ENTRE A NEVASCA E A GLÓRIA: o dia em que Milão pulsou no ritmo do gelo e da resiliência.

Enquanto a Alemanha "anexa" o pódio do Bobsled e a Noruega voa no Big Air, o Brasil celebra sua melhor marca histórica e se prepara para a estreia de Alice Padilha. Paulo Henrique Gomes analisa os bastidores de um dia 11 marcado pelo domínio tático e pela fúria da natureza.

Paulo Henrique Gomes, correspondente internacional, direto de Milão, Itália | Portal Hora da Notícia.
Publicação: quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026 | Horário de Brasília: 02:35/ Horário Local: 06:35.
Coluna HDN Esportes >>> HDN na Itália >>> Cobertura Completa dos Jogos Olímpicos de Inverno Milano-Cortina 2026.
Em edição especial, o Boletim Olímpico vem para contar e passar a limpo tudo que aconteceu no 11º dia de Jogos Olímpicos de Inverno 2026 - Divulgação/HDN Esportes

Fala, torcedor do Portal Hora da Notícia! Se você acha que a vida de correspondente olímpico é só glamour e café expresso na Galleria Vittorio Emanuele, o dia de hoje veio para provar o contrário. O dia 11 dos Jogos de Milano-Cortina 2026 foi um teste de paciência, estratégia e, acima de tudo, sobrevivência.

Uma forte nevasca atingiu as montanhas, forçando o adiamento das provas de Aéreos (Esqui Estilo Livre) e do Slopestyle feminino no Snowboard. Mas, se o céu estava fechado, as arenas fechadas e as pistas de gelo "pegaram fogo" com atuações que beiraram a perfeição.

BOBSLED: O "MURO DE BERLIM" NO PÓDIO E O ORGULHO VERDE-AMARELO

Vamos começar pelo que aconteceu no gelo de Milão. No 2-man (duplas masculinas), o que vimos foi uma demonstração de hegemonia que entrará para os livros de história. A Alemanha simplesmente "fechou" o pódio. Johannes Lochner e Georg Fleischhauer confirmaram o ouro, liderando uma varredura alemã que deixou o resto do mundo lutando pelas migalhas.

Análise do PH: Politicamente, isso mostra o abismo de investimento. Enquanto nações ricas tentam encostar, a engenharia alemã de trenós parece estar em outra década. Mas olha o detalhe: Edson Bindilatti e Luis Bacca terminaram em 24º lugar.

Pode parecer longe do pódio, mas para o Brasil, é histórico. É a nossa melhor colocação de sempre no 2-man. Bindilatti, em sua "Last Dance", decifrou as curvas de Milão e provou que o Brasil não é mais um convidado, mas um competidor respeitado. Amanhã, a energia brasileira muda de direção: Alice Padilha estreia no esqui alpino, carregando a responsabilidade de manter essa onda positiva.

BIG AIR E COMBINADO NÓRDICO: O VOO DOS VIKINGS

Se o Bobsled foi alemão, os céus e as pistas de Cross-Country foram noruegueses. No Big Air, que finalmente saiu após o adiamento, Tormod Frostad foi quase um deus. Ele somou 195.50 pontos de 200 possíveis. Uma nota técnica de 98.50 é, em termos leigos, o equivalente a um gol de bicicleta na final da Copa do Mundo.

Já no Combinado Nórdico, Jens Luraas Oftebro mostrou por que a Noruega é a dona dessa modalidade. Ele não é apenas um atleta; ele é um caçador. Começou 22 segundos atrás no esqui, mas "atropelou" a concorrência para garantir seu segundo ouro em Milão.

HÓQUEI E PATINAÇÃO: O TABULEIRO DAS QUARTAS DE FINAL

No Hóquei Masculino, as eliminatórias definiram os confrontos que vão parar o mundo. A Suíça foi cirúrgica contra a anfitriã Itália (3 a 0), enquanto a Tchéquia sobreviveu a uma batalha épica contra a Dinamarca (3 a 2).

Os cruzamentos de Quartas definidos:

  • Eslováquia x Alemanha
  • Finlândia x Suíça
  • Canadá x Tchéquia
  • Estados Unidos x Suécia

Na Patinação Artística, o Japão deu um show de estética. Ami Nakai e a veterana Kaori Sakamoto colocaram a "Terra do Sol Nascente" em rota de colisão direta com o ouro, mas terão que segurar a pressão da americana Alysa Liu no programa longo.

CURLING: A QUEDA DE UM IMPÉRIO E O RETORNO DA MODA

A grande surpresa política e esportiva do dia foi a eliminação precoce da Suécia, atual campeã olímpica, no masculino. Niklas Edin admitiu que faltou "garra". Em contrapartida, a Suíça de Yannick Schwaller segue invicta (7-0).

E não podemos esquecer: as calças de losango da Noruega voltaram! O que parece uma brincadeira é, na verdade, um dos maiores cases de marketing dos esportes de inverno. Elas trouxeram sorte para os noruegueses, que ainda sonham com a semifinal.

O QUE ESPERAR DO DIA 12?

O foco da nossa Base Oficial amanhã é total em Alice Padilha. O esqui alpino brasileiro vem ganhando corpo e Alice é o rosto dessa nova geração que não tem medo das descidas íngremes.

Análise Final do PH: O Dia 11 foi o dia da resiliência. Atletas lidando com nevascas, brasileiros quebrando recordes pessoais e favoritos sendo derrubados. Milão-Cortina 2026 está se tornando a Olimpíada da superação tática.

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