O Último Suspiro sob a Neve? Noruega Conquista o Ouro em Final Dramática no Combinado Nórdico

Embaixo de uma nevasca histórica e sob a sombra da exclusão olímpica, Jens Oftebro e Andreas Skoglund garantem o topo do pódio para os noruegueses em Milão-Cortina 2026.

Paulo Henrique Gomes, correspondente internacional, direto da Base Oficial, em Milão | Portal Hora da Notícia.
Publicação: quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026 | Horário de Brasília: 14:25 | Horário Local: 18:25.
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Forte Nevasca atingiu a área das provas de salto de esqui e de esqui cross country.

O céu de Milão-Cortina resolveu despejar tudo o que tinha. O que começou como um floco ou outro durante os saltos se transformou em uma cortina branca impenetrável no cross-country. Mas, para a Noruega, parece que quanto pior o tempo, melhor o desempenho. Vamos aos detalhes dessa prova que misturou adrenalina, drama político e técnica pura.

O Salto: A Vantagem Alemã e o Tombo de Geiger

A prova começou com a Alemanha mostrando por que é uma potência nos ares. Com 246.5 pontos, os alemães garantiram a pole position para a largada do esqui cross-country. No entanto, o brilho técnico foi ofuscado pelo susto.

A nevasca já castigava a rampa, e Vinzenz Geiger sentiu o peso do clima. O alemão sofreu duas quedas — uma delas durante a transição, que claramente abalou o ritmo da equipe. Mesmo assim, a vantagem nos pontos os colocou 7 segundos à frente do pelotão no início da corrida.

O Cross-Country: O Xadrez na Neve Fofa

Sabe aquela máxima de que "atrás vem gente"? Pois é. A Alemanha tentou sustentar o ritmo, mas o acúmulo de neve na pista tornou o esforço físico hercúleo. O pelotão formado por Noruega, Japão, Finlândia e Áustria não deu trégua.

O que vimos foi um trabalho tático de alto nível. Enquanto os outros países se revezavam para caçar o líder, a dupla norueguesa Andreas Skoglund e Jens Oftebro economizava energia para o bote final.

O Gran Finale: 0.5 Segundos de Glória

A reta final foi de testar o coração. A Finlândia, que vinha fazendo uma prova silenciosa e eficiente, emparelhou com a Noruega nos metros decisivos. Foi um sprint "ombro a ombro", onde a visibilidade era quase zero.

No último suspiro, Jens Oftebro — que vive um momento iluminado nestes Jogos — cruzou a linha com apenas meio segundo de vantagem.

Tempo final: 41:18.0

  • Ouro: Noruega (3º ouro de Oftebro nesta edição!)
  • Prata: Finlândia
  • Bronze: Áustria

Análise Paulo Henrique: O Peso da Tradição vs. A Crise de Gênero

Aqui no Portal Hora da Notícia, a gente não te entrega só o resultado, a gente te entrega o contexto. E o contexto aqui é agridoce.

  • A Geopolítica Olímpica: Este ouro da Noruega pode ser um dos últimos da história do Combinado Nórdico. O Comitê Olímpico Internacional (COI) está com a faca no pescoço da modalidade. O motivo? A ausência de provas femininas. O COI tem uma política rígida de equidade de gênero, e o Combinado Nórdico é o único esporte de inverno que ainda não integrou totalmente as mulheres no programa olímpico.

  • O Risco de Exclusão: O clima aqui nos bastidores em Milão é de despedida. Há rumores fortíssimos de que a modalidade ficará de fora dos Alpes Franceses 2030. Para os noruegueses, perder o Combinado é perder parte de sua alma cultural; para o mundo, é o fim de uma das provas mais completas de resistência e técnica.

"Vencemos a neve e vencemos o cronômetro, mas não sabemos se venceremos a política esportiva," comentou um membro da comissão técnica norueguesa na zona mista.

O Que Esperar Agora?

Jens Oftebro sai de Milão-Cortina como o rei das montanhas, com três medalhas de ouro no peito. Mas a grande pergunta que fica no ar, tão densa quanto a nevasca de hoje, é: veremos essas mesmas cores em 2030?

Fique ligado aqui no Portal Hora da Notícia para a cobertura completa das decisões do COI e os próximos capítulos dessa saga na neve!

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