HDN na Itália — Do bronze ao branco: esqui cross-country abre a jornada do Time Brasil em Milão-Cortina 2026.

Com recordes recentes, retorno olímpico e histórias de superação, brasileiros estreiam nesta terça-feira na pista de Tesero.

Paulo Henrique Gomes, correspondente internacional, direto da Base Italiana, em Milão, Itália | Portal Hora da Notícia | 10/02/2026 às 02:15.
Coluna HDN Esportes >>> HDN na Itália >>> Cobertura Especial dos Jogos Olímpicos de Inverno Milano - Cortina 2026.
Brasil estreia com três grandes atletas nesta terça-feira (10), às 5h15 da manhã, no Esqui Cross-Country.

Chegou a hora. Depois de meses de preparação, ajustes finos, treinos longe de casa e muita estrada europeia, o Time Brasil finalmente entra em cena nos Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026. E a honra da estreia cabe a uma modalidade que virou símbolo de persistência brasileira no frio: o esqui cross-country.

Nesta terça-feira, 10 de fevereiro, a partir das 05h15 (horário de Brasília), o Brasil começa sua participação olímpica na prova do sprint clássico feminino, disputada na tradicional pista de Tesero, em Val di Fiemme — um palco conhecido, técnico e nada indulgente.

❄️ Tesero não perdoa — e exige preparo total

A apuração do HDN no local confirma o que os atletas já sentiram no reconhecimento de pista: Tesero cobra caro. Subidas longas, descidas rápidas e trechos de neve solta que testam equilíbrio, leitura de terreno e, principalmente, controle emocional.

É ali que o Brasil estreia — e não por acaso com atletas vivendo seus melhores momentos técnicos da carreira.

🚀 Manex Silva e a fase mais sólida da carreira

No masculino, Manex Silva chega a Milão-Cortina com confiança respaldada por números. Em janeiro, ele estabeleceu o recorde brasileiro masculino de pontos FIS no sprint livre, com 81.36, na Copa do Mundo de Oberhof, na Alemanha. Dias depois, anotou 137.38 pontos FIS no sprint clássico em Goms, na Suíça — exatamente o mesmo formato da prova olímpica.

Na prova de sprint clássico eu acho que o primeiro vai fazer ao redor dos 3’15”, 3’20”. Minha expectativa é não estar muito longe disso”, explicou Manex ao HDN.

Quero ficar entre 12 e 15 segundos do vencedor e não muito distante dos 30 primeiros. Treinei bem, já conhecemos a pista e estou me sentindo muito bem.

No cross-country olímpico, isso é mais do que discurso: é leitura realista de desempenho.

💪 Bruna Moura: o retorno que vale por uma medalha pessoal

Se Manex representa evolução técnica, Bruna Moura simboliza algo ainda maior: superação pura. Bruna finalmente fará sua estreia olímpica depois de um grave acidente sofrido a caminho do aeroporto para competir em Pequim 2022 — um episódio que quase encerrou seu ciclo esportivo.

Quatro anos depois, ela chega a Milão-Cortina com seus melhores resultados em cinco temporadas:

  • 183.67 pontos FIS nos 10km clássico (Itália)

  • 186.00 pontos FIS nos 10km livre (Alemanha)

Tenho muita expectativa. Principalmente terminar minha prova, não cair, continuar em cima dos meus dois esquis”, brincou Bruna, sem perder a seriedade ao analisar a pista.

É um circuito bem difícil, especialmente pela neve solta na última descida. Esse é o ponto de maior atenção. Mas estou muito confiante na minha preparação.”

Para ela, o significado vai além da classificação.

Vai ser a primeira vez que vou sentir o país ali competindo comigo, não só eu. Quero entregar o melhor possível.

🌱 Duda Ribera e o futuro que já virou presente

A caçula da equipe, Eduarda Ribera, a Duda, representa a continuidade do projeto brasileiro no cross-country. Mesmo sem competir nesta temporada, ela chega credenciada por um feito histórico: no Mundial de 2025, terminou em 68º lugar entre 121 atletas, o melhor resultado brasileiro em provas de sprint em Campeonatos Mundiais.

Estou com boas expectativas e feliz de estar mais uma vez nos Jogos Olímpicos representando o Brasil. Vou dar o meu melhor a prova inteira”, disse ao HDN.

🇧🇷 Brasil no frio: números que contam uma história

Milão-Cortina 2026 marca:

  • 🏅 a 25ª edição dos Jogos Olímpicos de Inverno

  • ❄️ a 3ª vez da Itália como sede (1956, 2006 e agora 2026)

  • 🇧🇷 a 10ª edição consecutiva com participação brasileira

  • 👥 o maior Time Brasil da história, com 14 atletas + 1 reserva

Até Pequim 2022, o Brasil já contou com 40 atletas (27 homens e 13 mulheres) em nove modalidades.

Os melhores resultados seguem como referência:

  • 🏂 9º lugar de Isabel Clark, no snowboard cross (Turim 2006)

  • 🛷 13º lugar de Nicole Silveira, no skeleton (Pequim 2022)

O esqui alpino permanece como a única modalidade presente em todas as participações olímpicas brasileiras de inverno — mas o cross-country vem logo atrás, sustentando presença e evolução.

📌 A estreia que vale muito mais que um resultado

Da pista de Tesero, o HDN registra:

⛷️🇧🇷 o Brasil começa cedo, começa no frio e começa com gente que já venceu batalhas muito antes da largada.

Milão-Cortina 2026 está só começando.
E para o Time Brasil, cada passada já é história sendo escrita na neve.

🇮🇹 HDN na Itália — apuração no local, contexto olímpico e o orgulho de ver o Brasil competir onde poucos acreditaram que chegaríamos.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Maurício Destri: "A Globo foi uma escola pra mim. Aprendi técnica, disciplina e a entender o peso de contar histórias para milhões de pessoas"

Portal Hora da Notícia: Veja os Especiais de Fim de Ano

Rony crava que fará gol pelo Atlético na final da Sul-Americana.