LARANJA MECÂNICA NO GELO: Antoinette de Jong desbanca favorita e conquista o ouro da redenção.

Com uma performance cirúrgica, a neerlandesa supera Miho Takagi e Ragne Wiklund para faturar seu primeiro título olímpico individual nos 1500m; Paulo Henrique Gomes analisa a tática de raia e o "apagão" japonês direto da Base Oficial.

Paulo Henrique Gomes, correspondente internacional, direto da Base Oficial, em Milão | Portal Hora da Notícia.
Publicação: sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026 | Horário de Brasília: 18:50 | Horário Local: sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026 às 22:50.
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A Neerlandesa Antoneitte de Jong brilha e conquista o ouro olímpico da redenção.

Amigos do Portal Hora da Notícia, se o gelo falasse, ele estaria cantando o hino dos Países Baixos em coro absoluto hoje. O Dia 12 em Milão-Cortina nos reservou uma daquelas histórias de perseverança que só as Olimpíadas conseguem produzir. Antoinette de Jong (agora Rijpma-de Jong), a eterna candidata, finalmente trocou o "quase" pelo topo do pódio nos 1500 metros da Patinação de Velocidade.

Não foi apenas uma vitória; foi uma declaração de guerra à lógica. Antoinette desbancou a favorita absoluta, a japonesa Miho Takagi, em uma prova decidida nos detalhes técnicos de cada curva e na gestão de energia em uma pista que se provou ser uma das mais velozes da história olímpica.

O ROTEIRO DO OURO: BATERIA POR BATERIA

A prova dos 1500m é o "meio-fundo" do gelo: exige a explosão de um velocista e a resistência de um fundista. E a estratégia neerlandesa começou cedo:

  • O Alerta de Femke Kok: Logo na primeira bateria, a também neerlandesa Femke Kok cravou 1:54.79. Ela liderou a prova por dez baterias, servindo como o "tempo de referência" que assustou as concorrentes.

  • O Salto de Valerie Maltais: A canadense, em uma bateria inspirada, baixou para 1:54.40, garantindo o que seria o bronze para o Canadá.

  • A Ameaça Norueguesa: Na 13ª bateria, Ragne Wiklund — que já é um dos grandes nomes de Milão com três medalhas no peito — voou para 1:54.15. Ali, o ouro parecia estar viajando para Oslo.

Mas aí entrou Antoinette. Na 14ª bateria, patinando lado a lado com a americana Brittany Bowe, a neerlandesa manteve uma cadência assustadora. Ela cruzou a linha com 1:54.09, apenas seis centésimos à frente de Wiklund.

O APAGÃO DA FAVORITA: O DRAMA DE MIHO TAKAGI

O estádio silenciou para a última bateria. Miho Takagi, a atual campeã e recordista, entrou no gelo com a aura de invencível. Porém, a "pista rápida" de Milão cobra seu preço. Takagi começou forte, mas perdeu rendimento de forma drástica na última volta — onde o lactato nas pernas costuma gritar. Ela terminou em um modesto 6º lugar, deixando o caminho livre para a festa laranja nas arquibancadas.

ANÁLISE DO PH: POR QUE O OURO FOI PARA ANTOINETTE?

  • A Tática da Raia: Antoinette de Jong soube usar a troca de raias a seu favor. Em Milão, o vácuo gerado na reta oposta tem sido determinante. Ela foi mais eficiente nas transições do que Wiklund e muito mais resiliente que Takagi.

O Peso Político e Cultural:

Para os Países Baixos, a Patinação de Velocidade é o que o futebol é para o Brasil. Existe uma pressão nacional imensa. Antoinette carregava o peso de ter sido prata em Pequim-2022. Esse ouro individual (o primeiro da carreira dela) consolida a hegemonia holandesa em Milão-Cortina, que já soma três títulos na modalidade (500m com Kok, 1000m com Leerdam e agora os 1500m).

PosiçãoAtletaPaísTempo
1º (OURO)Antoinette de Jong🇳🇱 Países Baixos1:54.09
2º (PRATA)Ragne Wiklund🇳🇴 Noruega1:54.15
3º (BRONZE)Valerie Maltais🇨🇦 Canadá1:54.40
A cobertura do Portal Hora da Notícia continua! O dia foi de redenção holandesa, mas a Noruega segue empilhando medalhas com Wiklund, mantendo a briga pelo topo do quadro geral de medalhas incrivelmente viva.

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