MILÃO EM EBULIÇÃO: o drama do "gol de ouro", a geopolítica no gelo e o adeus de uma lenda brasileira.
Com três prorrogações épicas, as semifinais do hóquei estão definidas; enquanto isso, o Brasil quebra recordes de delegação e prepara uma despedida histórica para Edson Bindilatti na Arena de Verona. Paulo Henrique Gomes analisa o Dia 12 direto da Base Oficial.
Paulo Henrique Gomes, correspondente internacional, direto da Base Oficial, em Milão | Portal Hora da Notícia.
Publicação: quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026 | Horário de Brasília: 00:00 | Horário Local: 04:00.
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| Portal Hora da Notícia torna público o giro olímpico do 12º dia dos Jogos Olímpicos de Inverno 2026 - Divulgação/HDN Esportes) |
Amigos do Portal Hora da Notícia, se o gelo falasse, ele estaria gritando hoje. O Dia 12 dos Jogos de Milão-Cortina 2026 foi uma montanha-russa de emoções que testou o sistema cardiovascular de qualquer torcedor. Das arenas de Hóquei, onde o tempo regulamentar foi meramente uma sugestão, às pistas de patinação onde a Coreia do Sul renasceu, o dia foi marcado pela palavra resiliência.
Mas, para nós brasileiros, a notícia que ecoa nos Alpes é sobre legado. Estamos batendo recordes antes mesmo da Paralimpíada começar e já sabemos quem carregará nossa bandeira no ato final desta ópera de inverno.
HÓQUEI MASCULINO: A QUARTA-FEIRA DAS PRORROGAÇÕES
O que vimos hoje nas quartas de final do Hóquei foi antológico. Três das quatro partidas foram decididas no tempo extra, o famoso "morte súbita".
- O "Gol de Ouro" Canadense: O Canadá flertou com a eliminação. Perdendo para a Tchéquia até os minutos finais, os inventores do esporte empataram aos 56:33 e cravaram o gol da vitória logo no primeiro minuto da prorrogação. Agora, enfrentam a Finlândia, que também precisou do tempo extra para virar um 0-2 contra a Suíça e vencer por 3 a 2.
- USA x Suécia: Os americanos sofreram o empate sueco faltando 90 segundos para o fim. Mas, na prorrogação, os EUA mostraram por que são candidatos ao ouro e fecharam em 2 a 1.
- Eslováquia Dominante: A única a vencer no tempo normal foi a Eslováquia (6 a 2 sobre a Alemanha), garantindo o duelo contra os Estados Unidos na semifinal.
Análise do PH: O Hóquei em Milão atingiu o ápice técnico. A eliminação da Suécia (top 4 em Pequim) mostra que a renovação americana e a frieza canadense elevaram o sarrafo. Sexta-feira o mundo vai parar para Finlândia x Canadá.
GEOPOLÍTICA NO GELO: A POLÊMICA SUÍÇA
Um dos momentos mais tensos do dia ocorreu fora das pistas, mas dentro das cabines de transmissão. A emissora suíça RTS teve que retirar do ar uma narração do Bobsled. O comentarista Stefan Renna questionou duramente a participação do israelense Adam Edelman, citando o conflito em Gaza.
A Visão da Base: O episódio mostra como os Jogos Olímpicos nunca estão isolados do mundo real. O COI tenta manter a neutralidade política, mas a pressão sobre as emissoras e atletas é constante. A RTS classificou o comentário como "inadequado pela extensão", mas o debate sobre a neutralidade dos atletas em tempos de guerra segue sendo a "pedra no sapato" diplomática de Milão-Cortina.
PATINAÇÃO DE VELOCIDADE: A VINGANÇA SUL-COREANA E O DOMÍNIO DE DUBOIS
Na pista curta (Short Track), a Coreia do Sul deu uma aula de estratégia no Revezamento 3000m feminino. Enquanto os Países Baixos (favoritos e atuais campeões) caíam e se perdiam na disputa, as sul-coreanas fizeram uma prova "limpa" e atacaram na última volta para o ouro.
Já nos 500m masculino, o canadense Steven Dubois estragou a festa da família Van ‘t Wout. Ele superou os irmãos Melle (prata) e Jens (bronze) para subir no lugar mais alto do pódio. É o Canadá mostrando que, se no Hóquei eles sofrem, na velocidade individual eles voam.
BRASIL: RECORDE DE DELEGAÇÃO E O PORTA-BANDEIRA DEFINIDO
Temos muito o que comemorar na Base Oficial brasileira hoje!
- Vitória Machado no Snowboard: Recebemos a confirmação do convite para a gaúcha Vitória Machado disputar os Jogos Paralímpicos em março. Com isso, o Brasil chega a 8 representantes, um recorde absoluto (superando os 6 de Pequim).
- Edson Bindilatti, o Porta-Bandeira: Nada mais justo. O "vovô" do bobsled, aos 46 anos, foi anunciado como o porta-bandeira da Cerimônia de Encerramento neste domingo, na Arena de Verona.
"São 26 anos trabalhando pelo bobsled. Receber essa notícia me deixou muito emocionado", disse Bindilatti.
Análise do PH: Bindilatti é o pilar que sustentou os esportes de gelo no Brasil por duas décadas. Ver sua última caminhada olímpica ser coroada com a bandeira nas mãos, na histórica Verona, é o fechamento de ciclo mais perfeito que o esporte brasileiro poderia produzir. Ele sai de cena com o recorde do 24º lugar e as chaves de um futuro promissor que ele mesmo ajudou a construir.
AGENDA DE SEMIFINAIS (SEXTA-FEIRA, 20/02)
- Eslováquia x Estados Unidos
- Finlândia x Canadá
Fique ligado no Portal Hora da Notícia! A reta final dos Jogos está apenas começando e a emoção em Verona promete ser inesquecível.

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