Jamiroquai coloca pais e filhos para dançar com groove infalível em meio à invasão do K-pop no Rock in Rio 2026.
Banda britânica faz show impecável no Palco Sunset, reúne público nostálgico, destaca vocais cristalinos de Jay Kay e prova que o balanço do funk e do acid jazz continua atemporal e arrebatador.
Henry Freitas | repórter cultural | Direto da Cidade do Rock, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro.
Data de Publicação: sábado, 12 de setembro de 2026 às 00:55.
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| Jamiroquai durante show no Rock in Rio nesta sexta-feira (11). |
Escalado em um dos cenários mais improváveis e desafiadores desta edição do Rock in Rio, o grupo britânico Jamiroquai provou na noite desta sexta-feira, 11 de setembro, que a boa música não conhece barreiras geracionais. Em sua segunda passagem pelo festival — exatos 15 anos após a estreia memorável na edição de 2011 —, o coletivo liderado pelo carismático Jay Kay ocupou o Palco Sunset pouco antes da entrada do headliner sul-coreano Stray Kids no Palco Mundo, criando um curioso e fascinante contraste cultural no Parque Olímpico.
Com a multidão de jovens "Stays" concentrada do outro lado da Cidade do Rock para garantir lugar na grade do palco principal, o gramado do Sunset transformou-se em um vibrante ponto de encontro para um público mais maduro. Pais, acompanhados de seus filhos em uma evidente transmissão de bastão musical, transformaram o espaço em uma gigantesca pista de dança a céu aberto. Em conversa exclusiva com a nossa reportagem, o curador do festival, Zé Ricardo, revelou que essa ponte entre gerações foi desenhada de forma minuciosa no planejamento do line-up.
A aposta não poderia ter sido mais certeira. O grupo que ditou tendências e redefiniu a estética da cena modernosa nos anos 1990 com álbuns icônicos como Return of the Space Cowboy (1994) e Traveling Without Moving (1996) mostrou que sua fórmula sonora permanece intacta, jovial e absolutamente irresistível.
Mão de obra de mestre, cozinha azeitada e vocais impecáveis
A sonoridade do Jamiroquai baseia-se em uma alquimia sofisticada de acid jazz, funk setentista, soul clássico e elementos eletrônicos que passeiam entre a house music e o hip-hop. No palco, essa fusão ganhou vida através de linhas de baixo inquietas, uma percussão milimetricamente travada e sintetizadores reluzentes que não deixaram ninguém parado — até mesmo as crianças pareciam hipnotizadas pela pulsação do ritmo.
Aos 56 anos, o vocalista Jay Kay surpreendeu ao entregar uma performance vocal que supera seus registros da última década. Mantendo o timbre aveludado e o alcance intactos, o cantor desfilou clássicos como "Don’t Give Hate a Chance" e "Alright" com a precisão e o brilho das gravações originais em estúdio. Como não poderia deixar de ser, o artista desfilou seus extravagantes e icônicos adereços de cabeça, trocando de figurino ao longo da apresentação sob aplausos efusivos.
A solidez do show apoia-se no entrosamento de uma formação de apoio que se mantém unida há mais de duas décadas. O núcleo duro composto por Derrick McKenzie (bateria), Rob Harris (guitarra), Matt Johnson (teclados), Paul Turner (baixo) e Sola Akingbola (percussão e vocais) demonstrou domínio absoluto do catálogo. O grupo contou ainda com o reforço de um afinadíssimo trio de vocalistas de apoio e a adição de um percussionista brasileiro, cuja ginga somou ainda mais balanço aos arranjos.
Antes de introduzir cada clássico, os músicos brincavam com jams e introduções improvisadas, alimentando a expectativa da plateia a cada virada de compasso. Nos bastidores, a performance irrepreensível reforçou os rumores da chegada iminente de um novo álbum de inéditas do grupo.
Dança espontânea e a magia de um clássico imortal
Apoiado por uma estrutura cênica rica em projeções psicodélicas e um jogo de luzes hipnotizante, o Palco Sunset assumiu contornos de uma autêntica disco club. Enquanto o Palco Mundo recebia apresentações marcadas por coreografias milimetricamente ensaiadas do K-pop, Jay Kay ofereceu ao público uma celebração da espontaneidade. Com seus passos desengonçados e performáticos, o vocalista correu pelas passarelas, interagiu diretamente com os fãs e se remexeu sem pudor algum durante a execução da apoteótica "Cosmic Girl".
Essa liberdade para dançar sem roteiro pré-definido contagiou a plateia, que se entregou completamente ao som do coletivo britânico. O auge da celebração ocorreu nos momentos finais da noite, quando os primeiros acordes de teclado da lendária "Virtual Insanity" ecoaram pelos alto-falantes, provocando um coro uníssono que reverberou por todo o festival.
O Jamiroquai assinou uma das apresentações mais charmosas, técnicas e alto-astral desta edição do Rock in Rio, provando que quando a música tem alma e balanço, ela se torna verdadeiramente imortal.
O Portal Hora da Notícia segue na Cidade do Rock trazendo todos os detalhes, entrevistas e bastidores das grandes atrações do festival.
Cotação da reportagem:
★ ★ ★ ★ ★ (100 / 100 - Histórico)
Nota: Um espetáculo irretocável de classe, groove e brasilidade afetiva. A banda entregou uma verdadeira aula de música feita ao vivo, unindo gerações e consagrando o Palco Sunset como o grande refúgio da boa música no festival.
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