Imbatível! Aos 79 anos, Elton John esquece aposentadoria e dá aula de rock no Rock in Rio

Na sua terceira passagem pelo festival carioca, o Sir inglês vestiu amarelo fluorescente, desfilou hinos românticos e provou que o descanso longe das grandes turnês devolveu toda a potência à sua voz.

Henry Freitas, Carlos André Silva e Juliana Russo | repórteres especiais | Direto da Cidade do Rock | Barra da Tijuca, RJ
Data de Publicação: terça-feira, dia 08 de Setembro de 2026 às 21:20
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Elton John provou porque continua sendo um dos maiores cantores de todos os tempos em apresentação no Rock in Rio - Divulgação/ Portal Hora da Notícia

DIRETO DA CIDADE DO ROCK

Quem achou que o anúncio de aposentadoria em 2023 significava o fim absoluto das performances de Sir Elton John pode comemorar. Nove anos após sua última passagem pelo Brasil, o lendário cantor e pianista inglês desembarcou no Palco Mundo nesta segunda-feira (7) ostentando um estiloso paletó amarelo fluorescente com camisa azul-marinho. Aos 79 anos, ele cravou seu nome na história ao se tornar o headliner mais velho a comandar a Cidade do Rock. E o resultado? Uma verdadeira maratona de 2 horas e 15 minutos, embalada por 24 clássicos que fizeram quase 100 mil pessoas cantarem do início ao fim.

O retorno teve sabor de reparação histórica. Quando a monumental Farewell Yellow Brick Road chegou ao fim após 330 apresentações sem passar por terras brasileiras, o público por aqui ficou na bronca. Elton explicou que o convite do festival veio justamente para compensar essa ausência na turnê de despedida. E a estratégia de desacelerar o ritmo de shows fez um bem danado ao artista: visivelmente mais descansado, ele exibiu uma voz muito mais encorpada e firme do que em suas últimas visitas, segurando com maestria as notas mais exigentes em faixas como "Crocodile Rock", "Saturday Night's Alright for Fighting" e "I'm Still Standing".

Pouca Conversa, Muitas Pérolas e um Pequeno Vacilo

Com interações pontuais e certeiras, Elton economizou nas palavras para focar na música. Cada fala do artista, no entanto, veio recheada de história e carinho com os fãs:

Momento / FraseContexto no Show
Tributo à Marilyn Monroe"Este ano seria o centésimo aniversário da Marilyn Monroe e essa música é sobre ela", disse antes de embalar a emocionante "Candle in the wind".
Parceria com Dua Lipa"Com vocês, Dua Lipa!", convocando a popstar (que apareceu no telão) para o hit global "Cold Heart".
Carinho com o Brasil"Essa música foi a mais rápida que escrevi com Bernie. E ela só é popular no Brasil", revelou sobre "Skyline Pigeon", eterno tema da novela Carinhoso (1973).
Modéstia na Saideira"Não tenho muita voz sobrando, mas vou cantar essa", desabafou com humildade antes de fechar a noite com a apoteótica "Your Song".
Se a execução musical foi beirando a perfeição, a produção cometeu uma derrapada séria no visual. Os telões do Palco Mundo foram dominados por projeções conceituais genéricas — com cenas do filme Rocketman e até uma garota quebrando o vidro de um carro com skate. Em hits como "Tiny Dancer" e "Honky Cat", as telas gigantes simplesmente deixaram de mostrar o próprio Elton tocando piano. Para um festival com quase 100 mil pessoas se espremendo para ver um ídolo de perto, foi um vacilo imperdoável.

O Peso de um Repertório Lendário

Apesar do deslize visual, a força das composições falou mais alto. Elton passeou com facilidade pelas baladas que o ajudaram a vender mais de 300 milhões de discos pelo mundo, trazendo hinos como "I Guess That’s Why They Call It the Blues" e "Goodbye Yellow Brick Road". As faixas relembram a era de ouro do artista entre 1969 e 1976, período insano em que ele lançou 11 álbuns de estúdio e consagrou o piano como peça fundamental do rock de arena.

Ver ao vivo a química inabalável da parceria de quase 60 anos entre Elton e o letrista Bernie Taupin — que escreve os textos à distância para que Elton transforme em música em menos de uma hora — ganha contornos ainda mais especiais hoje em dia. Saber que ele desacelerou o ritmo torna cada aparição um evento único. Ele segue firme entoando "I’m still standing", e a torcida de todo fã de boa música é para que o Sir continue de pé por muito, muito tempo.

Nota do Show: 9,5/10 (só não foi 10 por causa dos telões!)

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