Com energia vulcânica, Hwasa dispensa polidez do K-pop, homenageia as "Marias" brasileiras e consagra sua estreia no Rock in Rio
Integrante do Mamamoo faz história como a primeira mulher solo sul-coreana no festival com banda ao vivo, sensualidade e presença de palco magnética no dia dedicado ao pop asiático.
Henry Freitas | repórter cultural | Direto da Cidade do Rock | Barra da Tijuca, Rio de Janeiro.
Data de Publicação: sexta-feira, 11 de setembro de 2026 | Horário: 20:55.
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| Hwasa mostrou como se faz em um estreia no Rock in Rio - Divulgação/ Portal Hora da Notícia. |
Se o dia 11 de setembro de 2026 já estava destinado a entrar nos livros de história como o marco inicial do K-pop no Rock in Rio, a cantora Hwasa fez questão de assinar seu nome em letras garrafais douradas. Ao pisar (ou melhor, desfilar) no Palco Mundo no fim da tarde desta sexta-feira, a artista não apenas tornou-se a primeira mulher e primeira atração solo sul-coreana a se apresentar no festival, mas redefiniu o que se espera de uma verdadeira diva pop em grandes arenas.
Longe da polidez e do recato frequentemente associados às idols coreanas, a integrante do consagrado girlgroup Mamamoo trouxe à Cidade do Rock o que a consolidou internacionalmente: uma celebração sem filtros da autoestima, do empoderamento e da sensualidade. De microfone aberto e banda ao vivo — um diferencial marcante em relação às bases pré-gravadas de outros atos —, ela abriu os trabalhos com a autotitulada "HWASA", emendando na contagiante "Chili".
Sem usar o inglês como ponte, Hwasa comunicou-se primordialmente em coreano, acompanhada por uma intérprete no palco, além de arriscar palavras carinhosas em português que levaram a multidão ao delírio.
"Estava doida para vê-los! Gostaria que vocês voltassem muito mais felizes para casa hoje!", declarou a artista.
Banda pesada, tributo ao Mamamoo e a aclamação das "Marias"
A estrutura musical do show surpreendeu positivamente. Apoiada por uma banda afiadíssima que deu contornos ainda mais encorpados e orgânicos a sucessos como "I Love My Body" e "Kidding" — com direito a solos virtuosos de guitarra e bateria —, a sul-coreana provou ser uma performer "old-school" completa: canta com potência, dança com precisão e domina a câmera com um carisma avassalador.
Para a alegria dos fãs de longa data do Mamamoo, Hwasa reservou um momento nostálgico ao apresentar um medley com grandes clássicos do grupo (atualmente em hiato), incluindo "Décalcomanie", "Egotistic" e a aclamada "HIP", cantadas em coro pela plateia de Stays e entusiastas do gênero.
O ápice da empatia com o público carioca aconteceu quando a artista brincou com a coincidência entre o seu nome batismo civil e um dos nomes mais populares do país:
"Eu ouvi falar que aqui no Brasil tem muitas Marias. Maria!", anunciou, abrindo caminho para a execução apoteótica do hit "Maria".
O anúncio foi recebido com uma explosão de gritos por todas as Marias, Marias Eduardas e Marias Cecílias espalhadas pelo gramado do Parque Olímpico.
Final apoteótico com a bandeira do Brasil
Na reta final da apresentação, demonstrando total conhecimento dos trejeitos de palco das grandes lendas do rock e do pop, Hwasa fez charme, fingiu encerrar o espetáculo prematuramente e provocou um coro estrondoso de "Eu não vou embora!" vindo da plateia.
Ela retornou para a saideira pulando e ostentando a bandeira do Brasil nos ombros, deixando o Palco Mundo debaixo de uma ovação ininterrupta. Hwasa não apenas fez história; deu uma aula magistral de como dominar o maior festival do mundo.
Cotação da reportagem:
★ ★ ★ ★ ★ (10 / 10 - Impecável)
Nota: Uma apresentação histórica, corajosa e eletrizante. Hwasa uniu o peso de uma grande banda ao vivo à sua atitude autêntica de estrela global, entregando um dos melhores shows solo desta edição.
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