Roupa Nova retorna ao Rock in Rio após 35 anos e faz passeio por novelas com estreia de Guilherme Arantes
Grupo, Responsável pela Música-Tema do Festival, Convocou o Defensor Ferrenho de Seu Retorno para Subir ao Palco Sunset; Performance Revela que Ambos Merecem Espaço Solo na Cidade do Rock.
Juliana Russo, repórter cultural | Direto da Cidade do Rock | Barra da Tijuca, Rio de Janeiro.
Data de Publicação: segunda-feira 07 de setembro de 2026 | Horário: 19:30.
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| Roupa Nova se apresenta no Rock in Rio após 35 anos e arrasa - Reprodução/ Globoplay |
CIDADE DO ROCK, RJ — Eles estão presentes na memória coletiva de todas as edições do Rock in Rio desde a histórica estreia em 1985, entoando a emblemática vinha-tema do festival. Apesar dessa conexão umbilical com a marca, o Roupa Nova havia pisado no palco do evento uma única vez, em 1991.
Trinta e cinco anos após essa única apresentação, a banda finalmente fez seu regresso nesta segunda-feira (7), assumindo o Palco Sunset em um show marcado pelo afeto e pela memória da cultura pop nacional.
O Palco Sunset, consolidado como o espaço de encontros inéditos e projetos especiais, foi o cenário perfeito para a convocação de Guilherme Arantes, um dos defensores mais ferrenhos do retorno do Roupa Nova ao evento. Aos 73 anos, o lendário cantor e compositor fez sua estreia no festival. Com mais de cinco décadas de trajetória e um catálogo repleto de clássicos como "Meu Mundo e Nada Mais", "Planeta Água" e "Amanhã", Arantes já merecia esse reconhecimento no festival há muito tempo.
Juntos, Roupa Nova e Guilherme Arantes somam o que é, provavelmente, o maior acervo musical da história das telenovelas brasileiras. Enquanto o sexteto acumula mais de 30 canções em trilhas sonoras marcantes, Guilherme ultrapassa a marca de 20 temas marcantes — isso sem mencionar a criação do "Tema da Vitória", hino que embalou as maiores conquistas do esporte nacional na televisão.
Viagem Afetiva pela Teledramaturgia
Com esse repertório em mãos, a apresentação tinha todos os elementos para se transformar em uma celebração da memória afetiva da TV brasileira. E cumpriu o prometido.
A abertura veio com "Sapato Velho", faixa do álbum de estreia do grupo (1981) e tema de Roque Santeiro, emendada imediatamente por "Linda Demais", sucesso da novela Corpo a Corpo. Na sequência, "Dona", outro marco de Roque Santeiro, fez a plateia cantar o refrão em coro uníssono.
O setlist seguiu desfilando clássicos como "Chama" (Que Rei Sou Eu?) e "A Viagem", tema da novela homônima — momento em que espectadores mais jovens brincavam na plateia perguntando se aquela era "a música do Alexandre". A versão roqueira de "Maria Maria" (Caminhos do Coração), "Volta pra Mim" (da primeira versão de Ti Ti Ti) e "Coração Pirata" (Rainha da Sucata) mantiveram o clima de nostalgia em alta.
Pouco antes da entrada do convidado especial, a banda executou as vinhetas do Rock in Rio e do "Tema da Vitória", preparando o terreno para o encontro.
A Estreia de Guilherme Arantes e a Homenagem a Paulinho
Ovacionado ao pisar no palco, Guilherme Arantes começou sua participação com "Cheia de Charme", tema da novela Cheias de Charme. "Um sonho estar aqui", declarou o compositor antes de puxar "Lindo Balão Azul" — clássico do especial infantil Pirlimpimpim —, fazendo a Cidade do Rock pular. O artista encerrou sua passagem com "A Paz", em um momento pontual em que demonstrou certa dificuldade para alcançar a afinação e o tom em que a banda executava a arranjo.
Apesar de uma participação enxuta, a presença de Guilherme deu um tom especial ao espetáculo. A parceria, aliás, vem de longa data: Roupa Nova e Guilherme Arantes já haviam gravado juntos faixas como "O Melhor Vai Começar" (1982) e "Raça de Heróis" (1989), além da participação constante de Kiko, Nando e Serginho em arranjos do compositor.
Membro integrado à formação após a morte do saudoso vocalista Paulinho em 2020, aos 68 anos, Fábio Nestares conduziu os vocais com segurança. Paulinho, que completaria 74 anos no domingo (6), recebeu uma citação discreta na reta final, quando Nestares pontuou: "Paulinho, é tudo pra você". Uma celebração mais elaborada à memória do antigo vocalista teria sido justa, mas não tirou o brilho da entrega.
O encerramento com "Whisky a Go Go", que tinha tudo para transformar o Sunset em um grande baile, acabou coincidindo com o momento em que o público precisou vestir capas para se proteger da chuva que começava a apertar sobre a Cidade do Rock.
Após o reencontro vitorioso, fica a torcida para que o Roupa Nova retribua a gentileza e defenda a presença de Guilherme Arantes na próxima edição — desta vez, com um show solo no festival.
Cotação: ★★★★☆ (Ótimo / Nota: 9,0)
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