Cornell Iral Haynes Jr., mundialmente conhecido como Nelly, tenha levado mais de duas décadas para pisar em solo brasileiro pela primeira vez. Responsável por moldar a estética, o som e as rádios do início dos anos 2000 — fazendo uma geração inteira suspirar, colar band-aids na bochecha e vestir bermudões largos —, o rapper de 51 anos finalmente fez sua estreia no Palco Mundo do Rock in Rio neste domingo (6). Contudo, quem esperava uma grande produção para marcar o momento encontrou uma apresentação que apostou todas as fichas no piloto automático da memória afetiva.
Sob a chuva persistente que marcou o terceiro dia de festival, Nelly deixou evidente desde o primeiro minuto que não pretendia reinventar a roda. Vestindo uma camisa de basquete da Seleção Brasileira em parceria com a marca de Michael Jordan, o artista subiu ao palco sem banda de apoio, sem dançarinos e sem qualquer proposta visual trabalhada para o telão gigante. Acompanhado apenas por um DJ e um hype man, o show teve cara de uma despretensiosa festa particular onde três amigos sobem ao palco, soltam uma playlist estilo "This is Nelly" e cantam por cima das bases pré-gravadas.
Playlist de Sucessos e Hinos Inquestionáveis
Apesar da carência de direção artística e de transições trabalhadas, o repertório de 55 minutos focou no que o público queria ouvir: as faixas icônicas dos álbuns Country Grammar (2000) e Nellyville (2002). O rapper acelerou por trechos curtos de clássicos próprios e disparou trechos de faixas de terceiros — de Michael Jackson a Journey, passando por Hall & Oates —, rimando por cima como em uma animada sessão de karaokê.
Mesmo diante de um formato tão preguiçoso, a plateia correspondeu com empolgação nas faixas certas. "Just a Dream", hit R&B de 2010, foi cantada a plenos pulmões pelo gramado, enquanto os ápices absolutos ficaram para a dobradinha "Hot in Herre" e "Dilemma" (parceria imortalizada com Kelly Rowland). As duas faixas, que dominaram a MTV e a parada da Billboard nos anos 2000 garantindo ao rapper dois prêmios Grammy, lavaram a alma de quem esperou anos para ver os hinos ao vivo. Nos intervalos entre os hits, porém, o público aproveitava a falta de dinamismo no palco para engrenar conversas paralelas.
Baque de Saúde Antes da Estreia
Logo após sair do palco, Nelly concedeu entrevista ao canal Multishow e revelou que a performance minimalista teve um forte motivo de bastidor: o artista enfrentou problemas graves de saúde antes de viajar.
"Foi incrível, estou feliz que conseguimos fazer esse show. Há dois dias eu estava de cama, literalmente. Fiquei muito doente, destruído. Mas eu não perderia isso de maneira nenhuma."
— Nelly, em entrevista ao vivo após a apresentação.
Embora não tenha inventado a fusão do hip-hop com refrões pop melódicos, Nelly foi um dos arquitetos fundamentais para consolidar essa fórmula no mercado global. Escondendo as fases menos populares de sua discografia recente — como as investidas no country rap entre 2019 e 2021 —, o norte-americano entregou um show simplório, mas que cumpriu o papel de transportar a Cidade do Rock direto para uma nostálgica pista de dança dos anos 2000.
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