Os Garotin transformam o Rock in Rio 2026 em baile charme chiquérrimo ao lado de Duquesa
Vestidos de gala e ostentando muito suíngue, trio de São Gonçalo faz estreia apoteótica no festival com samba miudinho, alfaiataria reluzente e a participação arrebatadora da rapper baiana.
Henry Freitas e Felipe Barreto | repórteres culturais | Direto da Cidade do Rock, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro
Data de Publicação: sexta-feira, 11 de Setembro de 2026 | Horário 19:40
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| Os Garotin se apresentam no Rock in Rio 2026 - Divulgação/ Portal Hora da Notícia. |
A potência da Baixada Fluminense tomou conta do Palco Sunset no início da noite desta sexta-feira, 11 de setembro. Em sua aguardada estreia no Rock in Rio, o trio Os Garotin — formado pelos talentosos Anchietx, Cupertino e Léo Guima — levou à Cidade do Rock toda a essência dos bailes blacks de São Gonçalo (RJ), combinando elegância, carisma e a sonoridade envolvente que os projetou como uma das maiores revelações da música brasileira recente.
Esbanjando sofisticação, os músicos surgiram no palco vestindo trajes de alfaiataria brilhosos e óculos escuros ao som da empolgante "Garota", faixa do aclamado álbum OS GAROTIN DE SÃO GONÇALO (2024). A cenografia foi um espetáculo à parte: uma suntuosa escadaria inteiramente coberta de glitter prateado abrigava a afiada banda de 10 instrumentistas, enquanto os telões exibiam projeções douradas simulando um luxuoso gradil de ouro.
A trajetória do trio, que se uniu em 2019 e ganhou projeção nacional com o apadrinhamento de Paula Lavigne, teve seu ápice celebrado no festival. O público cantou a plenos pulmões "Zero a Cem" — sucesso do EP Os Garotin Sessions (2023) —, além de acompanhar com entusiasmo faixas como "Nossa Resenha" e "Soul Brasileiro", música originalmente gravada ao lado de Lenine e Hamilton de Holanda. O show celebrou ainda a consagração do grupo, que já ostenta no currículo o Grammy Latino de Melhor Álbum de Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa.
A entrada triunfal da realeza do rap
A apresentação ganhou contornos de pura apoteose quando decorreram vinte minutos de show. Deslumbrante em um vestido imponente, equilibrando-se sobre saltos altos e ostentando um colar cravejado de pedras, a rapper baiana Duquesa surgiu no palco declamando com firmeza os versos de "Big D!!!!!":
"Eu nasci para ser artista, se eu quisesse era uma golpista. Eu não posso ficar quieta, eu não vou morrer falida."
Aclamada como uma das vozes mais contundentes do hip-hop e R&B contemporâneo, a artista de Feira de Santana eletrizou o Sunset ao cantar a sensual e autônoma "Voo 1360". Sua presença magnética fez a plateia vibrar intensamente, gerando um verdadeiro frisson quando deixou o palco após o primeiro bloco de faixas — momento em que o trio precisou conter o público prometendo seu retorno.
Duquesa voltou no encerramento para somar vozes na faixa "Queda Livre", selando uma parceria inesquecível e deixando no ar a clara sensação de que sua participação poderia ter durado a noite inteira, sob gritos e aplausos efusivos da multidão.
Celebração da juventude e rumo à Europa
O encontro entre Os Garotin e Duquesa colocou no mesmo palco expoentes de uma geração de artistas sagazes, autênticos e donos de uma identidade estética e musical impecável.
Antes de se despedirem da Cidade do Rock, o trio anunciou os próximos passos da carreira: em breve, eles embarcam com a turnê "A força da juventude" para palcos internacionais em cidades como Paris, Berlim, Londres, Lisboa e Madri.
"Ser jovem não tem nada a ver com idade", destacaram os integrantes antes de encerrarem a performance sob ovation do público carioca.
Cotação da reportagem:
★ ★ ★ ★ ½ (9,5 / 10)
Nota: Um show irretocável e cheio de classe, que uniu a riqueza do soul e do samba fluminense à contundência do rap baiano, entregando uma das melhores e mais charmosas aberturas de noite do Palco Sunset.
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