O Renascimento de uma Estrela: Alysa Liu Quebra Jejum de 24 Anos e Conquista o Ouro em Milão.
Da aposentadoria precoce à glória olímpica: a americana desbanca o domínio japonês ao som de Donna Summer e redefine o futuro da patinação artística.
Paulo Henrique Gomes, correspondente internacional, direto da Base Oficial, em Milão | Portal Hora da Notícia.
Publicação: quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026 | Horário de Brasília: 21:00 | Horário Local: 01:00.
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| Alysa Liu brilha, quebra jejum de 24 anos e conquista a medalha de ouro em Milano-Cortina 2026. |
Se você acredita em segundas chances, o que aconteceu hoje no gelo de Milão é a prova definitiva de que elas existem — e podem ser douradas.
Em uma noite onde a técnica beirou a perfeição e a emoção transbordou pelas bordas do rinque, presenciamos um momento histórico. Alysa Liu não apenas venceu; ela encerrou um jejum que perdurava desde 2002, quando Sarah Hughes subiu ao topo do pódio em Salt Lake City. Mas o caminho de Alysa até aqui não foi feito apenas de saltos triplos, mas de uma corajosa jornada de autodescoberta.
O Drama das Notas: A Escalada de Amber Glenn
Antes da elite entrar no gelo, a americana Amber Glenn protagonizou uma recuperação digna de cinema. Após um programa curto decepcionante que a deixou em 13º, ela decidiu "ir para o tudo ou nada". Cravou o Triplo Axel e saltou para a liderança com 214.91 pontos.
Ali, a tensão tomou conta. A russa Adelia Petrosian (competindo sob bandeira neutra) tentou o risco máximo com um salto quádruplo, mas a queda custou caro: uma dedução de 1 ponto a deixou apenas 0.38 atrás de Glenn. A partir daí, o pódio virou um assunto exclusivo entre os EUA e o Japão.
O Medley de Donna Summer e a Impecabilidade de Alysa
Quando Mone Chiba assumiu a ponta com 217.88, o ginásio sabia que a régua tinha subido. Foi então que Alysa Liu entrou na pista.
Ao som de um medley vibrante de Donna Summer, Alysa não patinou apenas; ela celebrou. Com uma nota espetacular de 150.20 no programa longo (melhor marca da temporada), ela somou 226.79. Foi uma apresentação impecável, onde a dificuldade técnica se fundiu com uma liberdade artística que poucas vezes vimos nela.
O Adeus de Kaori e o Despertar de Ami
A reta final foi de lágrimas. Kaori Sakamoto, a lenda japonesa, entregou sua última performance da carreira. Ao som de Edith Piaf, ela patinou com a alma. Seus 224.90 garantiram a prata e uma despedida digna de uma rainha do gelo.
Já a jovem Ami Nakai, de 17 anos, sentiu o peso da responsabilidade. Ao som de 'What a wonderful world', ela tentou o Triplo Axel para superar Alysa, mas pequenos erros na execução a deixaram com o bronze. O futuro é dela, mas o presente pertence à América.
Análise Paulo Henrique: A Política da "Nova Patinação"
Aqui no Hora da Notícia, a gente olha o que está por trás das medalhas. A vitória de Alysa Liu é um manifesto político e cultural dentro do esporte.
- 1. O Modelo "Anti-Fábrica": Alysa se aposentou aos 16 anos por não aguentar as exigências robóticas de seus antigos técnicos. Ao voltar dois anos depois, exigindo autonomia sobre suas coreografias e até suas roupas, ela provou que um atleta feliz e equilibrado rende mais do que um atleta pressionado. Isso é um golpe direto no modelo de treinamento de "alto sacrifício" que dominou o esporte nas últimas décadas, especialmente no leste europeu.
- 2. O Fim da Hegemonia Russa?: Com as patinadoras russas competindo sob restrições e sem o mesmo domínio avassalador de saltos quádruplos (vide o erro de Petrosian), o esporte parece ter recuperado seu equilíbrio entre atletismo e arte. A vitória de Alysa valoriza a longevidade e a maturidade, algo que a patinação feminina implorava para recuperar.
- 3. O Legado Japonês: O Japão sai com duas medalhas, mas o choro de Kaori Sakamoto marca o fim de uma era. A transição para Ami Nakai será o grande tema dos próximos mundiais.
O Que Vem Pela Frente?
Alysa Liu agora é o rosto global da patinação. Ela não é apenas a campeã olímpica e mundial; ela é o símbolo de que é possível sair, se encontrar e voltar melhor do que nunca.
Milão se despede hoje de uma das competições mais bonitas da história dos Jogos de Inverno, com a sensação de que a patinação artística encontrou um novo caminho — um caminho onde a saúde mental e o estilo pessoal valem tanto quanto um giro perfeito.
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