HDN na Itália: Malinin confirma favoritismo e lidera programa curto masculino em Milão-Cortina.

Astro dos EUA soma 108,16 pontos, sustenta pressão olímpica e chega como favorito absoluto à final da patinação artística.

Paulo Henrique Gomes, Correspondente Internacional, direto da Base Italiana, em Milão | Portal Hora da Notícia | 11/02/2026 às 00:15.
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Ilia Malinin se torna uma grande estrela e ganha torcida até de pessoas de outras nacionalidades. 

A liderança de Ilia Malinin no programa curto masculino da patinação artística em Milão-Cortina não foi apenas numérica. Foi simbólica. Com 108,16 pontos, o norte-americano confirmou sua condição de principal nome da modalidade na atualidade e deu um passo importante rumo ao ouro olímpico individual.

Campeão mundial e já medalhista de ouro na disputa por equipes nestes Jogos, Malinin mostrou precisão técnica, controle emocional e maturidade artística. A apresentação sólida o colocou à frente do japonês Yuma Kagiyama (103,07) e do francês Adam Siao Him Fa (102,55), mantendo o cenário aberto para a decisão no programa livre, marcada para sexta-feira (13).

Em conversa exclusiva com o Portal Hora da Notícia, o patinador falou sobre a responsabilidade de competir sob o peso do favoritismo.

Perguntado sobre como lida com a pressão de chegar aos Jogos como o atleta a ser batido, Malinin foi direto:

A expectativa é inevitável. Quando você entra como favorito, todo mundo espera algo grande. Mas eu aprendi a transformar isso em motivação. Se eu focar apenas no que os outros esperam, perco o controle. Eu preciso focar no que eu posso entregar.

Ao ser questionado sobre o momento que antecedeu sua entrada no gelo, o norte-americano revelou que o maior desafio é manter a mente no presente.

Antes de entrar, eu tento não pensar que é uma Olimpíada. Se você deixa esse pensamento dominar, o peso aumenta. Eu me concentro na rotina, na respiração e em cada elemento do programa. Um salto de cada vez.

Conhecido por elevar o nível técnico da modalidade — especialmente por ter sido o primeiro a executar o quadruplo Axel em competição internacional — Malinin destacou que sua evolução não está restrita à dificuldade dos saltos.

Ao comentar a transformação do seu estilo ao longo dos últimos anos, ele ressaltou o amadurecimento artístico:

No início da minha carreira, eu era muito focado em provar que podia fazer os saltos mais difíceis. Hoje eu quero que o programa conte uma história. Técnica é essencial, mas a conexão com o público e com os juízes também faz parte da patinação.

Perguntado se sente que redefiniu o padrão da modalidade, Malinin adotou um tom cauteloso:

Eu acho que ajudei a expandir os limites, mas o esporte é coletivo. Outros atletas também estão empurrando o nível cada vez mais alto. Isso é o que torna a competição tão forte.

Mesmo com pouco mais de cinco pontos de vantagem sobre Kagiyama, o líder evita qualquer clima de favoritismo antecipado. Ao ser questionado sobre a vantagem construída no programa curto, ele demonstrou prudência:

Ajuda começar na frente, claro. Mas o programa livre é outra história. É mais longo, exige resistência física e mental. Um pequeno erro pode mudar tudo.

Sobre o que considera uma apresentação ideal na sexta-feira, Malinin foi objetivo:

Perfeição não existe. O que eu busco é sair do gelo sabendo que executei o que treinei. Se eu fizer isso, o resultado será consequência.

A final masculina promete um duelo técnico e artístico de altíssimo nível, colocando frente a frente a potência atlética norte-americana, a precisão japonesa e a expressividade europeia.

Em Milão-Cortina, Ilia Malinin não compete apenas por uma medalha. Compete para consolidar uma era.

E, até aqui, ele segue escrevendo essa história com autoridade.

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