Com som mais visceral e equilíbrio impecável entre novidades e clássicos, Mumford & Sons faz estreia emocionante no Rock in Rio
Diante de um público fiel e apaixonado, quarteto britânico prova a força de seu hiato, homenageia o áureo indie folk dos anos 2010 e fecha o Palco Sunset com catarse uníssona em 'I Will Wait'.
Henry Freitas, repórter cultural | Direto da Cidade do Rock | Barra da Tijuca, Rio de Janeiro (RJ)
Data de Publicação: domingo, dia 13 de setembro de 2026 às 01:50.
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| Mumford & Sons fazem um show impecável no encerramento do Palco Sunset no Rock in Rio 2026 - Divulgação/ Portal Hora da Notícia. |
Quando Marcus Mumford e seus companheiros pisaram no Palco Sunset por volta das 22h45 deste sábado (12), a missão do Mumford & Sons ia muito além de fechar a programação do segundo palco da Cidade do Rock. A banda britânica duelava com o fantasma da própria memória afetiva — mais precisamente, com a passagem apoteótica pelo Brasil em 2016, considerada até hoje um dos pontos altos de sua trajetória global. Dez anos depois, o reencontro no Rock in Rio 2026 provou que o tempo e uma recente pausa só fizeram bem ao grupo.
Embora tenha enfrentado um público mais modesto em comparação aos mares de gente do Palco Mundo — mas longe de qualquer sombra de fracasso —, o Mumford & Sons entregou um espetáculo maduro, elegante e sonoramente visceral.
A evolução sonora: do banjo de arena ao requinte do novo catálogo
Abraçando o status de "classic rock" conquistado perante as novas gerações, a banda apresentou as credenciais de sua fase atual, impulsionada pelos álbuns Rushmere (2025) e Prizefighter (2026). As novas faixas, como "Rubber Band Man", a faixa-título "Prizefighter" e a belíssima "Here" (com sutis e sofisticados ecos de Cat Stevens), mostraram camadas instrumentais mais complexas e arranjos muito mais trabalhados do que as fórmulas que os consagraram na era Babel.
Entretanto, diferentemente de artistas que renegam o passado que os projetou, Marcus Mumford fez questão de celebrar cada capítulo dessa jornada. Logo no início do set, a explosão de "Little Lion Man" colocou a plateia para cantar o refrão com um vigor que arrancou sorrisos sinceros e visivelmente emocionados do vocalista.
Destaques do Show & Momentos de Conexão
| Momento da Performance | Dinâmica no Palco e Plateia | Impacto no Sunset |
| Abertura & Cartão de Visitas | "Run Together" e o hino "Little Lion Man" logo no início do show. | Garantiu o engajamento imediato do público com coro uníssono. |
| Passeio pela Galera | Marcus Mumford desce do palco e caminha junto às grades durante "Ditmas". | Momento de maior proximidade física e catarse entre artista e fãs. |
| Safra Visceral (2025/2026) | Execução de "Rubber Band Man", "Prizefighter" e a delicada "Here". | Exibição da evolução técnica da banda após o hiato produtivo. |
| Encerramento Apoteótico | Sequência de "The Cave", "The Wolf" e o clássico absoluto "I Will Wait". | Ponto máximo de emoção, fazendo o gramado pular sob a chuva fina. |
Acerto de contas e celebração imortada
Mesmo sob o clima úmido que pedia capas de chuva pelo gramado, a entrega da banda manteve a temperatura alta. Em "Ditmas", Marcus quebrou o protocolo ao descer do palco e caminhar colado às grades de proteção, cantando olho no olho com os fãs da primeira fileira.
A reta final reservou a verdadeira catarse indie: a sequência de "The Cave" e "The Wolf" preparou o terreno para a apoteose definitiva com "I Will Wait", entoada a plenos pulmões por cada pessoa presente no espaço.
O Mumford & Sons pode até ter uma sonoridade que combina perfeitamente com um pôr do sol de festival, mas no encerramento da noite carioca, provou que a força do seu folk de arena continua viva, emocionante e atemporal.
O Portal Hora da Notícia segue no Parque Olímpico cobrindo todos os detalhes da reta final do Rock in Rio 2026.
Cotação da reportagem:
★ ★ ★ ★ ☆ (8.5 / 10 - Excelente)
Nota: 8,5 / 10 — Um show de maturidade musical, técnica impecável e generosidade com a memória dos fãs. O Mumford & Sons provou que sabe envelhecer com extrema elegância no palco.

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