Sem novidades no roteiro, mas com enxurrada de hits e charme de Adam Levine, Maroon 5 encerra o penúltimo dia do Rock in Rio 2026

Longe do ineditismo e apegada à fórmula que domina as rádios há duas décadas, banda californiana cumpre sua 11ª passagem pelo Brasil com execução técnica irretocável, momento solo de PJ Morton e nota 8.5/10.

Henry Freitas e Carlos André Mamedes | repórteres culturais | Direto da Cidade do Rock, Rio de Janeiro.
Data de Publicação: domingo, 13 de setembro de 2026 às 02:45.
Cobertura Completa do Rock in Rio 2026 no Portal Hora da Notícia > Tocou no Rock in Rio? Tá no Hora da Notícia.
Maroon 5 faz show previsível, mas com capacidade técnica e sonora irretocável no Palco Mundo do Rock in Rio 2026 - Divulgação/ Portal Hora da Notícia.

Para a surpresa de absolutamente zero frequentadores da Cidade do Rock, a madrugada deste domingo (13) foi testemunha de mais um capítulo do romance funcional entre o Maroon 5 e o público brasileiro. Encerrando o penúltimo dia do Rock in Rio 2026 com ingressos totalmente esgotados no Parque Olímpico, o sexteto liderado por Adam Levine entregou exatamente aquilo que o contratante e o fã de longa data esperavam: um desfilar ininterrupto de hinos pop, precisão técnica de estúdio traduzida para os palcos e, impreterivelmente, a performance do frontman sem camisa na reta final da noite.

Tornada quase uma instituição permanente do festival desde 2017 — quando cobriu com louvor e jornada dupla o cancelamento de Lady Gaga —, a banda norte-americana subiu ao Palco Mundo jogando com o regulamento debaixo do braço. Se por um lado a apresentação pecou pela falta de ousadia ou pela previsibilidade do roteiro, por outro provou a força avassaladora de um catálogo que atravessa gerações e reina absoluto no imaginário pop nacional.

Mapeamento Técnico e Momentos-Chave da Performance

Bloco da ApresentaçãoRecursos Sonoros e CênicosReação e Impacto no Gramado
Abertura de Alto ImpactoTrinca de abertura com "Move Like Jagger", "This Love" e "Stereo Hearts".Explosão imediata da plateia e coro uníssono em todo o Parque Olímpico.
Groove e Solo de PJ Morton"Sunday Morning" e inserção da autoral "Heavy", destacando o tecladista.Momento de maior sofisticação técnica do show, valorizando a veia R&B do grupo.
Ponto de Inflexão CênicaAdam Levine retira a camisa antes de "What Lovers Do"; solos de guitarra dilatados.Catarse da ala feminina e renovação do ritmo após breve dispersão do público.
Reta Final e EncerramentoVersão acústica de "She Will Be Loved" na galera e fechamento apoteótico com "Sugar".Encerramento perfeito de dia esgotado, garantindo o status de Headliner pop definitivo.
A fórmula do conforto: arranjos redefinidos e o brilho de PJ Morton

Musicalmente, o Maroon 5 sabe como evitar que sua coletânea de sucessos soe como uma mera playlist do Spotify. Ao vivo, faixas como "Animals", "Maps" e "One More Night" ganham tração através de arranjos mais encorpados, com temperos de reggaeton, funk norte-americano e solos virtuosos que estendem o tempo de palco de forma orgânica. As falas de Levine com a multidão mantiveram o padrão protocolar — "Rock in Rio é o melhor show para o melhor público", declarou sem maiores aprofundamentos —, mas a entrega vocal e a energia do cantor compensaram a falta de lirismo nas interações.

O grande destaque instrumental da noite ocorreu na metade do set. No momento reservado a valorizar o talentosíssimo tecladista PJ Morton — que no dia anterior havia feito uma passagem discreta pelo festival —, Adam deu espaço para o músico brilhar de forma retumbante. Após conduzirem a clássica "Sunday Morning", Morton assumiu os vocais principais em "Heavy", faixa autoral de sua carreira solo (que já havia marcado presença no The Town, em 2023), imprimindo uma aura de soul e R&B refinadíssima ao Palco Mundo.

Memória afetiva e a soberania do catálogo radiofônico

Curiosamente, o grupo optou por ignorar faixas de seu trabalho de estúdio mais recente, Love Is Like (2025). O momento vendido como "rara exceção" do repertório foi a execução de "Won’t Go Home Without You", hit de 2007 que, apesar da promessa de exclusividade, já constava na lista de faixas apresentada em São Paulo três anos antes.

Ainda assim, a falta de ineditismo não reduziu a temperatura da noite. Quando Adam Levine desceu até a grade de proteção para cantar "She Will Be Loved" de frente para os fãs, ou quando puxou os versos de "Payphone" e "Girls Like You", o que se viu foi a validação de uma das bandas internacionais mais carismáticas para o público brasileiro. O desfecho com "Sugar", debaixo de uma chuva de papéis picados e aplausos efusivos, selou a 11ª passagem dos californianos pelo país com a certeza do dever cumprido. O Maroon 5 pode ser previsível, mas é uma máquina irretocável de fazer arenas cantarem juntas.

O Portal Hora da Notícia traz a cobertura completa, galerias de fotos e os desdobramentos dos bastidores do penúltimo dia de Rock in Rio 2026.

Cotação da reportagem:

★ ★ ★ ★ ☆ (8.5 / 10 - Muito Bom)

Nota: 8,5 / 10 — Sem grandes surpresas ou novidades no setlist, mas com uma entrega profissional impecável, som afinadíssimo e uma coleção de hits capazes de sustentar qualquer grande arena mundial.

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