HDN na Itália — Langenhan domina Cortina e confirma a hegemonia alemã no luge olímpico.
Após superar lesão e viver temporadas perfeitas, Max Langenhan controla todas as descidas, quebra recordes e conquista o ouro no individual masculino em Milão-Cortina 2026.
Paulo Henrique Gomes | Chefe da Editoria de Esportes e Correspondente Internacional | Base Italiana, em Milão, Itália | 08/02/2026 às 20:55.
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| Max Langenhan confirma favoritismo alemão e conquista o ouro, garantindo hegemonia do país no luge olímpico. |
O HDN na Itália acompanhou descida a descida, atento a cada detalhe do luge individual masculino em Milão-Cortina 2026, e o desfecho confirmou aquilo que o esporte insiste em provar há décadas: quando o assunto é luge, a Alemanha não negocia protagonismo.
Neste domingo, Max Langenhan foi campeão olímpico com autoridade absoluta. Não houve drama, não houve surpresa — houve execução perfeita. Uma vitória que coroa uma temporada mágica e uma recuperação exemplar após lesão, consolidando o alemão como o nome mais forte da modalidade neste ciclo olímpico.
O favorito tropeça, o sistema responde
O roteiro começou com atenção total em Felix Loch, tricampeão olímpico e principal candidato ao ouro. Filho de Norbert Loch, lenda do esporte e um dos treinadores mais vitoriosos da história — aposentado em 2024 —, Felix parecia pronto para buscar o tetracampeonato olímpico.
E o início foi promissor: recorde de largada na primeira descida, explosão máxima nos primeiros metros. Mas o luge não perdoa erros microscópicos. Poucos segundos depois, um deslize sutil no traçado comprometeu a velocidade de saída de curva. O resultado foi cruel: nono lugar na primeira descida e o sonho do tetra praticamente encerrado ali.
Foi o primeiro grande ponto de inflexão da prova.
Langenhan assume o controle — e não solta mais
Enquanto Loch enfrentava a pressão do erro, Max Langenhan fazia exatamente o oposto: entregava consistência absoluta.
Vindo de lesão, mas embalado por temporadas dominantes em 2024 e 2025, Langenhan confirmou por que era tratado internamente como o atleta mais completo do circuito. Ele venceu as três primeiras descidas, estabelecendo e depois melhorando o próprio recorde de traçado a cada passagem pela pista.
Ao fim da terceira descida, o cenário era matemático:
- Quase três décimos sobre o vice-líder;
- Meio segundo sobre o terceiro colocado;
- Mais de um segundo sobre o restante do pelotão.
Em outras palavras: só um erro grande tiraria o ouro de Langenhan.
A descida final: campeão não administra
E aqui entra o detalhe que separa campeões de medalhistas.
Na quarta e última descida, Max Langenhan não administrou vantagem. Pelo contrário. Atacou a pista como se estivesse atrás do resultado. Melhorou novamente o traçado, quebrou mais uma vez o recorde da pista — que já era dele — e foi três décimos mais rápido do que qualquer outro atleta na descida decisiva.
O tempo final somado: 3min31s191.
Um número que fecha a prova sem margem para discussão.
O pódio e a fotografia europeia do luge
A medalha de prata ficou com o austríaco Jonas Müller, que fez uma competição sólida, mas jamais ameaçou o domínio alemão. O bronze foi para o italiano Dominik Fischnaller, celebradíssimo pela torcida local em Cortina, garantindo um pódio simbólico para o país-sede.
Felix Loch, após a recuperação parcial ao longo das descidas seguintes, terminou em 6º lugar — resultado respeitável, mas distante do que se esperava do tricampeão.
Contexto histórico: números que explicam a hegemonia
Com o ouro de Max Langenhan, a Alemanha alcança 39 medalhas de ouro olímpicas no luge, de um total de 53 já distribuídas na história da modalidade.
É um domínio que ultrapassa gerações, técnicos e atletas. Felix Loch cai? Langenhan assume. Norbert Loch se aposenta como treinador? O sistema segue funcionando.
Não é coincidência. É hegemonia estrutural.
Leitura HDN: quando o domínio vira legado
Max Langenhan não venceu apenas uma prova olímpica. Ele reafirmou um modelo esportivo, uma cultura técnica e uma escola que transforma adversários em coadjuvantes com precisão cirúrgica.
Superou lesão. Dominou a temporada. Controlou todas as descidas. Quebrou recordes quando já estava ganhando.
O luge masculino em Milão-Cortina teve um campeão — mas também teve uma aula.
O HDN na Itália segue acompanhando, centésimo a centésimo, porque em esportes como este, a história é escrita no detalhe. 🇮🇹🛷❄️
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