O Gelo Quebrou: A Queda do "Deus dos Saltos" e o Milagre Cazaque em Milão.
Em uma noite de erros inacreditáveis, Ilia Malinin se despede do pódio e abre caminho para o ouro histórico de Mikhail Shaidorov; a dor do favorito emocionou até quem estava aqui para trabalhar.
Paulo Henrique Gomes, correspondente internacional, direto de Milão, Itália | Portal Hora da Notícia | 13/02/2026 às 22:45.
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| Mikhail Shaidorov, do Cazaquistão, surpreende a todos e consegue o primeiro ouro olímpico, após 32 anos. |
O esporte é um roteirista sádico. Viemos para o ginásio hoje esperando ver a história ser escrita com saltos impossíveis de Ilia Malinin, o jovem que desafia a gravidade. Mas o que vimos foi a gravidade vencer. Em uma noite que deveria ser sua coroação, o "God of Quad" (Deus do Quadruplo) humano, falhou. E falhou de um jeito que dói em quem assiste.
Malinin errou sucessivamente. Cada queda no gelo parecia um golpe no peito da plateia. O resultado? Um oitavo lugar amargo, distante, quase irreconhecível para quem domina o mundo da patinação.
A Glória que veio das Estepes
Enquanto o favorito desmoronava, o Cazaquistão renascia. Mikhail Shaidorov não apenas patinou; ele flutuou sobre as cinzas do favoritismo alheio. Com um total de 291.58 pontos, ele conquistou um ouro que o país não sentia o gosto desde 1994.
Foi uma apresentação precisa, corajosa e, acima de tudo, resiliente. Shaidorov aproveitou a brecha deixada pelos gigantes e colocou seu nome na eternidade. A prata e o bronze ficaram com o Japão — Kagiyama Yuna (280.06) e Sato Shun (274.90) —, mas o brilho nos olhos do cazaque era o que iluminava o rinque.
O Desabafo: "Meu Coração Está Partido"
Ainda no gelo, Malinin já parecia menor do que é. À CBC, ele admitiu o que poucos atletas de elite têm coragem de dizer: o peso do mundo esmagou seus ombros. "Não estava preparado para a atmosfera dos Jogos Olímpicos", confessou.
Mas foi aqui, na Zona Mista, longe das câmeras mundiais e frente a frente com a nossa equipe do Portal Hora da Notícia, que a máscara de atleta caiu.
O Momento que nos Calou
Ilia aceitou falar conosco. Ele estava pálido, com os olhos vermelhos e as mãos ainda trêmulas. Quando começou a falar sobre o esforço de anos e o vazio de sair daqui sem nada, a voz dele falhou. Ele parou, olhou para o chão e as lágrimas começaram a cair, pesadas.
Não foi uma entrevista comum. Foi um desabafo humano. Ver um jovem de tanto talento se sentir tão pequeno diante de uma falha... eu confesso a vocês, a nossa equipe não aguentou. Houve um momento de silêncio compartilhado onde não éramos mais jornalistas e entrevistado, éramos apenas pessoas sentindo a dor de um sonho quebrado. Nos emocionamos junto com ele. É impossível ser indiferente a tamanha fragilidade.
Nota do Jornalista: A medalha de Shaidorov é histórica e merece todos os aplausos. Mas a noite de hoje em Milão será lembrada pelo choro de um prodígio que descobriu, da forma mais dura, que o gelo não tem memória e que as Olimpíadas não perdoam.
O clima por aqui ainda é de muita introspecção.
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